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2.6.24

Filhos, filhos, melhor tê-los... e entender como criá-los: (mais) observações após uma aula de Escola Dominical

Ah, o mundo ideal, em que pais querem que seus filhos sejam exemplos de virtude... crianças submetidas a ideologias que constantemente atacam valores seculares, somada à falta de tempo dos pais para resolver problemas pequenos (e grandes) de toda natureza...

Eis o mundo doido em que vivemos, nos quais pais analógicos ficam atônitos com a velocidade da vida digital, que não podem controlar (até porque tempo é matéria escassa numa sociedade na qual garantir a sobrevivência é mais urgente que vigiar a prole). 

Aliás, talvez seja por isso se dê tanto valor aos livros como diversão de qualidade - mesmo que a literatura produzida hoje em dia seja bem diferente das "Coleções Vagalume" com a qual os brasileiros da Geração X foram alfabetizados.

...

Para desespero de alguns mãe (e pai) é cargo "ad eternum", quem recebeu o título vai permanecer nesse status a vida toda, seja através de um papel mais ativo ou numa função de suporte. Ninguém garante, porém, que os pais não entrarão em campo para assumir responsabilidades quando for necessário - posto que a vida é uma senhora que tem jeito de moleca, pregando-nos peças o tempo todo.

Ser pai e mãe é extremamente desgastante, a tal ponto que cresce nas novas gerações não querem mais assumir tal encargo (o que é natural num mundo cada vez mais dominado pela valorização do que é externo, do "viver novas experiências", e do trabalho-videogame, em que se ganha um salário de miséria para cumprir oito, nove, dez horas de dedicação praticamente integral a uma corporação). Quem reclama demais de ter filhos, contudo, não pode chorar depois porque os netos demoram a aparecer - pois incutiu nos fedelhos do passado um veneno: a ideia de que ter família é algo ruim.

...

"Você vai ver quando chegar a sua vez..."

"Pois é, mãe - liguei as trompas. Não quero esse transtorno pra mim".

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Mulheres estressadas, culpadas por não ser como suas mães; pais omissos, às vezes acuados, sem saber o que fazer - ou qual o jeito certo de fazer (sem falar nos que não tem interesse em aprender). "Coaches" tentando mostrar o jeito certo de cuidar de filhos, ensinando aquelas receitas maravilhosas que darão um trabalho imenso - e que serão rejeitadas em favor do cachorro-quente ou da linguiça sem chimichurri, que são gostosas principalmente por não fazer parte da dieta cotidiana das crianças.

Um cenário de tragédia, que seria fácil de se entender caso admitíssemos o básico: nossas mães e avós não eram perfeitas, nem se sentiam na obrigação de que tudo funcionasse como um relógio - e nenhum aspecto da vida do ser humano funciona 100% do tempo como se espera.

Famílias não são perfeitas, porque não somos perfeitos: é difícil admitir esse pressuposto?

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Por semelhante modo não se pode educar filhos para ser o que você não é. Pais que não vivam o cristianismo no dia a dia não conseguirão incutir princípios neles, até porque autoridade formal é diferente de ter o controle da situação.

Se você tem que se impor dizendo que manda, desculpe, mas não estás no comando. Eis um fato.

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Voltando ao pressuposto de que no passado era melhor... a vida do passado não era melhor do que a de hoje. Nossos pais tinham medo das más companhias, os avós casavam os filhos cedo para evitar que se perdessem na vida (até hoje isso acontece, o Brasil é um dos países que mais estimula tal prática).

Nem podemos dizer que a educação piorou, se querem saber: criamos o ECA por causa de pais que se excediam nas agressões a seus filhos, com os piores métodos possíveis. Os que foram edificados sob a "palmada pedagógica" tiveram pais que lutavam para sobreviver e tinham amor pelos seus filhos; eram gente que ensinava em amor, embora com os métodos da ignorância - e seus exemplos eram tão (ou mais) relevantes que a dor da palmada, e o medo advindo dela.

...

Fato: aquele que não tiver Deus no controle de suas ações dificilmente conduzirá seus filhos no caminho do Senhor - ainda que, no fundo, não possa garantir que estes não sejam seduzidos pelos frutos da ideologia deste século. Você planta sementes, Deus proporciona o crescimento.

