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19.6.24

A pandemia e os "chatos velhos" - OU: síndrome de Anésia

Tem um tipo de gente tão chata, mas tão chata, que deveria mudar logo o nome para "Anésia", a personagem das tirinhas que, com sinceridade alemã, destrói qualquer argumento dos xexelentos de plantão. A pandemia aumentou a chatice dessa galera, que não para de reclamar - sem ter muita possibilidade de sumir, já que tudo, agora, ficou dentro do "home", inclusive os malas de plantão.

É o neto chato, é a vizinha chata, é o casal que transa muito alto chato - tudo é chato. Só o chato, ele ou ela, é que não se sente chato de reclamar o tempo todo, por tudo de errado que acontece.

...

Dá para entender esse tipo de chato? Dá: que vontade de sair às ruas para tomar o chope diferenciado de quem só quer discutir um pouco de política internacional e costumes arrojados, após ver o filme iraniano em cartaz, MAS... não dá. A pandemia não deixa.

Claro, se você fosse negacionista, poderia mandar um basta e ir procurar a sua turma, MAS... geralmente os chatos que acham que tudo é chato morrem de medo do vírus, e ficam em casa, para "não morrer".

Em geral não morrem - velho chato não morre tão facilmente; sim, porque o ideal não é chamar essa gente de chata, mas de "velha", envelhecida pelo tempo, e pela recusa em admitir o mundo como um lugar no qual pessoas falhas vivem cometendo erros o tempo todo, com você ou com os outros.

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O velho chato não aceita o mundo como sendo feito de gente imperfeita - por isso acha tudo chato, e por esse motivo os outros o chamam de velho, eufemismo para não dizer o que essa pessoa é de verdade.

Chato. Velho - e exigente demais nas suas exigências, e chatices.

...

Bem que esse escriba gostaria que o mundo todo tivesse a sinceridade alemã - mas não tem. Holandês é o tipo que ofende alguém no trabalho e vai tomar cerveja com ele, separando o ponto A do ponto B.

Brasileiro, não. 

Ofenda o cara, uma vez só, e terás um inimigo - para o resto da vida. Alguns até gostam, de tão chatos - e velhos por dentro - que são

Ou sempre foram.

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De tudo, só resta um conselho, básico.

Não seja chato. Envelhece.


22.7.23

Era para ser sobre TV, mas a Lei Geral das Religiões foi mais rápida e ...

Esse que vos escreve ia falar somente sobre um dos assuntos que mais me agradam, a saber, a televisão e o mundo dos reality shows que sempre acaba nos levando a pensar um pouco mais em como funciona a natureza humana nos tempos de hoje (lembrando que esse blog se chama TrashEtc! também porque, entre outras coisas, é um bom espaço para se escrever o que vem à telha).

No entanto, é preciso que se fale de um assunto mais controvertido antes disso: foi aprovada, em tempo recorde para o Congresso Nacional, a Lei Geral das Religiões, que disciplina assuntos de ordem jurídica na vida das Igrejas evangélicas e que é uma resposta ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica, que foi negociado diretamente com a Santa Sé e que daria determinados privilégios à esta Igreja em relação à outras denominações no país.

No contexto jurídico, o Estatuto parece apenas regulamentar e reforçar os direitos de culto previstos na Constituição, e na sua origem ela garantia mecanismos para manter a salvo os direitos da Igreja Católica (e, agora, das demais Igrejas) sob sua doutrina, costumes, lugares de culto e outras características que lhe são peculiares; "copiá-lo" para a realidade das demais denominações pode ser extremamente útil, já que, em determinados casos, o direito à crença garante também que a denominação não faça o que é de sua vontade.

Um exemplo do que foi dito acima é a aplicação às Igrejas evangélicas da Lei da Homofobia: mesmo que a homofobia seja tratada como crime semelhante ao racismo e outros tipos de discriminação, com essa Lei em tese as Igrejas poderão dizer que não devem aceitar pastores gays ou qualquer outro tipo de comportamento que não seja de acordo com o que pregam; trata-se de uma virtude dessa "cópia", já que liberdade de crença, para os evangélicos, é como liberdade de expressão para os demais meios da sociedade.

