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1.8.25

Um paradoxo: Lula é o maior vitorioso e o maior derrotado da crise com os EUA

 


Pela primeira vez o governo dá uma bola dentro em comunicação: quer coisa mais simples do que mandar Geraldo Alckmin tomar café com a melhor amiga das donas de casa brasileiras, naquele estilo que qualquer um com mais de dois neurônios sabe que é "versão oficial disfarçada" - mas que sempre funciona?

Maravilhoso - mas, mais do que isso: duvido que tenha sido obra da Secom ou do comportamento idiota do petismo militante. Os ideólogos do governo não tem essa genialidade toda.

...

A impressão, mais do que evidente, é que no primeiro momento em que os donos do dinheiro foram ameaçados responderam com um "cala a boca, Lula, agora os adultos vão entrar em campo" - e botaram o Ministro do Desenvolvimento para trabalhar, junto com parlamentares do Centrão (que também representa quem faz este país andar) e representantes do setor produtivo (que foram atrás da Secretaria de Comércio implorando para separar o que deveria ser isento de tarifas pelo governo americano).

...

Para este que vos escreve os EUA fizeram o óbvio: pegaram uma folha de papel, separaram o que eles precisam do que não precisam, livraram os primeiros do "imposto regulador" e deixaram os segundos levarem o simbólico "ferro" de 50% de taxa.

Já que, aliás, comida não se taxa - em lugar nenhum do mundo.

...

No mais, os Bolsonaro podem comemorar o susto que deram nos ministros do STF; Lula pode posar de vitorioso para o NYT (e sumir depois disso); os esquerdistas e direitistas do Twitter podem falar o quanto quiser, MAS...

... quem está sorrindo, discretamente?

O chuchu, que deveria ser nosso primeiro-ministro de fato desde 2023.

Não a Gleise. 

Não o Haddad. 

Não a Janja. 

(PRINCIPALMENTE, não a Janja...).


5.6.25

Observações de aulas antigas de EBD, sobre liberalismo teológico... para leigos e não-tão-leigos-assim...

  1. o liberalismo teológico não é uma religião, mas uma corrente de pensamento - ele se liga à religião, mudando a forma pela qual ele pensa - um vírus que altera a interpretação teológica, submetendo os conceitos bíblicos à ordem social vigente (e deturpando a Igreja);
  2. o maior problema do liberalismo está no efeito rebote junto aos ortodoxos: para se tornar imunes ao movimento se agarram à confessionalidade de forma tão incisiva que repudiam quaisquer mudanças e atualizações que possam oxigenar a Igreja;
  3. separar "as Escrituras" da "Palavra" de Deus, declarando que aquilo que não se pode provar cientificamente é figurado: a Ciência comanda a Fé, não o contrário - tornando a Bíblia num livro "falível", submetido às regras do mundo;
  4. pergunta constante: porque o religioso quer aprovação da sociedade? 
  5. para não ser "atrasado" diante do mundo o religioso subverte a mensagem bíblica, fazendo com que a Igreja perca sentido enquanto portadora da mensagem divina;
  6. resultado: sal que não salga, igrejas iguais ao mundo, e ortodoxos agindo como remanescentes, agarrando-se ao século XIX para evitar os erros do século XXI;
  7. o liberalismo é perigosíssimo porque se traveste de igreja respeitável para falar ao povo, distorcendo conceitos e colocando Jesus de lado para ficar de bem com a sociedade;
  8. voltando à pergunta: porque o religioso quer aprovação da sociedade? 
  9. o cristianismo depende de fatos históricos, a partir do momento em que a gente acreditar que tudo é experiência a fé se perde, e o conceito de Igreja se dilui em "modernismo";
  10. de novo: porque o religioso quer aprovação da sociedade? para ser aceito por ela?
  11. o liberalismo teológico despreza a fé, tirando dela a autoridade para falar "per se" (e, com isso, joga todo o conteúdo sobrenatural da Bíblia no lixo - como desprezar a oração, por exemplo, dizendo que era apenas meditação);
  12. a teologia liberal abre espaço para outras "bombas", como ecumenismo irrestrito e adoção do progressismo como base auxiliar de doutrina (além de críticas aos ortodoxos, em especial às suas lideranças, acusando-os de ser parte do "atraso" da sociedade);
  13. o ortodoxo, no afā de manter-se imune ao liberalismo, passa a atacar tudo o que representa ameaça à Igreja tradicional - e, sem querer, acaba agindo de forma preconceituosa e ignorante (ao invés de ser inteligente);
  14. a teologia liberal é "bonitinha", todos fomos educados com base no iluminismo do qual ela bebe, MAS... o cristianismo não é uma religião feita para se adequar à sociedade, mas para subvertê-la e conquistá-la;
  15. de novo: porque o religioso quer aprovação da sociedade? para ser aceito por ela? ora... de que adianta ser aceito pela sociedade e perder a natureza principal, aquilo que você é?
  16. por outro lado... o medo do liberalismo teológico não pode, nem deve impedir a Igreja de entender as mudanças da sociedade, adequando-se aos desafios do século XXI sem perder a essência que veio dos reformadores;
  17. precisamos nos aprofundar do conhecimento nas Escrituras, MAS... um país no qual estudo filosófico é desprezado pode ensinar teologia a fundo? Além disso, relembremos: o remédio em excesso pode matar o doente - trazendo efeitos colaterais como hipocrisia (na base da pirâmide) e corrupção (no topo), por exemplo.
  18. para pensar, aliás: o liberalismo teológico mata a Igreja, mas o excesso de ortodoxia a atrofia... além disso, será que a Igreja "morreu" pelo liberalismo ou porque a sociedade virou as costas para Deus, forçando os Estados confessionais a relativizar as verdades bíblicas para manter um "cristianismo nominal" como religião oficial de nações que já não seguem a Cristo (ou nunca seguiram, de fato)?

e, para pensar...

porque o religioso quer aprovação da sociedade mesmo?