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Voltando às redes sociais e à influência tecnológica: é polêmico o que este escriba vai afirmar, mas grandes corporações de mídia, dominadas por pessoas que se sentem oprimidas pelo ordenamento social trazido pelo Evangelho, atacam muito mais a sociedade cristã que "youtubers" e "tiktokers" que dependem da aprovação dos pais para monetizar seus conteúdos. Casais não-convencionais, por outro lado, criam bons cidadãos, e a sociedade atual (amante do alternativo) está sempre disposta a mostrar os podres dos conservadores - e as virtudes do lado liberal da força.  

Se há um bom conselho a dar sobre esse tema, é o seguinte: tema mais o "pink money" e os que impõem sua cultura pagando bem aos donos da opinião, que o amador que procura a sobrevivência, monetizando-se com seus "likes".

Ademais, lembre-se de que o objetivo da educação cristã dos filhos não pode ser simplesmente torná-los em crianças bem comportadas. Afinal de contas, quem vê cara não vê coração...

...e muitas vezes o vilão do desenho tem mais cara de herói que os verdadeiros salvadores da pátria.


P. S.: Sobre as imagens que ilustram o texto, são de personagens um desenho "dos bons tempos" do Cartoon: KND - A turma do bairro. Vendo-os dá para entender porque as aparências enganam...

P. S. II: Bluey: melhor desenho para entender a época atual entre pais e filhos (ah, como eu queria que os pastores que conheço avaliassem essa série... ainda voltarei ao assunto).

20.8.23

Mais comentários a respeito do "restaurante nota 7.5"...

Fiz o texto sobre o "restaurante nota 7.5", aquele que, na opinião dos nativos, é o que traz a melhor comida (e não atendimento, ambiente ou outros benefícios e frufrus). De lá para cá, me vieram muitas ideias à cabeça, e como estou inspirado, descansado e bem alimentado, seguem algumas coisas que gostaria de ter escrito antes - mas que a falta de vitamina B12 me fez esquecer, ou nem lembrar de digitar a respeito. 

Sendo assim, lá vai a lista:

...

Começando pelos shoppings: dá para comer coisa gostosa e barata nas praças de alimentação? É evidente que sim, mas nunca se esqueça de que "fast food" é padronização - de processos, métodos e temperos, o que significa que toda comida de grande rede terá a mesma "cara", salvo se for consumida num quilo ou for de um quiosque/unidade que você nunca tiver visto na vida. 

Ainda assim, neste caso, vale a regra de ouro: equilibrar bom preço e boa comida. Menos frescuras, o básico bem feito - e sabor proporcional ao que se vai pagar pela refeição. 


Já que falamos de "fast food", é inevitável citar a rede dos arcos dourados, aquela que começa com M e termina com o nome de um famoso pato. Ela, e seu concorrente de brasileiro (que só não se chama "rei do hambúrguer" porque tudo fica mais chique em inglês) faz lanches que são um poço de gorduras, padronizados ao extremo - mas fundamentais quando se está num lugar de hábitos esquisitos, nos quais você não tem a mínima ideia de como se faz o prato do dia, ou do que vem nele.

Está num lugar como Índia, Bangladesh, tem medo de sopa de morcego sino-tailandesa, ou chegou a um beco no qual só tem espetinho de gato, ovo colorido e refrigerante PonChic? Encare o perigo, provando que seu estômago é de titânio, ou corra para uma das grandes redes - e salve sua pele.

...

Comida vegetariana caseira? Se existir, o dono é adventista - o que significa que não funcionará aos sábados, dia em que os do Sétimo Dia cuidam das coisas de Deus, e apenas disso.

Quanto à comida, abstraia os pratos de imitação (como a feijoada vegetariana, na qual couve de Bruxelas imita bacon) e aproveite o sabor de refeições boas para o bolso, o estômago e o corpo.

...

Fuja (repito, FUJA) de filas com gente chique demais, ou cheia de caras e bocas, ou que tire "selfie" o tempo todo; neste último caso, aliás, fique longe para que não afanem o seu celular também, pois quem saca aparelho para fazer foto no meio da rua está praticamente doando o aparelho para o alheio.

...

O oposto disso é a fila do Bom Prato, ou dos restaurantes populares subsidiados pelos órgãos públicos. Estes são garantia de comida barata a preços módicos, que atende muito bem aos que não podem pagar quase nada por uma refeição decente, com arroz, feijão, salada, um suco e sobremesa.

Se não tiver frescura, vá - ou ceda sua vez para um necessitado, já que as refeições tem número fixo.

...

Como deu preguiça de escrever mais, fico por aqui. 

Antes, porém, pergunto a vocês: que tipo de conselhos vocês dariam a quem quer procurar o restaurante ideal, de comida barata e preço bom? Escreva nos comentários, me ajudando - e contribuindo para que, talvez, esse texto do restaurante 7.5 tenha uma terceira parte... até breve.  

