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19.6.21

Governo brasileiro geriu mal a COVID-19

Gestão desastrosa e ações genocidas não são sinônimos

Não acho o mito genocida, porque isso representa a vulgarização de um termo, que tem significado bem claro, com sentido de dolo e intencionalidade.

Acho o Bolsonaro um completo parvo (ainda que perigoso) que entra em montanhas de delírios e teorias de conspiração. E, por incrível que pareça, aparentemente, ele acredita nas asneiras que fala.

No entanto, ele não pode ser considerado culpado pela totalidade das mortes por COVID-19, senão teríamos que indiciar grande parte dos dirigentes do mundo.

O mundo não geriu bem a pandemia

A maior parte dos países não geriu bem a pandemia de COVID-19. Isso é inegável.

Dentre as milhares de queixas que eu tenho, destacam-se, com possíveis tintas de viés retrospectivo, sem qualquer ordem de importância entre os itens:

  • Por que se demorou tanto tempo para reconhecer a utilidade das máscaras, com todo histórico que havia de outras doenças?
  • Por que não se facilitou a criação de bancos de dados estruturados e compartilhados com prontuários completos de pacientes com COVID-19, incluindo informações gerais, sintomas, comorbidades e progressão da doença e terapias? Isso facilitaria muito os estudos de fármacos.
  • Por que não se financiou estudos mais caros sobre transmissibilidade, deixando-nos ficar em um mar de dúvidas sobre máscaras, contatos proximais, superfícies, aerosol, etc; por meses e meses? E até hoje, de certo modo.
  • Por que os países não criaram mecanismos de proteção nas fronteiras visando a ganhar tempo, logo no início?
  • Por que a pandemia não foi reconhecida antes, para dar tempo de alguns países se estruturarem melhor?
  • Por que se demorou para reconhecer a carnificina dentro de asilos fechados?
  • Por que os governos não investiram pesado em pesquisa de remédios que possam ser úteis no início da COVID-19, como os EUA está fazendo só agora via NHS? Agora, grandes fundações, como a fundação Bill e Melinda Gates estão também aportando recursos nisso.

Enfim, são milhares de questionamentos, que mostram um mundo muito mais amador do que gostaríamos de acreditar.

Alguns países não se saíram mal na pandemia

Como exceção à regra, podemos dizer que a maior parte dos países do oriente foram bem melhores, incluindo Japão, Singapura e Taiwan.

Alguns países comunistas foram espetaculares, aparentemente, como o Vietnã, mas falta transparência para termos confiança nos dados oficiais.

A África foi, em geral, pouco assolada, mas é um continente muito jovem.

Alguns países da Europa foram bem, como Noruega, Finlândia e Dinamarca.

A Austrália e Nova Zelândia também se saíram relativamente bem, mas não tem fronteiras terrestres.

Obviamente há também questões genéticas, culturais e pirâmide etária, nesse imbróglio.

O Brasil está mal na fita

O Brasil hoje é o décimo do mundo em mortes/milhão do mundo, e se considerarmos a correção pela pirâmide etária salta para segundo lugar, só atrás do Peru, que com a revisão dos números pulou para primeiro lugar do mundo.

Por que usei a idade?

A idade consiste na melhor, mais objetiva e mais facilmente mensurável métrica correlacionada a óbitos que existe, para a COVID-19.

Pode ser uma imagem de texto que diz "8% % Popul. brasileira com óbito por COVID-19 7% 6% 5% 4% 3% 2% 1% 10-19 20-29 30-39 40-49 50-59 60-69 70-79 80-89 90-99 100+"
Mortalidade em todas as faixas etárias (até 24/Abr/2021)
Nenhuma descrição de foto disponível.
Uma lupa para ver a mortalidade até 49 anos

A curva por faixa etária de óbitos COVID-19 e população é literalmente uma curva de livro, em qualquer faixa etária, mesmo comparando nas faixas até 49 anos.