31.1.25

Número de ministérios: 19, no máximo 20. Concordam?

1.1.25

Para refletir

21.11.24

Sobre a "Lava Jato" do mundo bizarro e a iminente prisão de Bolsonaro (ou não)...

Esquerdista é um bicho idiota o suficiente para achar que vai tripudiar porque Bolsonaro corre o risco de ser preso por uma tentativa de golpe, se esquecendo de que:

  • metade dos bolsonaristas adoraria ver Lula, Moraes e a tropa do STF sofrendo este golpe;
  • a outra metade ainda tem (muito) nojo de ser governada por um presidente que considera ladrão, assessorado por um "estabilishment" que trabalha a favor da esquerda (para eles).

As pessoas não sabem, mas a Constituição de 88 é extremamente dura com os 3TH (terrorismo, tortura, tráfico e crimes hediondos). Não é errado, confesso, "gato escaldado tem medo de água fria", mas a população não tem amor nenhum pelas instituições, até porque não vê os resultados práticos do que está na lei - donde se conclui que o impacto da investigação de golpe contra Bolsonaro e os outros 37 vai ter a mesma comoção de sempre na sociedade, ou seja: nada.

A esquerda conseguiu enquadrar o 08/01 como ato terrorista, e Moraes, como juiz natural do processo, está usando de suas prerrogativas para fazer o que está na lei. Antes de vibrar, contudo, os retardados que ficam falando em "sem anistia" deveriam se lembrar de uma frase célebre de Mao Tse-Tung, a besta que levou milhões na China à fome mas soube fazer uma Revolução:

"A revolução não é o convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. 

A revolução é um insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra."

Quem quiser dar golpe vai dar - e a direita é melhor nisso que a esquerda, ao menos no Brasil.

13.11.24

Sobre a escala 6x1, 5x2 ou 4x3...

Pastores evangélicos vão gostar disso: o domingo voltará a ser dia separado, por absoluta falta de interesse em se trabalhar naquele dia. De resto, todo mundo diz que a 6x1 é terrível, mas o que teremos de gente que continuará a se submeter a essa carga de trabalho será enorme...

... e por duas palavras, que compensarão demais para o empregador: hora. extra.

6.11.24

Sobre as eleições americanas...

Lembro de que há quatro anos atrás a Pensilvânia foi o Estado que significou a repulsa ao que Trump e seu isolamento significavam - e que o voto pelo correio, de quem não pode faltar ao trabalho na terça, ajudou a eleger Biden e mandar o "agente laranja" para casa.

De 2018 para cá, contudo, os democratas acharam que foram eleitos por causa de suas virtudes, e não dos defeitos de Trump.

A economia americana vai bem, nos indicadores - mas no dia-a-dia o cidadão vai mal, seja por causa de uma pandemia no meio do caminho (que não é culpa de ninguém, ressalte-se isso) ou de todas as decisões erradas que fizeram o dinheiro se concentrar na mão de uns poucos (curiosamente os mesmos que fazem discursos bonitos pela manhã e participam de bacanais inacreditáveis nas festinhas dos rappers de LA e NY).

Não tinha como manter essa gente no poder - ainda mais com uma candidata que zomba dos que temem a Deus em comício e baseia sua campanha na legalização da maconha e do aborto (assunto que, lá, é competência estadual).

Tiraram o gagá para colocar a sem noção, é isso?

...

Se há quatro anos a eleição foi decidida pelos imigrantes, esta foi marcada pelos homens, negros e latinos, que viraram a casaca. Gente como Julius, o pai do Chris, de dois empregos e muito suor no rosto - e que, provavelmente, estaria desocupado nesta terça, por falta de emprego e perspectiva.

Pois bem: Julius foi votar ontem - e ajudou a colocar Trump de volta no poder.

Francamente... faz sentido.

@maga Amen, Mr. President! #maga #fypage ♬ original sound - Make America Great Again

24.9.24

O debate do Flow foi uma droga? Grande coisa...

@tabataamaralsp

São Paulo merece mais do que isso.

♬ som original - Tabata Amaral

Mais um debate em que acontecem tumultos envolvendo Pablo Marçal, o "coach" picareta que se tornou o homem a ser derrotado na disputa pela prefeitura de São Paulo - e no qual se perdem oportunidades para "discutir propostas", como disse a candidata queridinha da mídia mais "hipster" no desabafo acima.

(aliás, eis um elogio: Tábata Amaral dizendo "m..." está melhor que a Sandy, que conseguiu a proeza de cantar "Ciranda da Bailarina" e não citar o "pentelho" que Chico Buarque colocou na música... que bom que ela não age sempre como a representante de classe perfeitinha...)

...

O problema, porém, é maior do que isso. 

