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12.6.24

Quem escreve as matérias da "Veja São Paulo"? Com vocês, o "Baixo Auguster", ex-"Vila Madalener" e "Perdizer"...

Esnobes da Faria Lima, alternativos da Santa Cecília, hipócritas de Moema - e, agora, preconceituosos da Mooca; nada escapa ao olhar crítico da turma da "Vejinha", e de seus colunistas, sempre dispostos a apontar os erros de certas regiões da cidade, e de seus habitantes. 

Isso me leva a perguntar: quem são esses arautos do certo e errado de São Paulo, a turma que acha que pode fazer os perfis mais escabrosos dos cidadãos da maior cidade do Hemisfério Sul?

Como não se pode deslocar os autores de seus impropérios de seu habitat natural, resolvi criar uma estranha figura, aquele cara descolado que se acha a cara de São Paulo - mas que não consegue ver nada além de Perdizes, Vila Madalena e de sua atual residência, no Baixo Augusta, aquele lugar mítico que faz fronteira com Higienópolis, delineado pela Praça Roosevelt, Parque Augusta e com fim na Paulista.

Sem mais delongas, apresento... o típico colunista de Veja São Paulo, que, por hora, chamarei de "Baixo Auguster" - mas que, num passado remoto, já foi "Vila Madalener" e "Perdizer".

...

Nosso candidato a colunista mora numa região da cidade que já foi o melhor canto da cidade para se encontrar uma dama... da noite, é claro. A zona do baixo meretrício da Rua Augusta se tornou "in" quando alguém com bastante influência virou para outro alguém e disse: "ei, que tal a gente fazer nossa festinha de aniversário num lugar bem tosco, bem lixo mesmo, tipo um puteiro das antigas, sabe?".

Daí para lotar a região daqueles lugares que os "queridinhos" da imprensa gostam, como restaurantes de quitutes veganos e comida multiétnica, e supermercados orgânicos com um monte de coisas para "pets", sem falar em barzinhos de todo tipo, para todo público (exceto os clientes das prostitutas, que fugiram de um lugar no qual poderiam encontrar, sei lá, seus filhos e netos). 

A gentrificação do Baixo Augusta se tornou questão de tempo - atraindo a especulação do mercado imobiliário, que encheu a região de "studios" de 20, 25 m², invadidos por um tipo de pessoa que já morou em outras áreas "pseudo-cult" da cidade, mas que escolheu ser "Baixo Auguster" por evocar uma certa efervescência, um quê de Paris com Nova York, Amsterdam e todos os clichês de uma "cidade perfeita", na opinião da turma que tem um mantra constante: "mais amor por favor".

Até aí, nada de mais. O problema é achar que há apenas um modelo possível para o paulistano: o das áreas intelectualmente chiques da cidade, como Baixo Augusta, Vila Madalena e Perdizes.

...

Quando o "Baixo Auguster" recebe voz, como nas matérias da "Vejinha", resolve mostrar seu lado mais cruel: só presta quem é contestador, progressista e "superpop" - como ele, e seus "amigues". 

Dá-lhe, portanto, críticas pesadas contra os tradicionalistas de Moema (como se famílias gostassem de boates na porta de casa), ou pancadas fortes no estilo machista-chauvinista-mauricinho dos "farialimers" (tá, o Vale do Silício e Wall Street são cafonas, assim como todo lugar onde dinheiro rola solto - seja por causa do mercado financeiro ou da cultura, como o Baixo Augusta d@s "amigxs"). 

Quando chegam a bairros tradicionais, como a Mooca, é a festa - "racistas", "xenófobos", "preconceituosos"... insultos não faltam. Nega o colunista, entretanto, o óbvio: todo bairro, em São Paulo, se desenvolve de forma homogênea - principalmente o daqueles que tem orgulho de se chamar, antes de paulistanos, mooquenses (e NÃO "mooquensers", como a "Vejinha" entitulou).

Talvez só a Santa Cecília, vizinha dos "Baixo Augusters", tenha sido poupada - quem sabe porque o sonho de muitos habitantes das áreas "hipsters" da cidade é ser "Cecílier", com direito à samambaia na janela e dois gatos no apê de taco.

...

Quem leu essa matéria até aqui pode achar que esse humilde escriba está com inveja. Pelo contrário: textos como os da "Vejinha" são verdadeiras aulas de como escrever, contando histórias e estórias fascinantes, do povo e das pessoas que fazem a cidade ser como ela é.