A melhor critica é olhar para o próprio umbigo

Ainda assim, não gostaria de basear minhas críticas na questão da comparação com outros países.

Acho que precisamos olhar para dentro para entender melhor.

Críticas servem para vislumbrarmos oportunidades de uma mitigação do problema e não apenas para jogar palavras ao vento.

A avaliação dos bolsonaristas me traz perplexidade

Nunca na minha vida vou entender como um bolsonarista pode ainda hoje achar que a gestão da COVID-19 pelo governo foi boa ou mesmo razoável.

Com 494 mil mortos ( mais que 1 em cada 500 pessoas), quase todos os brasileiros tiveram alguém próximo ou muito próximo que faleceu de COVID-19. Ou seja, como alguém que teve, por exemplo, a mãe morta por COVID-19, pode passar pano achando tudo lindo?

Quantas mortes poderiam ter sido evitadas?

Quem diz que poderíamos ter hoje metade ou um terço das mortes está delirando.

A não ser que o mundo tivesse achado e adotado alguma opção de tratamento para o início da doença, o que não aconteceu no nosso planeta. Em parte, creio, por falta de financiamento de ONGs e governos, porque os remédios mais rápidos seriam fármacos de reposicionamento.

Basta olhar para o resto da América do Sul. (A Venezuela apresenta dados nada confiáveis).

De fato, uma boa gestão das vacinas, mais união nacional, investimentos em infraestrutura hospitalar etc; poderia ter poupado talvez umas 50 mil vidas.

Teria tido ainda muitos óbitos Sim, mas 50.000 vidas são 50.000 vidas.

Óbvio que 50.000 é um chute. Na real, é algum número maior que 0 que nunca saberemos ao certo.

Em geral, cuspe não resolve problemas…

A providência mais visível do governo foi regularmente do planalto soltar expressões como “E a economia?” ou falar alguma frase com a palavra “cloroquina”.

O fato é que cuspe nunca ajuda ninguém (exceto se for em sessões de terapia , ou algo assim). De resto, são apenas palavras ao vento.

O que faz diferença em um governo são ações. E, sinceramente, não vi ações práticas relevantes contra a COVID-19, exceto o feijão com arroz, em meio a um mar de falhas.

Vamos rapidamente aos pontos que embasam minhas afirmação.

𝟏) Vacinas

Houve descaso e omissões na questão das vacinas. Não se trata de brandir aqui o ranking de vacinação de forma relativa ou absoluta, mas da possibilidade concreta de ter tido alguma antecipação das vacinas, que inegavelmente poupa vidas, no caso de um país como o nosso, que tem know-how estabelecido na fabricação de vacinas.

O descaso não é porque o Bolsonaro quer que as pessoas morram, mas é porque genuinamente ele não tem crença forte em vacinas, influenciado por teorias da conspiração ou anti-vaxxers, como é o Olavo de Carvalho (ver no final do artigo), influenciador de alguns membros do governo, incluindo o 03, Eduardo Bolsonaro.

𝒂- Coronavac – Além de adiar 2 meses a aceitação da Coronavac (que terminou não prejudicando diretamente o Instituto Butantan), acusou reiteradamente a China, que é justamente o fornecedor de insumos da Coronavac (aqui não cabe o debate se a China tem ou não culpa em cartório na acusação em si), que por diversas vezes “atrasaram” a entrega dos insumos. Não há transparência das razões desse atraso, mas paira a possibilidade de retaliação.

Fazer algo assim, mesmo que possa se referir a um fato real, é tão burro como insultar o chefe em redes sociais, ainda que ele seja, de fato, um babaca.

𝒃- Pfizer e Janssen – O governo travou a negociação que iniciou em abril e maio de 2020 por meses e meses alegadamente por causa da falta de uma determinada lei, devido ao tipo de garantias exigidas pelos fabricantes.

