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26.12.24
2.6.24
Filhos, filhos, melhor tê-los... e entender como criá-los: (mais) observações após uma aula de Escola Dominical
Ah, o mundo ideal, em que pais querem que seus filhos sejam exemplos de virtude... crianças submetidas a ideologias que constantemente atacam valores seculares, somada à falta de tempo dos pais para resolver problemas pequenos (e grandes) de toda natureza...
Eis o mundo doido em que vivemos, nos quais pais analógicos ficam atônitos com a velocidade da vida digital, que não podem controlar (até porque tempo é matéria escassa numa sociedade na qual garantir a sobrevivência é mais urgente que vigiar a prole).
Aliás, talvez seja por isso se dê tanto valor aos livros como diversão de qualidade - mesmo que a literatura produzida hoje em dia seja bem diferente das "Coleções Vagalume" com a qual os brasileiros da Geração X foram alfabetizados.
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Para desespero de alguns mãe (e pai) é cargo "ad eternum", quem recebeu o título vai permanecer nesse status a vida toda, seja através de um papel mais ativo ou numa função de suporte. Ninguém garante, porém, que os pais não entrarão em campo para assumir responsabilidades quando for necessário - posto que a vida é uma senhora que tem jeito de moleca, pregando-nos peças o tempo todo.
Ser pai e mãe é extremamente desgastante, a tal ponto que cresce nas novas gerações não querem mais assumir tal encargo (o que é natural num mundo cada vez mais dominado pela valorização do que é externo, do "viver novas experiências", e do trabalho-videogame, em que se ganha um salário de miséria para cumprir oito, nove, dez horas de dedicação praticamente integral a uma corporação). Quem reclama demais de ter filhos, contudo, não pode chorar depois porque os netos demoram a aparecer - pois incutiu nos fedelhos do passado um veneno: a ideia de que ter família é algo ruim.
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"Você vai ver quando chegar a sua vez..."
"Pois é, mãe - liguei as trompas. Não quero esse transtorno pra mim".
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Mulheres estressadas, culpadas por não ser como suas mães; pais omissos, às vezes acuados, sem saber o que fazer - ou qual o jeito certo de fazer (sem falar nos que não tem interesse em aprender). "Coaches" tentando mostrar o jeito certo de cuidar de filhos, ensinando aquelas receitas maravilhosas que darão um trabalho imenso - e que serão rejeitadas em favor do cachorro-quente ou da linguiça sem chimichurri, que são gostosas principalmente por não fazer parte da dieta cotidiana das crianças.
Um cenário de tragédia, que seria fácil de se entender caso admitíssemos o básico: nossas mães e avós não eram perfeitas, nem se sentiam na obrigação de que tudo funcionasse como um relógio - e nenhum aspecto da vida do ser humano funciona 100% do tempo como se espera.
Famílias não são perfeitas, porque não somos perfeitos: é difícil admitir esse pressuposto?
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Por semelhante modo não se pode educar filhos para ser o que você não é. Pais que não vivam o cristianismo no dia a dia não conseguirão incutir princípios neles, até porque autoridade formal é diferente de ter o controle da situação.
Se você tem que se impor dizendo que manda, desculpe, mas não estás no comando. Eis um fato.
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Voltando ao pressuposto de que no passado era melhor... a vida do passado não era melhor do que a de hoje. Nossos pais tinham medo das más companhias, os avós casavam os filhos cedo para evitar que se perdessem na vida (até hoje isso acontece, o Brasil é um dos países que mais estimula tal prática).
Nem podemos dizer que a educação piorou, se querem saber: criamos o ECA por causa de pais que se excediam nas agressões a seus filhos, com os piores métodos possíveis. Os que foram edificados sob a "palmada pedagógica" tiveram pais que lutavam para sobreviver e tinham amor pelos seus filhos; eram gente que ensinava em amor, embora com os métodos da ignorância - e seus exemplos eram tão (ou mais) relevantes que a dor da palmada, e o medo advindo dela.
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Fato: aquele que não tiver Deus no controle de suas ações dificilmente conduzirá seus filhos no caminho do Senhor - ainda que, no fundo, não possa garantir que estes não sejam seduzidos pelos frutos da ideologia deste século. Você planta sementes, Deus proporciona o crescimento.