Não dá para negar, contudo, que os colunistas carregaram nas tintas ao elaborar essas matérias - e que, mesmo sendo para vender revista, exageraram demais, ao mostrar um mundo feio de toda área da cidade que não seja ocupada por progressistas-arrumadinhos-do-tipo-mais-amor-por-favor.

Para esse pessoal, só podemos dizer o óbvio: "galera, menos, bem menos, a gente é estereotipado - mas vocês também o são"... e muito...

14.10.23

Queimaram a estátua de Borba Gato? Grande coisa: se não fosse ele, seria outro.

A esquerda tem uma cisma com Borba Gato porque os bandeirantes, homenageados constantemente em São Paulo, também foram responsáveis pelo genocídio dos povos indígenas que encontraram pelo caminho. Há um problema, porém, em pensar desta forma é que, naqueles tempos, não havia muita opção para os nascidos na capitania de São Paulo: esquecidos pela metrópole, aqueles mestiços só tinham como opção de riqueza embrenhar-se no território e conseguir o que fosse necessário para a sobrevivência. 

Ou se "marchava para o Centro", ou os nativos de São Paulo sucumbiriam ao ambiente hostil.

Lamento profundamente quem acha que o Brasil seria diferente caso nossos antepassados não tivessem realizado seus "feitos" - mas é um fato: nosso país não seria uma confederação indígena quilombola socialista tropical onírica (imagem que volta e meia querem passar do nosso país, e que não condiz com a realidade, mais próxima da direita revoltante que da esquerda revoltada). Aliás, caso os brasileiros bancassem os "bonzinhos" desde o princípio de sua História, é bem provável que teríamos bem menos território ocupado, sendo dominados pelos mesmos povos canalhas (como ingleses e franceses) que colocaram dinheiro e poder acima da diplomacia.

Os bandeirantes não eram "gente boa" - mas, convenhamos, gente boa não faz História de verdade.

16.10.22

Lula vs Bolsonaro: esqueçam as baboseiras, foco na realidade!

Bolsonaro falando nas meninas venezuelanas e Lula citando Pelotas ou tendo comportamentos lascivos na cadeia em 79 estão na mesma categoria - bravatas. 

O que deveria nos preocupar são detalhes pouco percebidos, mas vitais para nosso futuro:

  • caso Lula seja eleito ele vai prosseguir com a política desenvolvimentista de Dilma, que culminou, além do "petrolão", na existência de uma cloaca cheia de dinheiro público desperdiçado em políticas com muita vontade, mas pouca efetividade?
  • se Bolsonaro conseguir o milagre de ficar no cargo ele continuará tratando a coisa pública como algo que só interessa aos 30% de eleitorado que acham que Estado bom é Estado nulo, e que o regime de Pinochet só errou em ter matado pouco comunista?
O resto é prosopopeia flácida para embalar bovinos. Conversa para boi dormir, reforçada pela realidade cruel, na qual o melhor administrador não é, necessariamente, exemplo de conduta.

17.10.21

Panorama da pandemia: poderia ter sido diferente?

Nosso governante é um banana e não deveria ter sido negacionista.

Tendo começado esse "post" com algo tão óbvio quanto o céu azul de um dia de calor, vamos para a primeira polêmica: ao contrário do senso comum nas hostes oposicionistas, não dá para dizer que outro governante faria melhor do que Bolsonaro está fazendo (ou deixando de fazer). 

...

Se fosse o PT, por exemplo, teríamos embarcado no sonho da vacina 100% nacional, e esse "minha vacina (cubana) minha vida" faria os defensores dos laboratórios americanos subirem nas tamancas com a mesma ênfase com a qual condenam a Prevent Senior - cujo único crime, no frigir dos ovos, foi tratar o cliente do plano de saúde da forma que este pediu.

Quer dizer, da forma que o cliente MANDOU - pois é isso que plano de saúde faz.

...

Por semelhante modo, outra conclusão polêmica: é mais fácil controlar uma pandemia quando o governante realmente pode te trancar em casa, seja ameaçando por prisão ou por multas pesadas. Nesse contexto, o Brasil e os brasileiros foram de uma burrice ímpar, discutindo a todo tempo se a economia valia mais do que as vidas (algo que equivale a perguntar ao cidadão se ele prefere morrer pela peste, hoje, ou pela fome, a longo prazo), e se esquecendo de que seria preciso muito mais do que impor barreiras no trânsito para que o trabalhador mediano ficasse em casa, à míngua.

A vantagem, por outro lado, é que quem não pode ficar em casa não tem frescura para tomar picada: o país do Zé Gotinha mostrou que é mais esperto do que o seu Presidente - e se vacinou.

...