13.2.20

Poesia: Dor imposta


Como não chorar, 


quando, 


mesmo nas vitórias,


nada funciona?





Como não sentir o peso da evidência?





Como não sentir a falta de estabilidade,


e a dor que isso traz?





"Mãe, já resolvi..." - isso basta?





NÃO!





Não basta, não rola, não ajuda, não espera.





Que esperas de mim, ó insana?


Que queres tu deste ser absolutamente patético que te cerca?





Queres que eu definhe, que eu feche meu sorriso, que eu me esconda?





Queres que eu me sinta destruído por dentro?


Que isso se reflita por fora?





Queres que eu morra, é?





QUERES QUE EU MORRA?????????





AAAAAAAAaaaaaAAAaaaaaAAAAAAaaaaa...








Assume que eu sou teu, ou me mata.


Ao menos dentro de ti.








fps, 14/12, 11:03

Poesia: Dor imposta

Como não chorar, 
quando, 
mesmo nas vitórias,
nada funciona?

Como não sentir o peso da evidência?

Como não sentir a falta de estabilidade,
e a dor que isso traz?

"Mãe, já resolvi..." - isso basta?

NÃO!

Não basta, não rola, não ajuda, não espera.

Que esperas de mim, ó insana?
Que queres tu deste ser absolutamente patético que te cerca?

Queres que eu definhe, que eu feche meu sorriso, que eu me esconda?

Queres que eu me sinta destruído por dentro?
Que isso se reflita por fora?

Queres que eu morra, é?

QUERES QUE EU MORRA?????????

AAAAAAAAaaaaaAAAaaaaaAAAAAAaaaaa...


Assume que eu sou teu, ou me mata.
Ao menos dentro de ti.


fps, 14/12, 11:03

Poesia: Dor imposta

Como não chorar, 
quando, 
mesmo nas vitórias,
nada funciona?

Como não sentir o peso da evidência?

Como não sentir a falta de estabilidade,
e a dor que isso traz?

"Mãe, já resolvi..." - isso basta?

NÃO!

Não basta, não rola, não ajuda, não espera.

Que esperas de mim, ó insana?
Que queres tu deste ser absolutamente patético que te cerca?

Queres que eu definhe, que eu feche meu sorriso, que eu me esconda?

Queres que eu me sinta destruído por dentro?
Que isso se reflita por fora?

Queres que eu morra, é?

QUERES QUE EU MORRA?????????

AAAAAAAAaaaaaAAAaaaaaAAAAAAaaaaa...


Assume que eu sou teu, ou me mata.
Ao menos dentro de ti.


fps, 14/12, 11:03

10.1.19

Poesia: Que vontade...



Vontade de dizer "te amo", numa tarde quente... 

... podia ser à beira mar, ou na mesa do bar, 
ou tomando café, ou uma Coca (pois é!).

De fazer poesia, beber soda fria... 
... cerveja gelada, geladíssima, puríssima...

- Com o nosso chaveirinho do lado? 

- Sim, com ela do lado... sorrindo adoidado, fazendo festa.



Dormir, e sonhar, e acordar...
... com uma voz gostosa, fina e singela, dizendo:

"Oi, Bem..."

fps, 11/05, 14:45

22.10.18

Poesia: Sonho de um domingo pré-horário de verão



Sonho de um domingo pré-horário de verão

Acordo, suado,
pensando besteira,
falando bobeira,
querendo te amar.

Permaneço insone.

A noite, percebo,
é fria, gostosa,
a cama me chama,
mas esse luar...

Permaneço insone.

O sono me toma.
O sangue me ferve.
O frio é gostoso,
mas o meu sonhar...

... aceso me faz.

Devo dormir. 
Sonhar.
Contigo.
É o que me resta.

Mas vai demorar.

fps, 22/10/2018, 00:06

8.6.18

Sobre Anthony Bourdain

27.10.17

Reflexões MUITO atrasadas sobre o homem nu e a criança...





Sim, porque o que teve de babaquice sendo escrita para justificar essa obra não estava no mapa... 

...

"Ah, mas na época da loira do Tchan ninguém reclamava" ... amigo, pai que era pai naquela época mandava desligar a TV ASSIM QUE CHEGAVA a baixaria da "Companhia do Pagode", sem choro, nem vela. A classificação indicativa foi regulamentada justamente para mandar essa baixaria para os horários mais distantes, no domingo. 