Óbvio que ele poderia ter lançado uma MP antes, sem precisar esperar 2021 para fazer isso. Só em 2020 foram 115 delas. Seriam 116… E obviamente o Congresso não iria vetá-la ou deixá-la caducar.

Antes que alguém diga, que as vacinas não tinham aprovação da Anvisa e sequer estavam prontas, quero reiterar que esse tipo de negociação é sempre um contrato de compra condicionada.

Qualquer um que tenha a mínima experiência com negócios sabe que isso é um instrumento jurídico válido pelas leis nacionais e internacionais.

𝒄- AstraZêneca – faltou em demorar a prover recursos extras (que é barato diante do custo da doença para os cofres públicos ) para Fiocruz, em termo de parque fabril e estrutura, para acelerar a produção, só fazendo isso recentemente. Bem, melhor tarde do que nunca.

𝒅- Outras – Não negociou com outros players. É hora de negociar com todos, e depois ver como fica. A coisa mais cara do mundo é a COVID-19 entre nós, porque, com ou sem lockdown, o medo ajuda inibir a atividade econômica.

***

Ainda que boa parte das vacinas não teriam sido provavelmente entregues, basta antecipar uma vacina, para probabilisticamente salvar um percentual dessa vida e também da cadeia de pessoas contaminadas por essa pessoa que pegou COVID-19 por ter deixado de se vacinar. O resto é estatística.

Muitas pessoas alegam que o fornecedor X ou Y não entregaria nada antes, devido a falta de capacidade de produção, mas os bolsonaristas não se dão conta do famoso viés retrospectivo, (hindsight bias), que é a tendência comum para as pessoas perceberem os eventos passados como tendo sido mais previsíveis do que realmente eram, o que é bem mais fácil, depois de ver tudo o que realmente aconteceu.

𝟐) Mau Exemplo

O Bolsonaro está sempre dando um péssimo exemplo para todos os seus admiradores, dando uma banana para as máscaras e qualquer medida protetora, falando mal de vacinas, chamando o cara que tem medo de maricas (“tem que deixar de ser um país de maricas”).

E, segundo ele disse, o risco para jovens seria quase zero (“Abaixo de 40 anos, quase ninguém contrai Ou se contrai, é assintomático. Para que esse pavor todo? A vida tem que continuar.”), desconsiderando que muitos jovens têm comorbidades, que incluem a pressão alta, por vezes invisível e a obesidade. Então, se você é jovem, que tudo se exploda!

𝟑) Busca de remédio só pelo gogó

Se o governo tinha tanta fé assim no remédio X ou Y, porque ele não usou verbas, como fez a Cidade do México, para organizar e patrocinar, por exemplo, um grande estudo contra a COVID-19 usando IVM?

Eu tenho a sensação que cada vez que o presidente fala a palavra Cloroquina em uma de suas declarações, morre um esquilo na Patagônia

Mesmo que a HQC funcione bem (não acredito nisso, ver a seção Apêndice 2: Por que a HQC caiu em descrédito?), meramente bradar cloroquina a cada semana, só cultua o preconceito dos antibolsonaristas contra qualquer opção para a fase inicial da COVID-19, mesmo que seja um remédio alternativo. Qualquer médico que falar isso na ponta, já automaticamente será taxado de bolsonarista.

Silenciosamente, por exemplo, o Reino Unido liberou a Budesonida inalável para o início dos sintomas e a Eslováquia idem para a IVM e, nem por isso, entrou-se em enormes debates políticos.

O mito se limitou, em nome principalmente da HQC, a demitir dois ministros da Saúde. Nem o atual ministro de saúde do Bolsonaro, o quarto na gestão atual, Marcelo Queiroga, está promovendo a HQC (nem sei nem como ele continua no cargo).

No máximo, o governo patrocinou um estudo mal projetado e executado sobre Nitazoxanida (Anitta). que não concluiu nada muito relevante.