Debate como forma de "discutir propostas" virou perda de tempo desde hoje que entidades da sociedade civil organizada passaram a impor pautas à cidade, seja via Judiciário ou elegendo seus candidatos diretamente (e passando pano para os erros dos iluminados, como se vê pelas pautas da imprensa em administrações como a de Fernando Haddad - e pelas atitudes de muita gente sem noção, que defende cegamente a ideia de uma "cidade para pessoas" sem consultar as pessoas que vivem nela).

Votar está valendo cada vez menos na impressão da população - e isso se dá justamente por causa de pessoas como os financiadores de Tábata, que imaginam poder construir uma sociedade "perfeitinha" agindo de forma ditatorial contra quem não concorda com seus pressupostos. Deveriam lembrar-se de que cidadãos, num país como o Brasil, querem serviços públicos de qualidade em um formato e padrão que lhes satisfaça (não a camiseta de tamanho único que o governo insiste que eu deveria aceitar como o "certo", ou o "melhor" para mim.

Eu, cidadão de São Paulo, não quero uma "cidade para pessoas". Eu quero uma cidade para MIM, para MINHAS demandas, para o que EU entendo como algo que possa resolver o MEU problema.

Se os candidatos em questão entendessem isso teríamos discussões que realmente valeriam a pena - e não estaríamos admirando o pombo enxadrista que tornou esta eleição bastante emocionante.

Para o bem, e para o mal.

4.9.24

Enquanto isso, no mundo democrático sem Musk...

... Threads vai ganhando a guerra das redes de opinião, mas o clima incômodo de casa em condomínio fechado persiste: tio Zuck não vai botar "trending topics" para deixar a galera quebrar o pau a torto e a direito - e fecharem todos os produtos que ele tem aqui.

Bluesky, por sua vez, adquire a vibe do Centro de São Paulo para entendidos na região: uma simples procura, com as palavras certas, e o céu azul adquire nuances de sol ardente.

Uma coisa, porém, é certa: quem ganha a guerra para substituir o "X" é... o próprio "X", já que até no Reddit temos mais interatividade que nos concorrentes do ex-Twitter.

31.8.24

Suspenderam o "X"? Bem...

 ... suspeito que ele volta daqui a alguns dias, talvez até no final de semana: se tem gente com capacidade para bloquear as redes por "n" motivos também há os que querem que ela volte, por outros "n" motivos. Vale lembrar que não é apenas a direita que se usa do X... a esquerda usa bastante a dita cuja, e os algoritmos volta e meia colocam quem cacareja ideias progressistas no topo.

Enquanto isso as pessoas se viram rapidamente, criando seus backups: todo mundo tem Telegram para o caso do Whatsapp cair, e vai facilmente criar um Threads (que já está criado) para quando o X ficar fora. Bluesky censura muito os da direita, Reddit depende de moderadores (mas os saudosos do Orkut vão gostar deles)... e outras redes, como Mastodon, não são conhecidas do grande público.

Agora... que a galera do Koo está se rasgando de ódio, está. Eles tinham a faca e o queijo na mão para pegar os "users" brasileiros, mas faliram antes que Alexandre fechasse o X por aqui... rs...



14.7.24

"Bluey" e a autoridade dos pais: mais respeito, elas são crianças!


Pais são criaturas adoráveis: sábias, compreensivas, capazes de tudo por seus filhos - mas tudo seria mais fácil se eles entendessem que já foram crianças um dia. Entender Bluey, desenho que bate recorde atrás de recorde em exibições no streaming da Disney (mesmo sendo uma produção australiana) passa por esse pressuposto.

Como não se encontram muitas informações sobre a origem do desenho em português além do seu sucesso, vale a pena contextualizar isso: Joe Broom, criador da série, voltara ao seu país depois de anos trabalhando no Reino Unido com o sonho de fazer uma "Peppa Pig australiana" - e conseguiu a inspiração para o projeto na própria casa, a começar do impacto que a mais velha teve quando mudou de cidade (e escola), sendo transferida para uma instituição com um formato de ensino mais abrangente.

Joe, pai de duas filhas, da terra do cachorro boiadeiro australiano, também chamado "blue heeler" ou "red heeler", ou "bingo", que quando criança tinha um "pet" chamado Bandit... 

... a inspiração para séries de TV na própria vida não é novidade, Mônica e sua turma são exemplos disso, mas é um fato: Bluey atingiu um sucesso estupendo e merecido, com crianças e adultos.

...

Bluey foi definido por seu autor como "uma Peppa Pig para maiores", o que torna-se mais evidente quando se percebe que Broom e sua equipe focalizaram seus esforços no público que começou na TV adorando as estripulias da porquinha britânica. Há, porém, um detalhe a mais: a série foi feita pensando num modelo de família mais participativo, moderno, colaborativo - e que entra, direta ou indiretamente, em choque com os papeis que pais e mães costumam exercer diante dos filhos.

É fácil considerar o seriado australiano como algo que subverta a autoridade paterna: no primeiro episódio se vê uma brincadeira que quase culmina no beijo entre dois "homens", brincando de cavalinho macho e fêmea. Em vários momentos as brincadeiras chegam a um limite que poderia ser considerado de muito mau gosto se não encararmos que são pais entrando no clima lúdico que cerca os jogos familiares - sem falar em tantas horas nos quais a autoridade dos pais parece ser constantemente testada, contestada e confrontada por crianças cada vez mais "mandonas".