Só sobrou, de fato, o "Cine Privé", devidamente encerrado quando o XVideos se tornou mais interessante para os adolescentes que a n-ésima reprise de "Emmanuelle" - que já estava bem gasta. 

...

"Ah, mas os índios andam nus..." 

... gente, tenha dó. Hoje nenhum índio aculturado anda pelado sempre - e ainda assim só o pessoal da FUNAI acha isso uma coisa perfeitamente normal.

...

"Ah, mas as praias de nudismo..." 

... que tem fiscalização pesada, de todos, e onde homem solteiro não entra em área de família. NUNCA.

... 

"Ah, mas é arte..." 

Bom, essa todo mundo já falou. E, convenhamos, dá para concordar: é arte. 

PÉSSIMA, mas arte.

...

Defender manifestação artística escrota (como essa, e os macaquinhos, e outras do gênero) é tão esquisito quanto botar uma foto com dois bebês para ilustrar uma crítica do gênero.

3.8.16

A abertura da Olimpíada e a cisma em querermos vender ao mundo um Brasil que não existe

Este que vos escreve tem como "hobby" - na verdade, obsessão - ler e pensar sobre o mundo que o cerca, até porque a reflexão nos mantém protegidos da estupidez que assola o mundo. Em uma dessas andanças, me deparo com essa explicação, que Pedro Doria deu a respeito da polêmica envolvendo Gisele Bundchen e o assaltante-ambulante na abertura da Olimpíada de 2016:

"Quem assistiu ao ensaio da cerimônia de abertura das Olimpíadas tomou um susto. À distância, incorporando a aura da garota de Ipanema, Gisele Bundchen parecia ser assaltada por um menino negro para, ao fim, ser salva por policiais militares. O Comitê Rio 2016 rapidamente se manifestou. Mal entendido: não se tratava de um pivete mas de um camelô e a garota Bundchen apenas achava que era assalto.

A jornalista Flávia Oliveira é quem melhor articulou o problema. Camelôs vêm de uma tradição colonial. Os escravos urbanos eram enviados por seus senhores à rua para, ambulantes, vender comidas. Depois, libertos e sem estrutura, vendiam o que dava na mesma rua para sobreviver. A moça alta, bela e branca que se assusta com o ambulante negro está reencenando uma história perversamente brasileira. Reforçando um estereótipo, estimulando preconceito."
Descontando-se o fato de que o preconceito não vai acabar por decreto, ou porque retiramos toda menção a ele da mídia, me pus a pensar sobre a falta de bom senso que o politicamente correto de tirar uma nesga de realidade da abertura dos Jogos. Afinal, só no Brasil o pessoal consegue sentir vergonha quando falamos na figura do camelô, ou do ambulante - que é alguém que trabalha, e duro, para garantir sua subsistência (aliás, poucos sabem que escravo podia abrir conta-poupança, a fim de comprar sua carta de alforria ... e muitos compravam sua liberdade com os trabalhos extras feitos nas ruas como "negro de ganho").

Além disso, devemos fingir que a realidade não existe, é 'rosinha', politicamente correta, e ninguém se assusta com a chegada de um suspeito na rua - e dá risada quando descobre que não é nada disso? Ou deveríamos admitir que isso é uma verdade, ainda que inconveniente?

Quando queremos mascarar a realidade demais, declarando que ela não existe e mostrando algo diferente, ela nos soa falsa. Não dá credibilidade. Fica parecendo propaganda de ditadura.

E, observem: só nos países ditatoriais tudo funciona às mil maravilhas. Cingapura, onde o indivíduo insiste em te vender a imagem de um país perfeito mas no qual se vê o medo no olhar do estrangeiro; Azerbaijão, que estampa imagens de 'muito bem, Baku' em um GP que não tem patrocínio nenhum; Coreia do Norte, onde o sistema é tão puxa saco que ninguém percebe o ridículo que é cantar 'longa vida ao ditador' o tempo todo.

A realidade brasileira é dura, cruel - e o seu estereótipo é a verdade. Perdemos uma boa chance de discutir isso, ao invés de fingir que isso não existe, no bom estilo 1964.

Aliás, não era a ditadura que inventava um país que não existe, pelas mãos de uma mídia que fingia que estava tudo bem, enquanto o povo, via de regra, ia mal?

...

Pedro Doria disse que esse é "o preço de desconhecer a História". Eu, porém, vos digo: muito pior é tentar inventar uma História que não existe, para transformar vergonha em orgulho e vice-versa.