𝟒) Governo não acredita em tons de cinza

Ao invés do mito defender a Economia de um jeito articulado, com declarações de bom-senso, que permitissem ajudar a encontrar o equilíbrio e conclamasse uma união nacional (isso só seria possível se o mito nascesse de novo); ele se limitava a transformar tudo em um cenário extremo, fazendo confrontação permanente com todos que ele julga adversários políticos.

No final, segundo a visão dele, só sobram 2 caminhos: ou se deixa morrer todo mundo que tem que morrer com 100% de ausência de regras, ou então a Economia será aniquilada. Não há, para ele, nenhum tom entre o branco e o preto. Então, ele está só jogando para a plateia (e as eleições de 2022).

Em geral, não sou a favor do lockdown no sentido de fechar estabelecimentos comerciais e menos a favor ainda de restringir horários e transporte coletivo (que só aumentam a densidade de pessoas)

Quanto e fechar comércio, exceto talvez em situações extremas de colapso, e em períodos limitados, mas mantendo todas as áreas livres abertas.

Há polêmica na comunidade científica, mas o reputado pesquisador John Ioannidis de Stanford e equipe compararam em artigo revisto por pares, países que adotaram medidas restritivas pesadas e moderadas, e não encontraram qualquer diferença significativa na curva de casos entre os 2 conjuntos de países.

Algumas restrições como evitar aglomerações, especialmente em locais fechados, como em bares, boates, cultos, casas de show; realmente são relevantes.

Normalmente, contaminação se dá por gotículas, mas aerosol é um importante veículo, especialmente em alguns lugares fechados, dependendo da qualidade de renovação de ar e da concentração de pessoas, e, no caso do aerosol, as máscaras caseiras e/ou descartáveis não são muito efetivas.

As novas variantes, mais transmissíveis, são ainda um mistério,. quanto a esses aspectos descritos aqui.

Praticamente não vi o governo federal organizando e patrocinando campanhas de esclarecimento da população. Tudo ficou entre o 8 e o 80.

𝟓) Falta de logística e continuidade de gestão

O governo falhou em toda a logística de apoiar estados e municípios na infra-estrutura, estrutura e insumos para atendimento a COVID-19 no sistema público de saúde.

Muitos estados e municípios também falharam, diga-se de passagem, não só pela omissão como pela roubalheira.

Várias vidas foram perdidas por falta de leitos, oxigênio, insumos, respiradores, ou vagas na UTI.

Ora, com 4 ministros de Saúde em pouco mais de 1 ano, com várias trocas no segundo escalão, como dar continuidade decente às providências?

O terceiro ministro da série era o general da ativa Eduardo Pazuello, vendido pelas hostes bolsonaristas como “especialista” em logística” (sendo que ele não tem qualquer curso do gênero em seu currículo.

Na verdade, o gajo funcionou como um mero ajudante de ordens do Bolsonaro, fazendo mesuras a tudo que o chefinho ordenava, que no final caiu de maduro e ainda foi a uma manifestação bolsonarista com o próprio.

Bolsonaro mostrou-se indiferente pelas vítimas

O Bolsonaro nunca demonstrou qualquer consideração com as vítimas, nem que fosse fingida.

Tudo para ele era “sou Messias, mas não faço milagres”, “não sou coveiro” e “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?“.

Ninguém, em sã consciência, com um ente querido falecido, gostaria que um amigo viesse com uma dessas “pérolas“.

Claro que isso é apenas babaquice e não afeta em si a gestão da pandemia, mas não é o tipo de pessoa que eu iria querer perto de mim para ter como amigo.

Objetividade valoriza uma crítica

A questão é que adjetivos histéricos como genocida, tiram a racionalidade e credibilidade de uma crítica.

Então prefiro a objetividade de mostrar os fatos como eles são, com serenidade.

✸✸✸

(*) Olavo é o tipo de insano que posta “O falecido Dr. Carlos Armando de Moura Ribeiro dizia explicitamente em 23 de julho de 2016 em suas redes sociais: ‘Vacinas matam ou endoidam. Nunca dê uma a um filho seu. Se houver algum problema, venha aqui que eu resolvo.” Pois não é que o Percival teve nada menos que MENINGITE, e o Dr. Ribeiro o curou em 24 horas?’