Quanto ao "mito"... bom, ele governa para os 30% de "minions", vive por eles e morrerá por causa deles, os que acham frescura dar auxílio emergencial a granel em troca de "lockdown" eterno. Está sendo atrapalhado pelos surtos de liberalismo, que fazem o agronegócio prosperar como nunca - mas tem uma sorte imensa, pois os únicos que os crucificam são os que jamais votariam nele.

Bolsonaro é uma anta, perdeu apoio entre a população por ter deixado a inflação correr solta - mas, num paradoxo dos tempos em que vivemos, tem o caminho para 2022 facilitado porque não há terceira via viável. Aliás, como haver alternativas, se todo mundo que se oferece para combater Lula e o "mito" tem que, por exigências da mídia e da elite pensante, ser absolutamente... sem sal?

...

Este escriba acredita piamente que ditaduras se deram melhor do que democracias no controle da pandemia, e que, por motivo semelhante, países parlamentaristas se deram melhor que os presidencialistas, já que que discordar do primeiro-ministro por qualquer coisa causa crise institucional séria (voto de desconfiança, antecipação de eleições e outras coisas indesejáveis para o parlamento).

Quem manda não pede, e quem tem poder de comando impõe a ordem - principalmente quando só uma pessoa tem o poder, como nos Estados unitários, que levaram vantagem sobre as federações e suas discussões intermináveis entre iguais (fora as questões sobre competência, que fizeram o STF "humilhar" Bolsonaro e levar, em troca, a maior desculpa esfarrapada da História republicana, "eu queria fazer alguma coisa mas o STF não deixa" por parte do "mito").

...

Poderia ter sido diferente? Poderíamos ter nos saído melhor, com menos mortes? Talvez, MAS...

... mas o mais provável é que continuaríamos agindo na pandemia como um país de pessoas que falam muito e fazem pouco, de muita discussão, bastante politicagem e pouca atitude, de arroubos espetaculares de alguns (como a Coronavac) e muitas atitudes egoístas, de todos os lados. Uma federação na qual os entes não entram em consenso, e que é salva, quase sempre, pelas atitudes individuais de pessoas comuns, que fazem o que é necessário, quando se precisa.

Estamos saindo da pandemia porque o povo está usando máscara, tomando alguns cuidados, se vacinando - e porque, para nossa sorte, o coquetel utilizado aqui segurou a "delta". A economia está arrasada, assim como a do mundo todo, mas aos poucos os que querem produzir estão correndo atrás das oportunidades, principalmente porque... não tem alternativa.

...

O Brasil sempre foi para a frente por causa das necessidades de seu povo. Não será diferente agora.

26.9.21

NIMBY vs YIMBY: porque nunca perguntam o que o dono do quintal acha disso?

"Not in my backyard". 

Não no meu quintal, que vá misturar pessoas de todo tipo na quadra - ou no bairro - do outro, lá no Centro, ou bem longe, lá na periferia distante, onde não há transporte, segurança, educação, cultura e outros artefatos públicos que estão bem perto, no meu quintal (embora eu não os use).

"Yes, in my backyard".

Sim, com certeza, aqui pode misturar todo tipo de gente - e com ele os perigos, virtuais e reais, e os choques de realidade que fazem com que certas pessoas cultivem uma nostalgia de tempos passados, tão ruins quanto hoje, e outros tantos fujam para as montanhas (ou os condomínios fechados, quintais próprios, nos quais manda quem é dono do pedaço).

...

"Nimbistas" e "yimbistas" travam há anos batalhas pelo controle das cidades, os primeiros com seus advogados e os segundos com o poder de convencimento junto aos grandes "think tanks" governamentais - aqueles que, de tempos em tempos, se encantam com a ideia de cidades para pessoas e tentam vendê-los a um público pouco interessado nesse tipo de utopia possível.

E aí entramos no grande problema, principalmente para os defensores da cidade inclusiva: o dono do quintal, que nunca é consultado a respeito do que fazem com a sua casa.

...

Há uma desvantagem significativa para os defensores de teses como ciclovias a granel, "parklets" e outras medidas que convidem as pessoas a participar da cidade: os vizinhos da cidade inclusiva se incomodam demais com os efeitos indesejáveis dessa política, sem visualizar vantagens nas mudanças que burocratas (e especialistas) querem impor para eles. 

Os "yimbistas", por sua vez, mais atrapalham do que ajudam, ao adotar contra os "nimbistas" comportamento típico de quem se acha acima de qualquer discussão, por estar a favor de uma "tese melhor" para a sociedade. 