Isso porque o povo percebe que algo não está certo. E repudia o que não aceita.


28.5.16

Século XIX ...


Não tenho pena de "mané". 

Homem que vai para baile funk, via de regra, procura farra do pior tipo - bebida, drogas, sexo, "zueira". Se há quem se meta a currar uma garota que está fora de si, também deve assumir a responsabilidade (e a pena) de quem vive em uma terra onde a navalha do chefe é a lei.

...

Notícias dão conta que o dono do morro onde aconteceu o estupro coletivo mandou matar os 33. Foi mais rápido que o devido processo legal, que não encontrou provas suficientes do crime.

Foi, também, no ritmo ideal de sites como o "Sensacionalista" e outros, para os quais, em tese, bastaria a palavra da mulher para comprovar o estupro. Sem processo, sem coleta de evidências, sem nada que pudesse realmente desenhar o que ocorreu naquele dia.

Foi, também, aquilo que sítios como o Dr. Pepper insinuaram que deveria ser feito - e melhor até do que o Bolsonaro, aquele da castração química e da pena de morte para estuprador, teria feito.

...

O morro não tem papo. Atrapalha os negócios? Tchau.

Desse ponto de vista, dá para entender porque o traficante está sendo tão rápido. Muita polícia, entrando e saindo, atrapalha o "core business", a venda da droga.

Se alguém me atrapalha, eu tiro do caminho. Como nos tempos dos feudos, em que o soberano mandava na vida de todo mundo que lá estava.

Inclusive com direito à virgindade das esposas, tratadas como propriedade preciosa.

...

Alguém falou a este escriba que a nossa cultura em relação às mulheres refletia "uma mentalidade de século XIX". Bom, naquele tempo a honra das mulheres se confundia com o hímem intacto, e não se concebia uma mulher ter relações sexuais com outro homem que não seu marido.

Era um tempo, aliás, no qual sexo era "uma coisa suja", que mulher decente não fazia por vontade. Não vamos nos esquecer, há muitos relatos daquela época nos quais o verdadeiro amor não se encontrava nas casas de bem, mas nas ruas, com as "vadias". Algumas eram, inclusive, tidas e mantidas pelos de posses (as "teúdas e manteúdas", dos tempos de Tieta do Agreste).

Violar a honra de uma mulher era punido de foram severa, e a mera insinuação de que uma donzela tinha perdido "seu bem mais precioso" era motivo para um duelo. Deflorar uma virgem era motivo para que existisse o desejo de vingança, pelos parentes das vítimas, porque a mulher se reduzia, na época, a mero instrumento de procriação.

Supostos estupros, então, eram motivo para que o estuprador casasse com a vítima - ou encarar cadeia, talvez morte. 

...

Hoje, criminosos tratam estupradores como "mulherzinhas da cadeia", porque tem mães e filhas. Não aceitam que não respeite mulher, em uma mistura de humanidade com brutalidade que impressiona.

São mais rápidos que o Direito: este precisa de um procedimento, e de provas verdadeiras, para punir os culpados - geralmente com reclusão, que, para muitos, "não funciona", porque "pau que nasce torto não tem jeito".

Morre torto, nas mãos de criminosos que não tem o mínimo respeito por "processo penal".

...
A internet, em breve, estará vingada: os estupradores estão jurados de morte. Talvez isso possa ser um paradigma para que a "cultura do estupro" enfim seja combatida.

Ou não, porque o linchamento virtual continua à solta. Já há muitos que citam opressões na música, nas artes, que estas influenciam o "status quo" vigente - omo se tais coisas não mostrassem a realidade, da banalização extremada do sexo.

Que já existia há muito tempo - e está sendo combatida do pior jeito possível, tornando tudo isso em "opressão".

...

Caminhamos rapidamente para o século XIX em pleno século XXI - e, o que é pior, sem flerte, porque em breve isso será proibido nas relações entre gêneros.

Mas os estupradores continuarão por aí, firmes e fortes. E, com eles, o medo.

E a paranoia.


21.5.16

Precisamos mesmo de um Ministério da Cultura? Ou os artistas mimados podem viver sem o nosso dinheiro?


Cultura vai, Cultura vem, volta a ser Ministério.

Ciência e Tecnologia já foi da Indústria e Comércio. Hoje, é das Comunicações, não sei por que.

Reforma Agrária era Ministério, virou secretaria, talvez volte. 

Pesca já foi tarde, Igualdade Racial foi (e deixou de ser). 

Até AGU tinha esse status. E, agora, perdeu.

...