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13.6.21

Natália Pasternak: Ciência não tem 2 lados

Não assisti o conjunto do depoimento da Natália Pasternak na CPI, mas o trecho abaixo, que transcrevo, me chamou a atenção.

Depois da longa fala do senador Eduardo Girão, cobrando que o Senado pudesse ouvir algum cientista que defenda algum tipo de tratamento na fase inicial, ela pontua:

“Em relação ao que foi falado pelo Senador Girão, sobre os 2 lados do jornalismo e o princípio do contraditório, é importante salientar que esses princípios do jornalismo, da política também — de sempre observar o contraditório, eles não se aplicam para a ciência porque a ciência é um processo investigativo, dos fatos, da realidade. E daí não cabe o contraditório. A ciência não tem dois lados. E isso não é por desrespeitar opiniões alheias, mas pelo modo como a ciência trabalha, que é um processo empírico de investigação, então quando a gente fala que existe consenso científico, eles são consensos. O consenso científico como por exemplo que o aquecimento científico é real e é causado pelo homem, ele é um consenso científico, podem até existir cientistas que contestem isso, mas que para esse consenso científico seja derrubado, as evidências em contrário precisam ser muito robustas, precisam ser evidências extraordinárias, como diziam Carl Sagan, alegações extraordinárias, precisam de evidências extraordinárias. “

A ciência trabalha com multiplicidade

Esse trecho supõe que a ciência é uma linha reta que une dois pontos: “menos ciência” e “mais ciência”, quando isso não poderia ser menos verdade.

A ciência é muito longe de ser esse monólito arredondadinho que ela pesca de alguma utopia etérea.

Ainda que existam pontos que não pairam praticamente polêmicas (o núcleo da teoria da seleção natural de Darwin ou a mecânica Newtoniana, dentro de um escopo razoável), muito da ciência moderna ainda habita em terrenos onde não há unanimidade e sobre os quais ainda pairam muitas dúvidas.

Por exemplo, a origem da vida permanece um tema com diversas hipóteses com seus respectivos defensores. Também relativo à origem do universo, existem muitas teorias alternativas, com cientistas altamente laureados discordando entre si.

No caso da Medicina, há um amplo campo para discórdias e teorias concomitantes, de forma até mais presente, porque é um campo menos exato e mais experimental.

Um caso emblemático é o ovo. Depois de muitos anos onde o ovo era um alimento demonizado, ruim para o colesterol, e coisa e tal; eis que tudo muda, e o ovo foi salvo por novas evidências, enterrando as certezas anteriores, e eliminando as famosas quotas semanais limitadas de ovos ()

Ou seja, o presente trouxe novas certezas, mas que ainda podem mudar….

Outro exemplo: até meados da década de 90, técnicas como ponte safena e ponte mamária eram ainda vistas como uma solução relevante para problemas de obstrução coronariana.

Isso mudou porque muitos cirurgiões optam hoje pela revascularização arterial total, que consideram mais eficiente e menos arriscada.

No entanto, já conversei com cardiologistas que ainda fazem esse tipo de cirurgia, Em suma, não há unanimidade nessa questão.

Há consenso científico contra a IVM?

Não há como dizer que existe um consenso científico sobre a ineficácia da IVM, comparando-se com o aquecimento global antropogênico.

Isso é uma analogia equivocada, porque no caso no aquecimento global antropogênico, os poucos cientistas contrários recebem claramente financiamento e apresentam argumentos que são refutáveis com relativa facilidade.

De verdade, o estabelecimento de um consenso científico depende de estudos científicos e artigos publicados. Certamente não são decorrentes de mera declarações minhas ou de jornalistas, políticos, radialistas, ou mesmo de cientistas.