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20.8.23
Mais comentários a respeito do "restaurante nota 7.5"...
Fiz o texto sobre o "restaurante nota 7.5", aquele que, na opinião dos nativos, é o que traz a melhor comida (e não atendimento, ambiente ou outros benefícios e frufrus). De lá para cá, me vieram muitas ideias à cabeça, e como estou inspirado, descansado e bem alimentado, seguem algumas coisas que gostaria de ter escrito antes - mas que a falta de vitamina B12 me fez esquecer, ou nem lembrar de digitar a respeito.
Sendo assim, lá vai a lista:
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Começando pelos shoppings: dá para comer coisa gostosa e barata nas praças de alimentação? É evidente que sim, mas nunca se esqueça de que "fast food" é padronização - de processos, métodos e temperos, o que significa que toda comida de grande rede terá a mesma "cara", salvo se for consumida num quilo ou for de um quiosque/unidade que você nunca tiver visto na vida.
Ainda assim, neste caso, vale a regra de ouro: equilibrar bom preço e boa comida. Menos frescuras, o básico bem feito - e sabor proporcional ao que se vai pagar pela refeição.
Já que falamos de "fast food", é inevitável citar a rede dos arcos dourados, aquela que começa com M e termina com o nome de um famoso pato. Ela, e seu concorrente de brasileiro (que só não se chama "rei do hambúrguer" porque tudo fica mais chique em inglês) faz lanches que são um poço de gorduras, padronizados ao extremo - mas fundamentais quando se está num lugar de hábitos esquisitos, nos quais você não tem a mínima ideia de como se faz o prato do dia, ou do que vem nele.
Está num lugar como Índia, Bangladesh, tem medo de sopa de morcego sino-tailandesa, ou chegou a um beco no qual só tem espetinho de gato, ovo colorido e refrigerante PonChic? Encare o perigo, provando que seu estômago é de titânio, ou corra para uma das grandes redes - e salve sua pele.
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Comida vegetariana caseira? Se existir, o dono é adventista - o que significa que não funcionará aos sábados, dia em que os do Sétimo Dia cuidam das coisas de Deus, e apenas disso.
Quanto à comida, abstraia os pratos de imitação (como a feijoada vegetariana, na qual couve de Bruxelas imita bacon) e aproveite o sabor de refeições boas para o bolso, o estômago e o corpo.
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Fuja (repito, FUJA) de filas com gente chique demais, ou cheia de caras e bocas, ou que tire "selfie" o tempo todo; neste último caso, aliás, fique longe para que não afanem o seu celular também, pois quem saca aparelho para fazer foto no meio da rua está praticamente doando o aparelho para o alheio.
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O oposto disso é a fila do Bom Prato, ou dos restaurantes populares subsidiados pelos órgãos públicos. Estes são garantia de comida barata a preços módicos, que atende muito bem aos que não podem pagar quase nada por uma refeição decente, com arroz, feijão, salada, um suco e sobremesa.
Se não tiver frescura, vá - ou ceda sua vez para um necessitado, já que as refeições tem número fixo.
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Como deu preguiça de escrever mais, fico por aqui.
Antes, porém, pergunto a vocês: que tipo de conselhos vocês dariam a quem quer procurar o restaurante ideal, de comida barata e preço bom? Escreva nos comentários, me ajudando - e contribuindo para que, talvez, esse texto do restaurante 7.5 tenha uma terceira parte... até breve.
13.2.20
Poesia: Dor imposta
Como não chorar,
quando,
mesmo nas vitórias,
nada funciona?
Como não sentir o peso da evidência?
Como não sentir a falta de estabilidade,
e a dor que isso traz?
"Mãe, já resolvi..." - isso basta?
NÃO!
Não basta, não rola, não ajuda, não espera.
Que esperas de mim, ó insana?
Que queres tu deste ser absolutamente patético que te cerca?
Queres que eu definhe, que eu feche meu sorriso, que eu me esconda?
Queres que eu me sinta destruído por dentro?
Que isso se reflita por fora?
Queres que eu morra, é?
QUERES QUE EU MORRA?????????
AAAAAAAAaaaaaAAAaaaaaAAAAAAaaa
Assume que eu sou teu, ou me mata.