Políticas para as Mulheres, Cidadania, Direitos Humanos, e até Banco Central e CGU tinham ministros (embora fossem, de fato, secretarias especiais, "de porcaria nenhuma", para atender a grupos específicos e dar a seus ocupantes foro privilegiado).

Já foram 26, o governo petista subiu para 39, e agora, serão 24, com a volta da Cultura ao "primeiro time". Seria leviano dizer que é desperdício ter tanto Ministério - mas não deixa de ser frustrante perceber que todos querem reduzir a máquina pública, desde que não mexa no seu quinhão.

...

Criam-se pastas ministeriais no Brasil para dizer que se está dando atenção a uma determinada área do governo. Dilma Rousseff, diga-se de passagem, sonhava com 18 ministérios (um a mais do que os 17 prédios da Esplanada), mas nunca conseguiu levar isso adiante - assim como Michel Temer.

Tal ocorre, aliás, por um singelo motivo: os "queridinhos de plantão" sempre acham que é a SUA área que merece ser privilegiada com um Ministério-de-Qualquer-Coisa, um ministro (com os privilégios) e um naco do orçamento separado para os seus projetos.

Um afago no ego tremendo, uma prova de que a área está tendo algum valor. 

Mas só na teoria. Porque, na prática, o que acontece é um tremendo desperdício.



...

O problema de se achar que todas as áreas possíveis merecem um Ministério é que ninguém consegue garantir que suas demandas serão atendidas do jeito certo, principalmente porque os cargos de primeiro escalão são indicados em 99% dos casos por critérios políticos

Em tese é muito melhor ter um ministro político, coordenando a área, e secretarias executivas com técnicos que saibam o que estão fazendo - além de áreas administrativas conjuntas (o mesmo motorista dando apoio à Educação e Cultura, por exemplo). 

Otimização de recursos, que a iniciativa privada conhece tão bem - e que o Estado costuma desprezar, porque cada um acha que a sua área é importante, e merece um Ministro para ser o seu "aspone".

...

Cultura voltará a ser Ministério, na terça (isso se o Temer não recuar de novo do recuo). Entretanto, as políticas culturais não serão mais valorizadas por causa disso - assim como a Secretaria de Direitos Humanos não será menor por ser secretaria, mas por ter uma pessoa do gabarito de Flávia Piovesan no seu comando (talvez uma das poucas que pode bater de frente com Alexandre de Moraes).

"- Mas temos um Ministro da Cultura!!!!"

Grande coisa ...  

... de que adianta ter um Ministério se o povo achar que todo artista é um mimado, que só quer mamar nas tetas gordas do governo, gastando o nosso dinheiro em coisas sem sentido algum?

27.6.15

Casamento gay: direitos não são respeito






A decisão da Suprema Corte americana não tornará o mundo mais tolerante, nem mais seguro para os homossexuais, militantes ou não. 

Gays já se amasiavam, e continuarão "casando" e "se descasando", já que, em tese, basta querer viver em comunhão com alguém para que isso seja um casamento. De fato, não de direito.

Que, aliás, é o que estava em jogo, mais do que o amor entre iguais: o direito de homossexuais se casarem envolve a vontade de ser cidadão pleno. 

Trata-se de ser aceito pela sociedade, sem ressalvas. O que, convenhamos, não é pouca coisa.

...

Curiosamente, o direito a se casar e ter família é, na prática, a vontade de ser conservador, igual aos seus pais, que tinham casa com lareira, carro na garagem, cachorro e dois filhos - o sonho de classe média, típico dos americanos e dos países na sua órbita de influência. Mesmo que o carro seja elétrico, o cachorro seja um poodle toy e os filhos tenham sido adotados no Vietnam, porque "Brangelina" fizeram isso e eles acharam "show", o fato é que muitos dos que foram ousados no passado querem simplesmente ser iguais aos demais cidadãos, ter uma vida "normal", comum, menos cheia de doideiras e mais pé-no-chão.

Direito de quem está amadurecendo, e, também, envelhecendo. Mas que exige mais do que berrar por direitos, ao menos em uma sociedade conservadora - e familiar - como a nossa.

...

Os evangélicos se tornaram a bucha de canhão da sociedade conservadora, no Brasil e no mundo. São eles que clamam pela manutenção da família em seu formato padrão - homem, mulher e filhos. 

Tal como Deus criou. 

Como ELE determinou.