Outro ponto que pode ser controvertido é a possibilidade de se permitir o visto permamente ou temporário para missionários, que facilitaria o trabalho de denominações internacionais no Brasil; no entanto deveria preocupar aos pastores a extinção de vínculo trabalhista com as instituições religiosas (que, se forem comandadas por gente séria, deverão tratar de forma digna seus sacerdotes para evitar que o ministério se torne um problema para eles).

Para aqueles, no entanto, que desejarem discutir e visualizar detalhes do Projeto que está nas mãos do Presidente Lula, cliquem aqui e vejam o conteúdo do mesmo.


...

Era para este que vos escreve NÃO falar sobre TV, mas a vontade falou mais alto porque tem a ver também com a sociedade e com as formas de participação na Internet e fora dela:

Enquanto na semana passada boa parte da mídia especializada em fofocas endeusava os participantes eliminados de "A Fazenda" em toda sua programação (um deles, inclusive, tem uma linda estória de vida para contar) uma silenciosa revolução se armava na Internet, forjada por blogs que vivem o dia-a-dia dos shows de realidade e que julgam não a estória de vida, mas o desempenho dos participantes no universo restrito que se forma naquela pequena biosfera.

Na semana seguinte, mesmo comportamento: da mesma forma que a mídia não conseguiu engolir até hoje as reeleições de Lula, a esfinge que a mídia quer devorar mas só o povo brasileiro decifra, boa parte dela se debruçou para tentar entender porque um bad boy como Dado Dolabela venceu "A Fazenda", e criticando bastante o resultado do programa.

Nenhum desses twitteiros, e blogueiros, e pseudopersonalidades, no entanto, ficou com tenossinovite nos dedos de tanto clicar ou mandar SMS ou telefonar para o número oficial do programa, e nem sabia que a tal Porteira de Voz era um dos números de telefone que poderia ser usado para devolver à obscuridade o polêmico ator um pouco mais pobre do que ele saiu do confinamento; como esperam então esses indivíduos que o reality show terminasse do jeito que eles queriam, com a "vitória do bonzinho" ou do "exemplo de superação", tão em moda na TV brasileira?

Por mágica?

...

Esses mesmos cidadãos que criticaram o resultado do programa deveriam se lembrar de que participação política, em qualquer lugar, deveria ser ativa, o que nos leva a falar sobre a participação política em nosso país, os #forasarney e os movimentos que servem para quase nada a não ser ocupar tempo e papel dos jornais, porque, de fato, não muda nada porque não é ATITUDE de verdade, é, pura e simplesmente, reclamação.

E, falemos a verdade: quem não entendeu a reeleição de Lula, com mensalão e tudo, não vai mesmo compreender os 83% de votos que levaram Dado à vitória no programa ...

30.10.22

Então é isso, Lula III à vista. Tragédia? Nem tanto...

Lula dizia em 2002 que não podia errar. Bom, que o "barbudo" me perdoe, mas discordo dele: agora é que ele não pode falhar, sob pena de seu nome ser jogado, definitivamente, na lata do lixo da História.

A eleição de 2022 mostrou que o Brasil está devidamente dividido entre duas vertentes do udenismo, de esquerda (petistas) e direita (bolsonaristas, ou ultradireita, ou como quiser chamar esse movimento). Há virtudes em termos estes grupos se digladiando, já que agora existe, de fato, uma disputa política democrática entre dois modelos de país, que será muito benéfica para o Brasil se jogarem fora os entulhos autoritários que estão em sua "alma".

O problema não é Lula, é a esquerda do PT, o PSOL e os movimentos sociais. O problema não está em Bolsonaro, exatamente, mas nos "minions" e na turma mais radical do bolsonarismo, que clama por um novo AI-5 (de forma tão estúpida quanto os que defendem a democracia direta venezuelana do lado vencedor).

O fato é: temos esquerda, e temos direita. Isso, apesar da cabeça quente, é muito bom.

Lula III, beleza - mas a guerra acabou? Duvido.

Pela primeira vez na História do meu país ouço fogos de um lado e xingamentos do outro num segundo turno de eleição presidencial. Lula acaba de passar Bolsonaro, e deve manter-se na dianteira - mas o terceiro turno está só começando, nos gabinetes e nas praças.

Espero que não reclamem quando os resultados do programa desenvolvimentista do novo presidente ajudarem a enfiar o país na lama.