Um desastre para a educação familiar, na opinião de muitos pais - e também uma injustiça, considerando-se a quantidade de momentos ternos e edificantes que a série possui.

...

"Mas porque seria injusto condenar um desenho que trata os pais como idiotas, e as crianças como heroínas? Porque tratar uma série infantil que deseduca nossos filhos como algo bom?"

Porque bem...  porque desenhos infantis são feitos para crianças, oras!

Lembre-se desta regra toda vez que for criticar algum desenho que passe na TV: desenhos infantis NÃO são feitos tendo em vista as atitudes que os pais achariam corretas para seus filhos. Eles não assistiriam algo que repetisse mantras como "coma seus legumes" ou "obedeça seus pais" diretamente - aliás, ninguém assistiria algo tão incisivo, não se assiste nada na mídia para ser doutrinado..

... e, quando se tenta fazer isso, o repúdio vem, como demonstrado pelo "quem lacra não lucra".

...

Crianças gostam de se ver como protagonistas do mundo em que vivem. Elas querem ser as mocinhas, dar lições de moral, fazer e acontecer; querem brilhar, ser reconhecidas, donas do mundo (ou do seu mundo) - e também querem ser amadas, instruídas, ter carinho, compreensão e colo.

Serem respeitadas - como crianças, para as quais desenhos como "Bluey" são feitos.

...

P. S.: uma das coisas que me incomoda muito em Bluey é que quase sempre o antagonista é Bandit, o pai, que chegou até a ser disciplinado pela filha num episódio; depois, contudo, relembrei o que ouvira de um presbítero e me aquietei - "o homem será responsável, mesmo que não seja responsável".

P. S. (II): no momento em que escrevia esse texto, em julho de 2024, Bluey era exibido na TV Cultura de São Paulo, como parte do acordo que eles tem com a BBC (garantia de boa série).

P. S. (III): mesmo com esse negócio de "mais respeito, elas são crianças" a Disney censurou trechos e episódios inteiros que passaram no original australiano - mostrando que não são todos os pais que levam com tranquilidade a ideia de "tá tudo bem, é só um desenho".

19.6.24

A pandemia e os "chatos velhos" - OU: síndrome de Anésia

Tem um tipo de gente tão chata, mas tão chata, que deveria mudar logo o nome para "Anésia", a personagem das tirinhas que, com sinceridade alemã, destrói qualquer argumento dos xexelentos de plantão. A pandemia aumentou a chatice dessa galera, que não para de reclamar - sem ter muita possibilidade de sumir, já que tudo, agora, ficou dentro do "home", inclusive os malas de plantão.

É o neto chato, é a vizinha chata, é o casal que transa muito alto chato - tudo é chato. Só o chato, ele ou ela, é que não se sente chato de reclamar o tempo todo, por tudo de errado que acontece.

...

Dá para entender esse tipo de chato? Dá: que vontade de sair às ruas para tomar o chope diferenciado de quem só quer discutir um pouco de política internacional e costumes arrojados, após ver o filme iraniano em cartaz, MAS... não dá. A pandemia não deixa.

Claro, se você fosse negacionista, poderia mandar um basta e ir procurar a sua turma, MAS... geralmente os chatos que acham que tudo é chato morrem de medo do vírus, e ficam em casa, para "não morrer".

Em geral não morrem - velho chato não morre tão facilmente; sim, porque o ideal não é chamar essa gente de chata, mas de "velha", envelhecida pelo tempo, e pela recusa em admitir o mundo como um lugar no qual pessoas falhas vivem cometendo erros o tempo todo, com você ou com os outros.

...

O velho chato não aceita o mundo como sendo feito de gente imperfeita - por isso acha tudo chato, e por esse motivo os outros o chamam de velho, eufemismo para não dizer o que essa pessoa é de verdade.

Chato. Velho - e exigente demais nas suas exigências, e chatices.

...

Bem que esse escriba gostaria que o mundo todo tivesse a sinceridade alemã - mas não tem. Holandês é o tipo que ofende alguém no trabalho e vai tomar cerveja com ele, separando o ponto A do ponto B.

Brasileiro, não. 

Ofenda o cara, uma vez só, e terás um inimigo - para o resto da vida. Alguns até gostam, de tão chatos - e velhos por dentro - que são

Ou sempre foram.

...

De tudo, só resta um conselho, básico.

Não seja chato. Envelhece.


Direitos da mulher vs direitos do não-nascido parte III: a lógica dos brasileiros - e brasileiras

 

Os brasileiros e brasileiras não sabem direito quando é que se pode dizer que um feto é um bebê, dizem que a vida nasce na concepção mas se uma mulher for vítima de estupro admitem tranquilamente que ela "tire" o que está em seu ventre, porque este não foi fruto de uma relação consentida, e jamais conceberão que se faça um aborto caso seja fruto de ato consensual, mesmo que seja entre adolescentes.

Sem muitos rodeios: quantas vezes vocês não ouviram um "na hora de abrir as pernas não pensou nas consequências", dito por mães sem educação que se tornaram avós involuntariamente? Será que muitos se esquecem do destino horrendo reservado a estupradores na cadeia, aplaudido efusivamente inclusive por gente que abomina o bordão "bandido bom é bandido morto"?

Mais ainda: quem nunca ouviu falar de pessoas que relataram o aborto como um procedimento invasivo e doloroso, pelo qual nenhuma mulher gostaria de passar?