Entretanto, embora sejam a face visível do esperneio social, os cristãos protestantes não estão sozinhos nesta empreitada. Há uma sociedade, que não está organizada o suficiente, que os apoia de forma enrustida - e que se levanta quando, por exemplo, os Planos de Educação brasileiros dizem que há mais modelos de família do que o tradicional.

E, engraçado, os movimentos gays culpam os evangélicos por essa e outras "derrotas" - esquecendo-se de que, muitas vezes, são as famílias que se levantam contra a igualdade. No caso específico da educação, foram os pais de alunos, nos municípios, que barraram a implementação do plano do Governo Federal.


...

Mudanças na sociedade serão inevitáveis. É parte da vida, e do fluxo de concessão de direitos no mundo.

Entretanto, se eu tivesse um conselho a dar para todos os que comemoram hoje, seria: cuidado com a ressaca. Os progressistas ganharam direitos, lograram grandes vitórias, mas não pela vontade do povo (já que, seja no Brasil ou nos EUA, nenhum Congresso aprovaria tamanha revolução nos costumes, ainda mais com a crescente onda conservadora que assola o mundo na atualidade). 

Revoluções de gabinete são boas - e, nesse caso, até necessárias. Mas são como árvores hidropônicas, plantadas na água; se não tiverem terra, ou fundamentos sólidos, podem morrer muito facilmente. 

E, do nada, direitos podem sumir. Seja aqui, ou lá.

Duvidam?

25.4.11

Poesia

marilyn_monroe_misfits01

prefiro

a realidade de amar-te

que qualquer sonho

que tentam me enfiar goela abaixo;

 

casa bonita,

carro do ano,

emprego perfeito,

vida de comercial de margarina,

 

tipo assim,

 

sorriso perfeito,

colgate,

sinistro,

no seu branco inexistente.

 

prefiro

tua tez doce e gostosa,

teu choro contido,

 

teu abraço, beijinho,

teu beijo molhado,

que se torna logo em

mais um beijo, e outro,

 

de tensão controlada,

tornada explosão.

  

abraço,

beijo,

intensidade,

fúria,

gozo,

volúpia,

 

tesão.

  

por isso prefiro

o presente ao futuro.

  

fps, 24/10/2010, 19:59

20.8.10

Poesia

espetinho
 
Boteco numa tarde de calor

Silêncio ...

Incomum para um boteco,
no momento em que todos sairam do almoço
e ainda não chegaram os que à noite
farão a festa daquela casa,
e do seu dono.

E sentado, diante do caixa,
como quem não quer nada,
o empregado solitário sonha ...


E com o que sonharia?
 
Com uma musa,
a mulher amada?
 
Ou com a gostosa da esquina?
 
Quem sabe,
com tempos melhores
para si e para o povo?
 
Talvez …
 
Com a queda da bolsa?
 
Ou então a subida do dólar?
 
Se bem que isso, na verdade,
traz mais é pesadelos
a quem tem dinheiro investido.
 
Bem, com o que ele sonha, eu não sei,
mas ele não está aqui para isso,
logo ...
 
 
 


... ACORDA, MEU !!!
 
´Tá pensando que a vida é doce, é?

 
fps, 20/08/2010, 16:10

1.2.10

Poesia (do Olho Clínico original)



Bela, faceira, dengosa, gostosa -
todos os adjetivos lhe cabiam bem.

Mas não era para qualquer um que ela se daria.

Então, ele a conheceu.

Dela se utilizou, abusou, gostou, amou -
e enfim, a desgraçou.

E, sem escolha, foi para a vida,
que de bom grado a acolheu.

E amou, mas sem amor;
gozou, mas sem prazer;
viveu, querendo morrer.

E então, outro "ele" passou.

Amou, sonhou, desejou,
com ela se casou.

Hoje, ela vive feliz, em contrato comum:
ele, ela, e o Ricardo,
que da história só fez parte no final.