23.5.21

O rei do café e o rei do gado: as duas elites do Brasil (texto atualíssimo)

 

Eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo,
No alto meio da grã-finage


Nisto chegou um peão
Trazendo na testa o pó da viagem
Pro garçom ele pediu uma pinga,
Que era pra rebater a friage


Levantou um almofadinha e falou pro dono
"Eu tenho má fé
Quando um caboclo que não se enxerga,
Num lugar deste vem pôr os pés.


Senhor que é o proprietário
Deve barrar a entrada de qualquer.
Principalmente, nesta ocasião,
Que está presente o rei do café"


Foi uma sarva de parmas
Gritaram viva pro fazendeiro
"Quem tem milhões de pés de cafés
Por este rico chão brasileiro?


Sua safra é uma potência
Em nosso mercado e no estrangeiro
Portanto vejam que este ambiente
Não é pra qualquer tipo rampeiro"


Com um modo bem cortês
Responde o peão pra rapaziada
"Essa riqueza não me assusta,
Topo em aposta qualquer parada


Cada pé desse café
Eu amarro um boi da minha invernada
E pra encerrar o assunto eu garanto
Que ainda me sobra uma boiada"


Foi um silêncio profundo,
O peão deixou o povo mais pasmado
Pagando a pinga com mil cruzeiro,
Disse ao garçom pra guardar o trocado


"Quem quiser meu endereço
Que não se faça de arrogado
É só chegar lá em Andradina,
E perguntar pelo rei do gado"


O rei do café e o rei do gado: as duas elites do Brasil (texto atualíssimo)

 

Eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo,
No alto meio da grã-finage

Nisto chegou um peão
Trazendo na testa o pó da viagem
Pro garçom ele pediu uma pinga,
Que era pra rebater a friage

Levantou um almofadinha e falou pro dono
"Eu tenho má fé
Quando um caboclo que não se enxerga,
Num lugar deste vem pôr os pés.

Senhor que é o proprietário
Deve barrar a entrada de qualquer.
Principalmente, nesta ocasião,
Que está presente o rei do café"

Foi uma sarva de parmas
Gritaram viva pro fazendeiro
"Quem tem milhões de pés de cafés
Por este rico chão brasileiro?

Sua safra é uma potência
Em nosso mercado e no estrangeiro
Portanto vejam que este ambiente
Não é pra qualquer tipo rampeiro"

Com um modo bem cortês
Responde o peão pra rapaziada
"Essa riqueza não me assusta,
Topo em aposta qualquer parada

Cada pé desse café
Eu amarro um boi da minha invernada
E pra encerrar o assunto eu garanto
Que ainda me sobra uma boiada"

Foi um silêncio profundo,
O peão deixou o povo mais pasmado
Pagando a pinga com mil cruzeiro,
Disse ao garçom pra guardar o trocado

"Quem quiser meu endereço
Que não se faça de arrogado
É só chegar lá em Andradina,
E perguntar pelo rei do gado"


27.1.20

Pensamento (irônico) do dia



Quando sua mulher te mandar fazer alguma coisa, dê prioridade máxima ao "serviço". Isso lhe trará uma paz imensa ao coração (e ao resto do corpo, principalmente os ouvidos).





fps, sem data





17.1.15

Brasil 1, Indonésia 0 (ou: reflexões esparsas sobre pena de morte e tráfico de drogas)

Estranho ver a reação da "brava gente brasileira" com a execução de Marco Archer, ocorrida hoje na Indonésia

Gente que defende pena de morte no Brasil para todo e qualquer crime hediondo (e mesmo os não-hediondos, como a nossa decantada corrupção) se divide entre os que apontam a Indonésia como exemplo e os que não sabem o que dizer quando veem um compatriota seu sendo enviado à morte "por tão pouco".

O mundo civilizado é contra a pena de morte, e não é por menos: não há como reverter tal punição, e nenhum pagamento em pecúnia traz de volta a vida de alguém. Nosso país, nesse contexto, age muito bem, ao endossar os tratados internacionais que regem o assunto, e que condenam essa forma de sentença.

...

(Aliás, para os desavisados: tratado internacional aprovado pelo Congresso equivale à botar o texto na Constituição, o que significa que dificilmente a pena de morte entra no nosso ordenamento jurídico).