Ora, se essas são as frases que se ouvem todos os dias nas quebradas brasileiras (e até nas mansões) porque a direita achava que o povo apoiaria o PL 1024, transformando quem aborta em criminosa - e, por semelhante modo, quem na esquerda realmente acreditam que iriam liberalizar a interrupção da vida de um feto a qualquer momento, por qualquer motivo, por causa da gravidez oriunda de estupro?

Brasileiros (e brasileiras, principalmente) tem uma lógica torta, mas que faz sentido bem de perto. Se quer entender qual é, volte ao lide desse texto, o primeiro parágrafo, e leia-o com atenção.

19.5.24

Uma aula de Escola Bíblica, várias observações sobre aborto e anticoncepcionais...


Uma aula de Escola Bíblica Dominical a respeito de aborto e anticoncepcionais fez o cérebro deste que vos escreve trabalhar dobrado - até porque o assunto é cheio de polêmicas. Sem mais delongas, seguem os "pitacos" que surgiram depois de uma hora e quinze de classe:

  1. não é só a indústria de anticoncepcionais que compra opiniões médicas: a indústria em geral faz isso o tempo todo, comprando os especialistas e trazendo-os para o seu lado;
  2. não custa lembrar: chegamos ao ponto de qualificar vacinas "melhores e piores" numa pandemia, por conta de estratégias marqueteiras que deveriam fazer os laboratórios corarem de vergonha;
  3. ainda sobre o especialista: mas todo ramo de atividade tem tendências majoritárias e minoritárias - mas que lamentavelmente tem sido desprezadas nas ciências biológicas (principalmente as médicas) em função do "Deus-ciência", aquele que não falha nunca;
  4. a sociedade tem sido bombardeado constantemente com a ideia de que aproveitar a vida é bem mais interessante e útil que se afundar na vida em família, sendo que as mulheres são os principais alvos dessa "doutrinação", típica de quem coloca o Homem no centro do mundo;
  5. ainda que o zigoto só tenha chances efetivas de "vingar" a partir da nidação é fato que o corpo feminino é preparado para o milagre da vida - coisa que as mulheres deveriam pensar antes de adotar técnicas como pílulas anticoncepcionais, do dia seguinte e diária;
  6. o Direito está correto na expectativa de direito do feto? Sim, mas não porque não existe vida antes da fecundação - o conjunto de células deve ter o direito de vingar como criança;
  7. o termo marxismo cultural é impreciso, dada a tendência dos conservadores de chamar tudo o que é progressista de esquerdista - mas não o mal que ele indica, a saber, a ideia de que o feto é parte do corpo da mulher (não é) e sua propriedade (não é);
  8. a tendência de se supervalorizar o parto como o início de uma família (e o filho biológico como aquele "que vale"), somada à ideia de que todos os atos da vida tem que ser planejados, cria absurdos de todo tipo - como embriões tratados como propriedade, por exemplo;
  9. a visão jurídica (na verdade, a sociológica) tem sido sobreposta à Biologia, aliada ao interesse de segmentos sociais ("carpe diem") e à desvalorização da família monogâmica heteronormativa;
  10. a Igreja pode até ter razão em seus argumentos, mas usar sítios de extrema direita para contestar os argumentos dessa verdadeira "teologia do século XXI" é como revestir-se de uma armadura frágil para defender um corpo fortalecido, mas vulnerável;
  11. a questão, mais do que defender biologicamente o início da vida, é entender que a gravidez (e os filhos) não são uma tragédia - principalmente se chegarem dentro de um casamento saudável (definição esta que não é financeira, mas psicológica e moral);
  12. quanto às pessoas que tiverem filhos fora do casamento, deve-se entender que o estigma da responsabilidade ("deveria fechar as pernas") é um enorme motor para se procurar clínicas de aborto - junto com a desvalorização da vida;
  13. a postura de muitos pastores e membros em ter filhos de forma irresponsável, embora possa ser embasada por uma argumentação bíblica consistente, embute um enorme risco: quem garante que serão criados de forma sadia e consciente?

Finalmente, o mais relevante: todo cristão deve estar preparado para discutir o assunto fora das Igrejas, num mundo que tem a tendência a desvalorizar ao Deus cristão (principalmente) em função do "Deus-ciência" e do "Deus-homem", bem palatáveis para os defensores dessa verdadeira "teologia do século XXI", na qual se insere o contexto da sociedade atual.

"Oh, admirável mundo novo que encerra criaturas tais..." - nunca essa frase foi tão atual.

22.10.23

Prosa: O que eu queria ter dito

Muitos pastores e mestres do tradicionalismo evangélico costumam escrever cartas ao povo - basta pesquisar na internet e você verá "receitas de bolo" de todo tipo, com diversos textos da Palavra de Deus correlacionados entre si explicando o porquê da vida ser como ela é. 

Documentos religiosos, porém, não vão ao âmago das questões nas quais os seres humanos se envolvem, ainda mais por causa dos naturais pudores que aparecem quando várias questões metafísicas se colocam diante de nós - e, mais ainda, quando temos certeza de que a resposta não nos agrada. Como explicar, por exemplo, que o povo judeu vilipendiado pelo nazismo tenha se tornado, de uma certa forma, em algoz de outro povo, com a chancela de grupos que acreditam estar antecipando a volta de seu Messias?