FPS, 21/06/2004, 15:32

20.9.09

Prosa

A primeira carta
“São Paulo, 7 de setembro de 1.995.
Querido amigo, quantas saudades !
Às vezes penso que é como se o mundo acabasse. Sinto como se a minha vida fosse uma grande ilusão - sim, uma grande ilusão, feita de sonhos e desejos cuja vontade é infinita, mas irrealizável, que vive pela pessoa amada e que nela é realizada, que está longe dela pensando em estar perto, que é essa poderosa dor tão gostosa chamada amor.
Será que ele me ama?
Acredito do fundo do meu ser que sim - ele é dócil, bonito e dono de um olhar irresistível, mas também acho que ele pode ser rude e insensível às vezes.
Oh, meu doce amigo, meu sonho, minha ilusão, venha logo me amar de uma vez e esquecer o tempo que já passou! Dá-me as forças para perceber que meu sonho pode ser real, que nada pode me separar de ti, e que o amor sempre poderá ser eterno, sempre, sempre, sempre ...
Digo ... 
Por que será que o amor é tão difícil de ser alcançado ? Por que vivemos tanto, tanto tempo de um tal jeito que ninguém sabe porque, nem como sente, para depois nos desiludirmos e sentirmos a vida perder o sentido ...
... por tão pouco ?
Sinceramente, hoje estou tão sofrida que nada poderia me animar.
Um beijo?
Talvez, desde que fosse da pessoa amada, que está longe.
Sei que haverão problemas, e que serão muitos.
Mas, enquanto isso, vou vivendo minha vida querendo reconquistar a felicidade, esse todo feito de partes tão unidas em conjunto quanto separadas em sua essência.
Beijos."

10.8.09

Prosa


Reminiscências das Gerais

Fazia muito tempo que não vinha à casa, casa de recordações e sonhos, dos meus pais e minha, onde guardava as lembranças de doces momentos vividos que se romperam bruscamente quando fui para a grande cidade.

Tempos de doces e compotas, de queijos, vacas pastando, dias claros e noites escuras, ruído de grilos, cocoricós e muuus em sintonia perfeita com o mato, que crescia e verdejava, da represa e dos peixes, e das comidas gostosas e saudáveis da mamãe.

Lembrava-se dos pais acordando cedinho, "com as galinhas", para cuidar de tudo - do cafezinho puro, dos pães de queijo e das quitandas, e sentia-se feliz.

Um dia a vida a levou para novos ares, da grande cidade com seus sonhos e ilusões, e suas perspectivas de grandeza; que se diga que a labuta do campo é severa, e cobra seu preço de todos, no embrutecimento do corpo e da alma, e nas ilusões perdidas entre sonhos de pequenos luxos e de uma vida melhor, qual seja ela.

Mas na hora em que reviu a casa, se viu novamente criança - e, de novo, desabrochou a saudade e a vontade de sentir, ainda que fosse por pouco tempo, os gostos e sentidos dos seus tempos de menina-moça, criança, provando que, em definitivo, todos nós sentimos mesmo é saudade de nós mesmos, e de um tempo, que um dia existiu.


Dedicado especialmente à ECCS, que eu chamo também de "minha doce e querida esposa".

FPS, 06/05/05, 16:27

11.7.09

Para descontrair um pouco

Regras do futebol de rua
1. A BOLA
A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do irmão menor.

2. O GOL
O gol pode ser feito com o que estiver à mão: tijolos, paralelepípedos, camisas emboladas, chinelos, os livros da escola e até o seu irmão menor.

3. O CAMPO
O campo pode ser só até o fio da calçada, calçada e rua, rua e a calçada do outro lado e, nos clássicos, o quarteirão inteiro.

4. DURAÇÃO DO JOGO
O jogo normalmente vira 5 e termina 10, pode durar até a mãe do dono da bola chamar ou escurecer. Nos jogos noturnos, até alguém da vizinhança ameaçar chamar a polícia.

5. FORMAÇÃO DOS TIMES
Varia de 3 a 70 jogadores de cada lado. Ruim vai para o gol. Perneta joga na ponta, esquerda ou a direita, dependendo da perna que faltar. De óculos é meia-armador, para evitar os choques. Gordo é beque.

6. O JUIZ
Não tem juiz.

7. AS INTERRUPÇÕES
No futebol de rua, a partida só pode ser paralisada em 3 eventualidades:

a) Se a bola entrar por uma janela. Neste caso os jogadores devem esperar 10 minutos pela devolução voluntária da bola. Se isso não ocorrer, os jogadores devem designar voluntários para bater na porta da casa e solicitar a devolução, primeiro com bons modos e depois com ameaças de depredação.
b) Quando passar na rua qualquer garota gostosa.
c) Quando passarem veículos pesados. De ônibus para cima. Bicicletas e Fusquinhas podem ser chutados junto com a bola e, se entrar, é Gol.

8. AS SUBSTITUIÇÕES
São permitidas substituições no caso de um jogador ser carregado para casa pela orelha para fazer lição ou em caso de atropelamento.

9. AS PENALIDADES
A única falta prevista nas regras do futebol de rua é atirar o adversário dentro do bueiro.

10. A JUSTIÇA ESPORTIVA
Os casos de litígio serão resolvidos na porrada.
 
(por email)