Não importa que negócios tenham mudado de lugar pela falta de estacionamento, coisa que qualquer drogaria franqueada se esmera em oferecer, ou que arquiteturas hostis sejam instaladas em todo canto para evitar mendigos na porta da sua loja - para os defensores da cidade para todos quem não pensa como eu é preconceituoso, fascista, machista... e ponto.

...

O "nimbista" é mais inteligente para colocar seu raciocínio em prática: ele aciona advogados para defender o interesse público - e garantir o seu interesse preservado, por tabela. Associações de moradores que entram para defender patrimônio histórico "intocável", características originais de terrenos que tornam certos bairros em condomínio fechado, mudanças de estações do metrô para defender interesses ecológicos recentíssimos...

... está cheio de exemplos da hipocrisia de quem não quer indesejáveis por perto, mantendo o valor de bairros intocáveis no meio da miséria humana. Dá até para sentir certo júbilo quando ocorre uma pichação nestes bairros dos que não querem nada no seu quintal.

Até porque, nesse caso, também não consultaram os donos do quintal se eles queriam reservar áreas valiosas da cidade para o bel prazer de uma meia dúzia de bem-aventurados com um bom jurídico - que consegue tornar o que deveria ser público em privado, na prática.

...

Lembra o que falamos sobre o que o dono do quintal acha disso? 

Pois é, talvez esse seja o maior dos problemas nas discussões urbanísticas: saber o que os moradores, e as pessoas que vivem numa cidade de espaço constantemente "privatizado", e segmentado, acham de tais medidas.

"Ah, mas tem audiência pública..." - na qual o "afegão médio" dificilmente vai. 

"Ah, mas a população aprova..." - então porque o uso de recursos supostamente populares, como ciclovias, é bem menor do que as reclamações a respeito delas?

O fato é que não ouvimos muito além de nossas bolhas: para quem está no Baixo Augusta ciclovia é maravilhoso, mas quando implementadas numa rua estritamente comercial, de passagem, elas se tornam um empecilho para quem precisa parar com seu carro, fazer compras e seguir viagem. Não há o hábito de preferir ir a pé aos estabelecimentos, e por motivos que vão além da "carrocracia" - assim como não há vontade de encarar o desconhecido por parte de segmentos como o da classe média, motivo pelo qual o "nimbismo" prospera.

Uma política que permita uma cidade inclusiva tem que combater o medo do cidadão de perder algo com a "inclusão urbana". Sem isso, não tem como propor "no meu quintal sim" - até porque os vizinhos que vão aparecer não são os Backyardigans.

Que vivem todos num condomínio - e compartilham o mesmo quintal.

24.7.21

Queimaram a estátua de Borba Gato? Grande coisa: se não fosse ele, seria outro.





A esquerda tem uma cisma com Borba Gato porque os bandeirantes, homenageados constantemente em São Paulo, também foram responsáveis pelo genocídio dos povos indígenas que encontraram pelo caminho. Há um problema, porém, em pensar desta forma é que, naqueles tempos, não havia muita opção para os nascidos na capitania de São Paulo: esquecidos pela metrópole, aqueles mestiços só tinham como opção de riqueza embrenhar-se no território e conseguir o que fosse necessário para a sobrevivência. 

Ou se "marchava para o Centro", ou os nativos de São Paulo sucumbiriam ao ambiente hostil.

Lamento profundamente quem acha que o Brasil seria diferente caso nossos antepassados não tivessem realizado seus "feitos" - mas é um fato: nosso país não seria uma confederação indígena quilombola socialista tropical onírica (imagem que volta e meia querem passar do nosso país, e que não condiz com a realidade, mais próxima da direita revoltante que da esquerda revoltada). Aliás, caso os brasileiros bancassem os "bonzinhos" desde o princípio de sua História, é bem provável que teríamos bem menos território ocupado, sendo dominados pelos mesmos povos canalhas (como ingleses e franceses) que colocaram dinheiro e poder acima da diplomacia.

Os bandeirantes não eram "gente boa" - mas, convenhamos, gente boa não faz História de verdade.

23.5.21

O rei do café e o rei do gado: as duas elites do Brasil (texto atualíssimo)

 

Eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo,
No alto meio da grã-finage


Nisto chegou um peão
Trazendo na testa o pó da viagem
Pro garçom ele pediu uma pinga,
Que era pra rebater a friage


Levantou um almofadinha e falou pro dono
"Eu tenho má fé
Quando um caboclo que não se enxerga,
Num lugar deste vem pôr os pés.


Senhor que é o proprietário
Deve barrar a entrada de qualquer.
Principalmente, nesta ocasião,
Que está presente o rei do café"


Foi uma sarva de parmas
Gritaram viva pro fazendeiro
"Quem tem milhões de pés de cafés
Por este rico chão brasileiro?