É a mesma pergunta que se faz quando, na vida pessoal, alguém que amamos morre sem ter encerrado parte importante de sua existência. Os espíritas creem numa segunda chance, budistas e hindus são mais específicos ainda quanto à reencarnação; mas para os cristãos protestantes não há meio termo, purgatório ou Auto da Compadecida que possa ajudar os incrédulos - e isso dói, para os que creem.

...

Tais reflexões vieram a calhar quando li este tuíte aqui, elencando os motivos pelos quais a pessoa não gostaria de ir para o Céu cristão, lar celestial reservado no pós vida para aqueles que acreditam no Deus monoteísta abraâmico tendo como alicerce a fé em Jesus Cristo, tido por estes como Salvador - aliás, lamento por escrever desta forma, mas em tempos toscos como os atuais é bastante razoável que se escreva aos orgulhosos ateus e progressistas de uma forma que eles não se sintam ofendidos.

Pois bem... esse "post" do "X" resume bem o que se pode dizer aos cristãos sobre o comportamento ateu-agnóstico-progressista-científico dos tempos atuais. Dissecando o texto, do que entendi: o progressista do século XXI conhece o cristianismo melhor do que a maioria dos cristãos, mas tem ódio do que isso significa, seja porque não vê evidências sobre a existência de um Céu e um Paraíso, ou porque não vê vantagem alguma em estar na morada eterna, ou, ainda, porque vê muito mais vantagem em ser humano e viver intensamente do que em esperar um porvir que não sabe se chegará.

O que essa pessoa (e muitos progressistas) não entendem deveria ser óbvio, mas, vá lá: o Céu só faz sentido para quem realmente acredita nele, tendo certeza de que estará no Paraíso, e de que vai gozar da presença de seu Deus eternamente. Isso só tem algum proveito para quem tem FÉ e CERTEZA do que virá, algo que é dificílimo de se explicar para quem só acredita no que vê, seja por tratados científicos ou matérias jornalísticas a respeito de invenções revolucionárias do ser humano - o mesmo animal que muitos, nestes tempos modernos, consideram a pior espécie que ocupa este planeta.

(apesar de, num paradoxo, também salvar muitas espécies da extinção imediata)

...

O ser humano é capaz do pior e do melhor. Guerra, peste e fome; paz, vacinas e abundância. 

Só não foi capaz de deter a morte, nem de explicar o que ocorre após ela, ainda que desenvolvesse teorias diversas a respeito, tão metafísicas quanto o mundo ao seu redor. A religião, nesses contextos, ajuda a explicar o mundo - e dá um norte para o ser humano, tão carente de respostas, que não consegue encontrar numa conta singela como "1 + 1". 

Ou "1 + i" - e cabe aqui uma explicação: o ser humano conseguiu quantificar números de todo tipo, mas não conseguiu entender como se calcula a raiz quadrada de -1. Como não conseguiu, determinou uma nova categoria, a dos números imaginários, e chamou esse número de "i"...

... ou, como um religioso explicaria, o matemático teve fé de que esse número inexistente poderia ser representado como "i". Fé, no frigir dos ovos, é considerar um pressuposto - e acreditar nele.

...

Faltou alguma coisa nesse texto? 

Sim, o que está no título do "post": o que eu queria ter dito a uma pessoa que passou por grande tristeza recentemente - e a tantas pessoas nessa situação. Aliás, é tão simples dizer isso...

...

Quando rio, sei que Deus está comigo;  

quando choro, também.

Quando as certezas me faltam, porém,

 apenas faço o que me ensinaram, desde a infância.


Oro, sinto, penso, reflito... 

...e sigo em frente, pois ELE ESTÁ COMIGO

12.10.23

Pitacos diversos sobre a visão que falta no conflito árabe-israelense: a religiosa

NOTA: esse texto reflete a opinião de alguém que é cristão praticante, mas tenta escrever de uma posição relativamente equidistante dos fatos apresentados. Se escandalizar alguém, principalmente os "mais fracos", radicais de todos os tipos, lamento - e fico à disposição. 

...

Marcelo Guterman, no Papo de Boteco, descreve historicamente os fatos do conflito entre Israel e a Palestina desde quando começou a sair do papel a ideia de um lar para os judeus do mundo. É uma visão bem completa, historicamente apuradíssima, mas na qual falta um detalhe, sempre desprezado: a História do povo judeu não começou em 1948, embora se diga que o povo palestino nasceu ali.

Sem se falar nos escritos que falam ao coração de judeus, cristãos e muçulmanos não se pode entender um estado constante de guerra - que, a rigor, poderia ser resolvida como nos pactos coloniais de outrora. 

...

Os britânicos, ao autorizarem a criação do Estado de Israel num lugar no qual já vivia gente, e a ONU, ao endossar tal fato, não pensavam na Torah, Bíblia ou Alcorão. Queriam fazer política, e fizeram, dando a terra dos palestinos para um "intruso" e provocando a ira dos vizinhos - que já previam o impacto da existência de um país pequeno, porém de amigos bastante poderosos, em sua vizinhança.

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Israel é um país recente, mas de alicerces muito antigos. Não poderia ser criado no Piauí - aliás, graças a Deus não foi feito, imagine se tivéssemos um vizinho riquíssimo num espaço cedido pelo Brasil. 