No caso da Dra. Natália Pasternak, ela sequer atua na área, mas mesmo que atuasse não são mais do que palavras ao vento, sem entrar no mérito.

Artigos favoráveis a IVM não são noticiados por aqui e mesmo quando isso acontece, são referidos de forma preconceituosa e leviana. Veja o apêndice 1 (IVM do MX é aqui ignorada ou vilipendiada) do artigo “COVID-19 e IVM: Menos mortes e politização no MEX

Quando a Dra. Natália refutou a IVM em julho de 2020 o fez com frases de efeito, exageros, afirmações equivocadas e nenhuma citação.

Desafio a qualquer um ir no Google Acadêmico e pesquisar esse pretenso consenso citado por ela na CPI.

Basta pesquisar artigos publicados com intitle:ivermectin intitle:Covid-19 e examinar um a um, conferindo a reputação dos autores e do periódico (se for o caso).

Dentre vários estudos publicados, o único estudo randomizado reputado que depõe contra a IVM é o altamente questionável estudo colombiano.

Não é possível que um único estudo crie esse consenso contrário citado por ela.

Há vários estudos randomizados pequenos que favorecem a IVM, além do grande estudo observacional controlado no México e o último estudo randomizado duplo cego com placebo publicado pelo renomado pesquisador israelense Eli Schwartz ligado ao Sheba Medical Center, um dos melhores hospitais do mundo.

Grandes estudos estão no prelo: EUA, Fundação Bill e Melinda Gates, Reino Unido, Japão (conforme relata o prêmio Nobel de 2015, Satushi Ömura) etc.

Não faria sentido ter hoje estudos caros em andamento para um fármaco que estivesse morto, como afirma de forma peremptória a Dra. Natália Pasternak.

Foram também feitas diversas meta-análises favoráveis à IVM. A mais prestigiosa foi conduzida por Tess Lawrie, que é colaboradora assídua do Cochrane, basta procurar por Theresa Lawrie e ver em ‘Revisões Cochrane’: ela assina um total de 39 artigos.

A próprio Cochrane, que fez uma meta-análise que não chegou a bons resultados para a HQC, está fazendo esse estudo para a IVM.

Só antivirais específicos podem combater vírus?

Ao contrário do que se afirma, não são apenas antivirais específicos que podem exercer efeito na fase inicial da COVID-19, pelo fato do agente infeccioso ser um vírus.

Há diversas maneiras de agir contra um vírus, não é preciso que o fármaco necessariamente atue diretamente para matar o vírus. Pode-se dificultar a entrada do vírus na célula, sua reprodução e até a saída do vírus da célula

Toda substância química pode perfeitamente ter múltiplos efeitos e alvos. Drogas multi-objetivos (“Multi-target therapeutics: when the whole is greater than the sum of the parts” – Drug Discovery Today – – 2007 ), já são algo velho em Medicina.

Governo mandou mal na gestão da pandemia

Não posso deixar de registrar que concordo com parte da fala da Pasternak (ouvi alguns trechos).

É inegável que o presidente sempre minimizou a gravidade da COVID-19 e seu potencial de transmissão. Ele, inúmeras vezes, exerceu uma influência negativa, especialmente sobre seus seguidores de menor instrução: Se o presidente faz isso também posso fazer.

Mesmo que se possa extrair validade da sua preocupação com a economia, a forma dele manifestá-la era ruim porque tudo para o mito era “nós versus eles”, resumindo a questão toda a uma escolha binária: ou se deixa morrer quem é para morrer ou a economia vai para o buraco: Sobra até para quem decide ficar em casa.

Quanto à gritante falta de empenho do governo nas vacinas, se deve, no meu entender, a uma visão preconceituosa e ignorante do mesmo. Dizer que isso não custou vidas, é tapar o sol com a peneira, pois qualquer antecipação de vacinas, mesmo que boa parte não fossem entregues no prazo e ainda que não sejam 100% eficientes; salvam vidas, direta ou indiretamente (via transmissão evitada).