...

Dito isso, está todo mundo cumprindo seu papel: o presidente indonésio não foi eleito para ser o queridinho do mundo, mas para satisfazer um país que acha que "traficante bom é traficante morto". O governo brasileiro, por sua vez, age corretamente, ao defender seus cidadãos e endossar a imagem de país defensor dos Direitos Humanos lá fora - embora, aqui dentro, a sociedade insista em repetir o mantra dos "direitos humanos são para humanos direitos".

Claro ... até a hora em que um dos seus aparece na linha de tiro do carrasco.

...

Marco Archer tinha cara e jeito do "bom carioca", pelos depoimentos colhidos na imprensa. Suponho que achasse que sua esperteza o salvaria, como várias vezes acontece a quem comete o mesmo delito várias vezes com sucesso. 

Cometeu, entretanto, um erro crucial: foi cometer seus crimes em um país que por vários motivos, inclusive históricos (a Indonésia sofreu muito com o tráfico na Guerra do Ópio) trata com extrema dureza o traficante de drogas - a tal ponto que é preferível ser terrorista que agir como "mula"

Moído pela prisão, tornou-se um morto vivo, que espantava aqueles que o conheceram anteriormente. Poderia ter sido solto - mas esbarrou em um governo que não quis ceder; e que, na sua intransigência, foi muito mais indigno, diante do mundo civilizado, que o governo brasileiro.

...

Quando comparo o tratamento dado a Marco Archer ao que o Brasil prestou a gente como Cesare Battisti e Ronald Biggs, confesso que sinto um pouco de orgulho de nosso ordenamento. Mesmo tendo cometido crimes graves em seus países de origem, preferimos ser clementes, atender aos apelos humanistas e evitar que fossem condenados de forma injusta, seja por ter fixado uma vida aqui, ou porque havia medo do tratamento a ser dispensado lá fora.

Criminosos como eles não eram dignos, diante da sociedade, de toda essa proteção. Mas a receberam.

Mostrando que aqui, apesar de nossa "brava gente brasileiros", há uma esperança de que sejamos civilizados de fato. 

Assim como somos de direito.

...

Aos navegantes: algumas vezes escrevo textos opinativos com links para diferentes matérias, sobre assuntos do momento, com dados que coleto aqui e ali. Esse é um deles.

"Enjoy it!". Sem moderação.

20.11.13

Que dia é hoje, mesmo?

Como ainda é 20 de novembro, lá vai: eu sou do tempo em que 19 de novembro era comemorado em sala de aula, cantando o Hino à Bandeira enquanto ouvíamos falar em "verde das matas, amarelo do sol, azul e branco do céu de anil". 

E guardei isso, ainda que fosse mentira (ao menos o verde-amarelo das cores imperiais). 

...

Hoje é Dia da Consciência Negra, meus amigos e eu foram ver o mar, o sol, a rua, o bar, e ninguém sabe quem é Zumbi ou Dandara. 

E uma grande oportunidade para discutir a discriminação racial em sala de aula foi perdida.

Mais uma vez.

...

Nada contra a data, mas feriado cívico, no Brasil, é sete de setembro. O resto é o resto.

2.11.10

Poesia, no fim do feriadão …

 

diadosaci

feriado louco:

 

eleições que viraram finados,

os vivos brigando pelo espólio dos mortos,

uns chamando os outros de demônios,

ou bruxas, e outros falando de vampiros,

e ninguém sabendo de fato quem é quem nessa baderna.

 

e, enquanto isso,

os reformados lembram de novo a batalha de lutero.

 

mas, que ironia:

 

31 de outubro deveria ser o dia do evangélico,

mas, tal e qual a padroeira que virou criança de brincadeira

 

esse dia vai acabar mesmo é virando

um imenso ralouim com macaxeira ...

 

fps, 02/12/2010, 19:31

29.10.09

Procurando carro para a família?

Quer um carro espaçoso, confortável e no qual caiba tudo o que você precisa? Não sei qual é o carro que você compraria no Brasil, mas se estivesse no Japão eu compraria este aqui do vídeo:



Eu não entendi nada do que eles disseram, mas se o Ultraman e a sua família garantem que ele é bom, quem sou eu pra duvidar disso? (rs)