Não, não poderia ser criado em outro lugar senão na terra de seus antepassados, a Canaã de onde jorrariam leite e mel, e para a qual o povo judeu quer voltar desde os tempos em que Jacó foi "de mala e cuia" para o Egito, a convite do filho governador do Egito, José (o mesmo que fora vendido pelos irmãos, num plano tortuoso arquitetado pelo Deus único, que os protegeu naquela hora).

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YHVH. 

Deus dos judeus, cristãos e muçulmanos (embora os dois primeiros grupos discordem disso).

O Deus de Abraão, Isaque e Jacó foi o mentor do povo escolhido durante todo o Antigo Testamento. Guiou-os para o Egito, retirou-os de lá, usando Moisés, que lhes deu leis e organização - e providenciou em Josué um general de ferro, que conduziu o Israel bíblico na conquista da Terra Prometida.

Depois, os Juízes, nos tempos de federação tribal, e os Reis, centralizando o pode - primeiro com Saul, depois Davi, o maior de todos, e Salomão, o do apogeu. 

Divisão, nos reinos de Israel e Judá, com governantes que andavam ou se desviavam do coração de Deus. Ao final, cativeiro, nas mãos de assírios (que dizimaram o Norte) e babilônios. 

Aqueles que voltaram, por ordens de Ciro, o da Assíria, vem "com a faca nos dentes" - e sob o comando de sacerdotes e ministros, como Esdras e Neemias, iniciam a fama de um povo nacionalista e zeloso de si mesmo, orgulhoso de um Deus que residia junto com eles, no seu santo Templo.

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Templo... ah, o Templo...

O Primeiro, que Salomão construiu, representava o apogeu do Reino. O Segundo, a reconstrução do país, que Roma fez questão de destruir para arrasar com a moral do povo.

E o Terceiro? Difícil... lá está uma mesquita, local de culto de uma outra gente - que adotou o ser sagrado dos judeus e cristãos, sob as regras de outro profeta, chamado de Deus (mas em árabe).

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Allah. 

Deus, para os árabes - que adotaram um sistema religioso, social, econômico e político com o ser divino emprestado de judeus e cristãos. Estes não tem Messias, mas tem Profeta, o único caminho dentre todos, incluindo alguém muito sábio, um certo... Jesus.

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Jesus. 

Filho de Deus, Filho do Homem, Deus Filho. Descendente de Davi, motivo da salvação dos cristãos - que virá para julgar os vivos e os mortos, depois de arrebatar para si a sua Igreja, dos salvos nELE. 

Profeta para os muçulmanos, transtorno para muitos judeus (principalmente os ateus e agnósticos), Jesus Cristo é a incógnita que faz com que os Estados Unidos dos dispensacionalistas invistam um valor absurdo para que Israel se arme, mantendo a guerra de sobrevivência - e torcendo para que os judeus crerão em Cristo como seu Salvador, antecipando a volta dELE.

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O samba do crioulo doido (ou do afrodescendente preto, como desejarem) que este escriba fez acima não faz sentido algum para explicar a questão Israel vs Palestina, se você observá-lo do ponto de vista de alguém que crê na lógica dos acordos diplomáticos para resolver questões internacionais. 

O fato, porém, é que acordos não lidam com as crenças e valores mais íntimas dos indivíduos - de tal forma que israelenses e palestinos teriam tudo para fechar acordos rapidamente, SE:

  • os descendentes do povo judeu (ao menos a parte mais religiosa) não cressem que seu Deus lhes deu a terra por herança, e que deveriam arrasar todos os que se opuserem a este objetivo;
  • os cristãos (ao menos a parte mais poderosa deles) não acreditassem que aquela terra deveria ser uma panela de pressão para judeus, a fim de ter a certeza da volta de seu Messias;
  • os que ficaram na Palestina após a destruição do Segundo Templo, e seus descendentes, não se conformassem com a perda de terras que foram suas por quase dois milênios, dando ouvidos a todo e qualquer grupo radical que pregue a aniquilação dos que chamam de invasores.
Grande Israel, Jihad (no conceito mais radical), dispensacionalismo. Seria muito mais fácil resolver esse conflito na Palestina, não fosse por esses aspectos - tão complexos e tão distintos quanto o ser humano.

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P. S.: faltou a opinião desse escriba sobre a questão - que se resume em dois textos da Bíblia cristã. 

O primeiro, referente aos cristãos que querem "dar uma forcinha" para que seu Messias, o Cristo, volte antes da data, foi muito bem descrito por Lucas em seu Evangelho, quando diz:

"Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Eí-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós.   

Então disse aos discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias do Filho do homem, e não o vereis. Dir-vos-ão: Ei-lo ali! ou: Ei-lo aqui! não vades, nem os sigais; pois, assim como o relâmpago, fuzilando em uma extremidade do céu, ilumina até a outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia."

Lucas, capítulo 17, versículos 20 a 24 

O segundo é mais antigo, e merece uma explicação prévia: lembra quando falamos, lá em cima, que o povo judeu saiu do Egito de volta para Canaã, liderados por Moisés no deserto, e, depois, por Josué? Pois bem, a ordem era clara - matar todos à espada, sem deixar ninguém, nem mesmo um bebezinho, para que não sobrassem inimigos que viessem depois requerer a terra, e atacar o povo.