Marcante ainda é a falta de sensibilidade do PR ao se referir aos mortos pela pandemia.

Suas referências ao tratamento precoce são vagas, inespecíficas e dão a entender que o “tratamento precoce” é uma bala de prata que torna desnecessário qualquer providência adicional como cuidados, acompanhamento da doença e vacinas.

Nessa visão, com o tratamento precoce, a COVID-19 viraria uma gripezinha, o que não é verdade: certo nível de eficácia não significa cura certeira e um remédio X não funciona apenas porque desejemos isso.

Fora que quase todas as referências do PR são relativas a HQC, quando o tempo passou e hoje há opções mais modernas, incluindo a própria IVM, além da budesonida inalada e a fluvoxamina.

No final, essa cantilena repetida contribuiu mais ainda para a politização ainda maior do tema aqui no Brasil, de forma que se qualquer um faz referência a um remédio que não seja paracetamol para o início da doença, já passa, automaticamente, a ser bolsonarista…

Epílogo

Não entendo essa tal de ciência certinha e perfeita, que a tal de Natália Pasternak diz defender…. A ciência muitas vezes não apenas tem 2 lados, como pode ter 3, 4 ou mais lados. Estamos muito longe da onisciência, onde não cabe mais argumentos a favor de visões alternativas e de algum autonomeado dono da verdade.

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PT NUNCA MAIS

O PT ainda hoje é o maior partido político do país, dispõe da maior bancada, tem militantes em todos extratos sociais, uma forte estrutura “exopartidária”, além de Lula, um líder político de inquestionável popularidade.

Foi exatamente por isso que chegando ao poder promoveu o maior e mais coordenado ataque à Democracia, inclusive extrapolando nossas fronteiras fazendo do Brasil o financiador de um projeto supranacional de poder, “La Patria Grande”.

O PT foi fundado por gente que nunca lutou ou teve apreço por Democracia, gente que promoveu guerrilha, atentados, sequestros e assassinatos. Com esse DNA, natural que tivesse se transformado numa organização criminosa, tendo Lula como seu “Capo”.

Fruto de uma condução econômica irresponsável o PT é responsável pela maior recessão de nossa História, assim como pelo desemprego de milhões de brasileiros.

O PT promoveu um gigantesco esquema de corrupção, assim como o maior aparelhamento político do país, algo sem precedentes. Transformou a “Lei Rounet” em instrumento de cooptação no meio artístico, criou uma rede de veículos de informação chapa branca, fez das universidades campos de doutrinação, comprou parlamentares com mesada, vilipendiou empresas públicas, financiou campanhas com recursos desviados para contas em paraísos fiscais e indicou para a Suprema Corte do país simpatizantes de sua causa, capazes de promover uma blindagem própria além das mais esdrúxulas decisões.

O alerta do mensalão para as empresas - ISTOÉ DINHEIRO

Em seu projeto autoritário e imoral de poder, desrespeitando os limites mínimos de civilidade, o PT se distanciou de parcela significativa da população sendo derrotado no última eleição presidencial.

Tendo feito o que fez, como retomar o poder através do caminho eleitoral? Como assumir o papel de antagonista?

A resposta é simples: construindo uma narrativa de que quem está no poder é pior que o próprio PT.

Dado o que foi descrito até aqui, mesmo que de forma superficial, o que poderia ser pior?

Se o que o PT promoveu foi um grande ataque à Democracia, para assumir um papel de antagonista é necessário criar uma narrativa que aponte para alguém que pudesse vir a ser uma ameaça ainda maior.

Esta aí, eis o porquê da narrativa descolada da realidade de uma ameaça de golpe.

O PT perdeu seu maior curral eleitoral a miséria do povo, tenta agora fazer do medo seu capital político

Que o Brasil nunca se esqueça do que o PT é capaz, esse sim deve ser nosso maior medo. 

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