Sua safra é uma potência
Em nosso mercado e no estrangeiro
Portanto vejam que este ambiente
Não é pra qualquer tipo rampeiro"


Com um modo bem cortês
Responde o peão pra rapaziada
"Essa riqueza não me assusta,
Topo em aposta qualquer parada


Cada pé desse café
Eu amarro um boi da minha invernada
E pra encerrar o assunto eu garanto
Que ainda me sobra uma boiada"


Foi um silêncio profundo,
O peão deixou o povo mais pasmado
Pagando a pinga com mil cruzeiro,
Disse ao garçom pra guardar o trocado


"Quem quiser meu endereço
Que não se faça de arrogado
É só chegar lá em Andradina,
E perguntar pelo rei do gado"


O rei do café e o rei do gado: as duas elites do Brasil (texto atualíssimo)

 

Eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo,
No alto meio da grã-finage

Nisto chegou um peão
Trazendo na testa o pó da viagem
Pro garçom ele pediu uma pinga,
Que era pra rebater a friage

Levantou um almofadinha e falou pro dono
"Eu tenho má fé
Quando um caboclo que não se enxerga,
Num lugar deste vem pôr os pés.

Senhor que é o proprietário
Deve barrar a entrada de qualquer.
Principalmente, nesta ocasião,
Que está presente o rei do café"

Foi uma sarva de parmas
Gritaram viva pro fazendeiro
"Quem tem milhões de pés de cafés
Por este rico chão brasileiro?

Sua safra é uma potência
Em nosso mercado e no estrangeiro
Portanto vejam que este ambiente
Não é pra qualquer tipo rampeiro"

Com um modo bem cortês
Responde o peão pra rapaziada
"Essa riqueza não me assusta,
Topo em aposta qualquer parada

Cada pé desse café
Eu amarro um boi da minha invernada
E pra encerrar o assunto eu garanto
Que ainda me sobra uma boiada"

Foi um silêncio profundo,
O peão deixou o povo mais pasmado
Pagando a pinga com mil cruzeiro,
Disse ao garçom pra guardar o trocado

"Quem quiser meu endereço
Que não se faça de arrogado
É só chegar lá em Andradina,
E perguntar pelo rei do gado"


22.5.20

Quem você é: "red pill" ou "blue pill'? Uma hora ou outra, teremos que sair da quarentena - e NADA estará seguro.





21.4.20

O lado bom das pandemias (bom? certeza?)




18.5.17

Poesia: Plantão



"É o Plantão, no ar, com as notícias do dia" ...

Corre, corre, corre, sua.
Chora.

Colo, colinho.

Chão. 

Bebê que não para.
Lindinha da mãe.

Corre, corre, corre, chuta, bate.

Chora.

Colo, não quer, colo, não quer!!!

Chão.

Anda, para, vai, desenha,
pega caixa.

Corre, corre, corre, corre com a caixa.

Cai no chão.

Chorinho, chorinho... CHORÃO!!!!

Colo, colo, colo. Sem parar, mais colo.

Naninha.

Colo, aguinha. Quarto.

Cozinha (chorinho ao fundo).

Armário, lata.

"Preparado especialmente para crianças de 6 meses a 2 anos".

Fogo.
Mamadeira, água, pó.
Chooc, chooc, chooc.

Leite. 

Glub, gloob, glub.

ZZZZZZZ ...


- E as notícias, que coisa... você viu que o presidente renunciou?
- (zzzzz) Não.

- Mas como não? Você não vê o "Plantão"? Que alienada....

fps, 18/05/2017, 15:12




25.10.15

Reflexão sobre o ENEM mais difícil da História ...

Todo mundo falando, então ... porque não eu?Muitos aqui e no Twitter falando sobre a redação do ENEM, mas pouca gente...
Posted by Fábio Peres on Domingo, 25 de outubro de 2015

7.7.10

Poesia

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Passos rápidos para o fim do mundo

Chegará o dia
em que será totalmente proibido
fumar e beber.

Aí,
restará aos nossos filhos apenas
cheirar, injetar ...

E, ah, esqueci!!

Transar.

De todo jeito,
de toda forma,
com toda gente,
já que toda forma de amar é permitida.

E então ...

Aí,
teremos proibido até essas formas de fuga.

E nos restará ...

entupir-se de gatorade,
e fartar-se de capim santo.

E dar um tiro na cabeça,
lógico,

cientes de que o fim do mundo
enfim chegou.

fps, 07/07/2010, 10:15