Ao menos dentro de ti.
fps, 14/12, 11:03
Poesia: Dor imposta
Poesia: Dor imposta
10.1.19
Poesia: Que vontade...
22.10.18
Poesia: Sonho de um domingo pré-horário de verão
8.6.18
Sobre Anthony Bourdain
Numa heresia inimaginável para os "cults", adorava Anthony Bourdain dublado, no "Sem Reservas" (o nome português do "No Reservations"). A voz brasileira do "chef" estava mais de acordo com um indivíduo que amava o mundo que vivia, do que a original, forte como um vinho encorpado.— Fábio Peres (@fps3000) 8 de junho de 2018
Adorei quando ele, na última vez que esteve em São Paulo, deu um drible na Folha e comeu o sanduba do Mercadão como se fosse a melhor das iguarias (dica: é mesmo). Vibrei mais ainda quando ele ignorou o MASP ("já estive em museus demais, é só mais um, não faz diferença").— Fábio Peres (@fps3000) 8 de junho de 2018
Isso, detalhe, eu peguei do original em inglês: a tradução para o português brasileiro "suavizou" isso - bem como a edição, que mostrava claramente o desprezo pelo gourmet "fabricado", em moda nas sociedades que ainda não perceberam que evoluir é ser, sobretudo, original.— Fábio Peres (@fps3000) 8 de junho de 2018
@Bourdain era um mestre no que fazia. Por isso, ainda espanta que ele tenha ido dessa forma. Como o vinho encorpado, que simplesmente acaba - e deixa aquele gosto na boca, que não é bom, nem ruim. Apenas... é dele. Só dele.— Fábio Peres (@fps3000) 8 de junho de 2018
27.10.17
Reflexões MUITO atrasadas sobre o homem nu e a criança...
3.8.16
A abertura da Olimpíada e a cisma em querermos vender ao mundo um Brasil que não existe
"Quem assistiu ao ensaio da cerimônia de abertura das Olimpíadas tomou um susto. À distância, incorporando a aura da garota de Ipanema, Gisele Bundchen parecia ser assaltada por um menino negro para, ao fim, ser salva por policiais militares. O Comitê Rio 2016 rapidamente se manifestou. Mal entendido: não se tratava de um pivete mas de um camelô e a garota Bundchen apenas achava que era assalto.Descontando-se o fato de que o preconceito não vai acabar por decreto, ou porque retiramos toda menção a ele da mídia, me pus a pensar sobre a falta de bom senso que o politicamente correto de tirar uma nesga de realidade da abertura dos Jogos. Afinal, só no Brasil o pessoal consegue sentir vergonha quando falamos na figura do camelô, ou do ambulante - que é alguém que trabalha, e duro, para garantir sua subsistência (aliás, poucos sabem que escravo podia abrir conta-poupança, a fim de comprar sua carta de alforria ... e muitos compravam sua liberdade com os trabalhos extras feitos nas ruas como "negro de ganho").
A jornalista Flávia Oliveira é quem melhor articulou o problema. Camelôs vêm de uma tradição colonial. Os escravos urbanos eram enviados por seus senhores à rua para, ambulantes, vender comidas. Depois, libertos e sem estrutura, vendiam o que dava na mesma rua para sobreviver. A moça alta, bela e branca que se assusta com o ambulante negro está reencenando uma história perversamente brasileira. Reforçando um estereótipo, estimulando preconceito."
Além disso, devemos fingir que a realidade não existe, é 'rosinha', politicamente correta, e ninguém se assusta com a chegada de um suspeito na rua - e dá risada quando descobre que não é nada disso? Ou deveríamos admitir que isso é uma verdade, ainda que inconveniente?
Quando queremos mascarar a realidade demais, declarando que ela não existe e mostrando algo diferente, ela nos soa falsa. Não dá credibilidade. Fica parecendo propaganda de ditadura.
E, observem: só nos países ditatoriais tudo funciona às mil maravilhas. Cingapura, onde o indivíduo insiste em te vender a imagem de um país perfeito mas no qual se vê o medo no olhar do estrangeiro; Azerbaijão, que estampa imagens de 'muito bem, Baku' em um GP que não tem patrocínio nenhum; Coreia do Norte, onde o sistema é tão puxa saco que ninguém percebe o ridículo que é cantar 'longa vida ao ditador' o tempo todo.