Embora fossem efetivos nas conquistas, nem Josué, nem seus sucessores foram capazes de fazer a "limpeza étnica completa" exigida naquele momento - e a resposta de Deus veio, conforme consta no capítulo 2 do livro dos Juízes, versículos de 1 a 3:

"O Anjo do Senhor foi de Gilgal a Boquim e disse aos israelitas: Eu tirei vocês da terra do Egito e os trouxe à terra que havia prometido aos seus pais. 

Eu disse: “Nunca quebrarei a aliança que fiz com vocês. Não façam nenhum acordo com os moradores desta terra. Pelo contrário, derrubem os altares deles.” 

Mas vocês não fizeram o que eu disse. Em vez disso, vejam o que fizeram! 

Agora eu digo que não tirarei este povo do caminho de vocês. Eles serão seus inimigos, e os deuses deles vão ser tentações para vocês."

Tivessem lido seus escritos sagrados, e os israelenses fariam a paz com os palestinos. Afinal de contas, foram condenados a isso - pelo mesmo Deus que lhes deu a Terra Prometida, cultuado por todos ali.

10.10.23

A retórica da guerra: como Israel está ganhando (no marketing) o direito de arrasar com a Faixa de Gaza

O bom senso deveria mandar que as pessoas fossem cautelosas ao tratar de certos assuntos, seja na internet ou na vida fora da telinha. A vida, por sinal, ensina que deve-se tomar bastante cuidado com gente que pode pagar boas assessorias de imprensa para divulgar apenas coisas boas a seu respeito.

Poderia estar falando da filha de um cantor sertanejo, a cara da bailarina da música - mas isso também se aplica a lugares, e governos, como é o caso do novo queridinho dos progressistas, o Estado de Israel.
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A melhor Parada Gay do Oriente Médio está em Israel - na verdade, a única. 

Telaviv é uma cidade altamente cosmopolita, o país é cheio de gente jovem e arrojada, a economia do século XXI casa bem com Israel - e Jerusalém, convenhamos, é um espetáculo para os cristãos. Ninguém nota os judeus ortodoxos e seu monte de filhos, ou a corrupção do primeiro-ministro que consegue superar Bolsonaro na estupidez; o Estado judeu é arrojado, e gosta dessa imagem.

Não espanta, portanto, que a esquerda ao redor do mundo esteja apoiando a possibilidade de uma carnificina na Faixa de Gaza, ainda mais considerando-se que o Hamas não tem uma assessoria de marketing que seja capaz de fazer o que Israel conseguiu: deixar os colonos bem escondidos enquanto exibe uma imagem progressista (e hipócrita) de si mesmo, escondendo o que fez no passado.

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A esquisita aliança entre a direita ultraconservadora, que baba ovo na única democracia do Oriente Médio, com a esquerda progressista, encantada com a liberdade que só existe no Estado de Israel, faz todo o sentido, como fruto de uma bem sucedida estratégia de marketing e de virtudes que, no frigir dos ovos, só uma democracia bem financiada poderia ter. 

O buraco, porém, é mais profundo do que parece: a paz não virá por carnificinas, e os líderes do Hamas não estão em Gaza. O misto de partido político, entidade assistencial e grupo terrorista pode estar acuado, mas feriu o titã israelense no que mais dói - o orgulho.

Eles não tem mais segurança, e estão procurando culpados. Daí para uma carnificina, é um pulo.


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Faz bem o governo brasileiro em não tratar o Hamas como grupo terrorista. A ONU não faz isso, e o atual ocupante da Presidência do Conselho de Segurança tem que ter tato, e estômago, nessas horas em que há muita informação desencontrada, e bastante gente trabalhando para criar uma imagem de "bonzinho" para si - e de "malvado" para o outro.

Israel está numa cilada: querem invadir e procurar os líderes e guerrilheiros do Hamas casa por casa, numa Faixa de Gaza sitiada há anos, com gente (os palestinos que lá vivem) que nunca teve cidadania respeitada nem direitos estabelecidos de verdade. Talvez nem sejam considerados gente pelo governo.

Israel, o Estado, fará a guerra que sempre soube fazer. Mas saberá fazer a paz, depois disso?

24.9.23

De prepotências e arrogâncias: lições do título do SPFC na Copa do Brasil

O São Paulo não tem o dinheiro do Palmeiras, não tem alcance nacional como o Flamengo; na verdade, não manda nem no seu Estado, honra que cabe ao (também atrapalhado) Corinthians. 

Teve, contudo, humildade, de seus jogadores e do seu técnico, injustamente deixado de lado por uma diretoria de clube provinciana e inconsequente - como muitas em nosso futebol.

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Azar do Flamengo - como é azar também do Palmeiras, envolvido em encrencas porque a mecenas do clube quer recuperar o investimento, nem que seja alugando avião para a "galera"; e como é azar também do Corinthians, embora este ainda tenha chances de salvar o ano na Sulamericana.

(dica para os alvinegros: treinem penaltis, a LDU bate bem)

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Continuamos medíocres, mas ao menos a sala de troféus está cheia. No mais, deixemos os comentários para alguém que sabe: Galvão, diga aí porque o Flamengo "sentiu" e o SPFC não...


@galvaobuenooficial Parabéns, São Paulo, campeão da Copa do Brasil!! E essa é a hora de analisar: pq o SP foi campeão e o Flamengo não foi?? 🤷🏻‍♂️ #saopaulo #spfc #flamengo #fla #tricolor #rubronegro #copadobrasil #galvaobueno ♬ som original - Galvão Bueno