A realidade brasileira é dura, cruel - e o seu estereótipo é a verdade. Perdemos uma boa chance de discutir isso, ao invés de fingir que isso não existe, no bom estilo 1964.
Aliás, não era a ditadura que inventava um país que não existe, pelas mãos de uma mídia que fingia que estava tudo bem, enquanto o povo, via de regra, ia mal?
Pedro Doria disse que esse é "o preço de desconhecer a História". Eu, porém, vos digo: muito pior é tentar inventar uma História que não existe, para transformar vergonha em orgulho e vice-versa.
Isso porque o povo percebe que algo não está certo. E repudia o que não aceita.
28.5.16
Século XIX ...
E a paranoia.
21.5.16
Precisamos mesmo de um Ministério da Cultura? Ou os artistas mimados podem viver sem o nosso dinheiro?
...
27.6.15
Casamento gay: direitos não são respeito
25.4.11
Poesia
prefiro
a realidade de amar-te
que qualquer sonho
que tentam me enfiar goela abaixo;
casa bonita,
carro do ano,
emprego perfeito,
vida de comercial de margarina,
tipo assim,
sorriso perfeito,
colgate,
sinistro,
no seu branco inexistente.
prefiro
tua tez doce e gostosa,
teu choro contido,
teu abraço, beijinho,
teu beijo molhado,
que se torna logo em
mais um beijo, e outro,
de tensão controlada,
tornada explosão.
abraço,
beijo,
intensidade,
fúria,
gozo,
volúpia,
tesão.
por isso prefiro
o presente ao futuro.
fps, 24/10/2010, 19:59
20.8.10
Poesia
Silêncio ...
Incomum para um boteco,
no momento em que todos sairam do almoço
e ainda não chegaram os que à noite
E sentado, diante do caixa,
como quem não quer nada,
o empregado solitário sonha ...
E com o que sonharia?
a quem tem dinheiro investido.
mas ele não está aqui para isso,
logo ...
... ACORDA, MEU !!!
1.2.10
Poesia (do Olho Clínico original)
20.9.09
Prosa
10.8.09
Prosa

11.7.09
Para descontrair um pouco
A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do irmão menor.
2. O GOL
O gol pode ser feito com o que estiver à mão: tijolos, paralelepípedos, camisas emboladas, chinelos, os livros da escola e até o seu irmão menor.
3. O CAMPO
O campo pode ser só até o fio da calçada, calçada e rua, rua e a calçada do outro lado e, nos clássicos, o quarteirão inteiro.
4. DURAÇÃO DO JOGO
O jogo normalmente vira 5 e termina 10, pode durar até a mãe do dono da bola chamar ou escurecer. Nos jogos noturnos, até alguém da vizinhança ameaçar chamar a polícia.
5. FORMAÇÃO DOS TIMES
Varia de 3 a 70 jogadores de cada lado. Ruim vai para o gol. Perneta joga na ponta, esquerda ou a direita, dependendo da perna que faltar. De óculos é meia-armador, para evitar os choques. Gordo é beque.
6. O JUIZ
Não tem juiz.
7. AS INTERRUPÇÕES
No futebol de rua, a partida só pode ser paralisada em 3 eventualidades:
a) Se a bola entrar por uma janela. Neste caso os jogadores devem esperar 10 minutos pela devolução voluntária da bola. Se isso não ocorrer, os jogadores devem designar voluntários para bater na porta da casa e solicitar a devolução, primeiro com bons modos e depois com ameaças de depredação.
b) Quando passar na rua qualquer garota gostosa.
c) Quando passarem veículos pesados. De ônibus para cima. Bicicletas e Fusquinhas podem ser chutados junto com a bola e, se entrar, é Gol.
8. AS SUBSTITUIÇÕES
São permitidas substituições no caso de um jogador ser carregado para casa pela orelha para fazer lição ou em caso de atropelamento.
9. AS PENALIDADES
A única falta prevista nas regras do futebol de rua é atirar o adversário dentro do bueiro.
10. A JUSTIÇA ESPORTIVA
Os casos de litígio serão resolvidos na porrada.











