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16.10.22

Lula vs Bolsonaro: esqueçam as baboseiras, foco na realidade!

Bolsonaro falando nas meninas venezuelanas e Lula citando Pelotas ou tendo comportamentos lascivos na cadeia em 79 estão na mesma categoria - bravatas. 

O que deveria nos preocupar são detalhes pouco percebidos, mas vitais para nosso futuro:

  • caso Lula seja eleito ele vai prosseguir com a política desenvolvimentista de Dilma, que culminou, além do "petrolão", na existência de uma cloaca cheia de dinheiro público desperdiçado em políticas com muita vontade, mas pouca efetividade?
  • se Bolsonaro conseguir o milagre de ficar no cargo ele continuará tratando a coisa pública como algo que só interessa aos 30% de eleitorado que acham que Estado bom é Estado nulo, e que o regime de Pinochet só errou em ter matado pouco comunista?
O resto é prosopopeia flácida para embalar bovinos. Conversa para boi dormir, reforçada pela realidade cruel, na qual o melhor administrador não é, necessariamente, exemplo de conduta.

15.10.22

A diferença que pode matar o segundo turno no Brasil: o ogro não queima dinheiro. OU: foco no churrasco.

Tempos atrás escrevi uma metáfora do primeiro turno das eleições, comparando-o à troca de um churrasqueiro experiente, porém escroto, pelo "namorido" de uma das convidadas, que deixou a desejar no manejo da carne - e no cuidado com o dinheiro do pessoal. Imaginava que Lula daria uma bela sova no Bolsonaro, pensando que o eleitorado estaria enojado com o "mito" e que desejava mudanças, a qualquer preço, só para se ver livre do ogro que nos governa.

Ledo engano. 

O primeiro turno reforçou dois fatos: o Brasil é um país conservador até a medula; e o brasileiro de direita aprendeu o que significa fidelidade partidária - ou ideológica, que transcende os rótulos partidários. Quem foi eleito pelo bolsonarismo sabe que não poderá falhar na defesa deste projeto, sob pena de ser ejetado do poder pelos "minions", como demonstram as votações de Joyce Hasselmann e Alexandre Frota em 2022.

A direita bolsonarista aprendeu com a esquerda radical: se não defende o "mito" não é digno do meu voto - o que não deixa de ser uma evolução do eleitorado, ainda que não seja a eternização da polarização PT vs PSDB desejada por cientistas políticos especializados no assunto.

...

Fenômeno bastante estranho, aliás, é o que está ocorrendo no segundo turno: radicalização do discurso de Lula, e tranquilidade aparente nas falas de Bolsonaro no horário político. O esquerdista de carteirinha do PT vibra, com a "reação" do "barbudo" - mas se esquece de que campanha, e governo, não são voltados somente aos que sonham com um governo "progressista socialista" com certeza, mistura daquelas "democracias populares" de Venezuela e Cuba (e, desculpem a ironia: eles acreditam MESMO nisso).

Governo, no Brasil, pressupõe coalizão de interesses e responsabilidade, coisa que Lula ainda não mostrou que irá fazer, muito pelo contrário. O que vem por aí, já citou o ex-presidente, é mais do Estado indutor, a política de busca do desenvolvimento sem limites, que já foi tentada mais de uma vez no país - mas que falhou em controlar os destinos do dinheiro investido e a efetividade deste retorno.

Lula se recusa a ser responsável, sinalizando que os interesses do mercado (e as certezas da sociedade) não serão atendidos, ao menos num primeiro momento - por esse motivo soa como um irresponsável, influenciado por pessoas que, de experiência em experiência, fizeram país atolar em crises no passado. Acrescente-se a isso a insistência em entrar nas pautas morais, em que Bolsonaro nada de braçada, e está pronto o cenário no qual a perspectiva de uma virada inédita em segundo turno é cada vez mais real.

A sorte do "barbudo" é que economia vai bem, mas o povo vai mal; só por isso Lula ainda está na frente nas pesquisas. Cada vez mais, contudo, percebe-se que de um lado há alguém que gastaria todo o dinheiro do governo em experiências desenvolvimentistas, de resultados duvidosos - e do outro lado há um "ogro", que, apesar de agir constantemente de forma indigente com relação o cargo que ocupa, não rasga nem queima dinheiro, o que faz bastante importância para o cidadão comum.

...

Um colega de longa data meu texto, e respondeu de forma seca: "FOCO NO CHURRASCO". Será que isso significa que o povo brasileiro tenha percebido o que realmente está em jogo nesta eleição?

Saberemos, em 30/10.

22.9.22

Mulheres, jovens, baixa renda: quem (e o que) está derrotando Bolsonaro, o "tiozão do churrasco"

Este que vos escreve ia redigir a explicação do texto anterior, a parábola sobre o Brasil de 2022 - mas os institutos de pesquisa foram mais rápido do que eu, como detalha a Folha, via UOL:

"A nova pesquisa do Datafolha captou uma variação favorável à candidatura de Lula (PT) nos segmentos da população em que o atual presidente apresenta alguns de seus piores índices negativos nesta corrida.

Na última semana, Lula registrou ganhos entre os mais jovens, entre as mulheres e entre os eleitores de baixa renda. Em todos esses grupos, a rejeição a Bolsonaro parece consolidada, chegando a beirar a casa dos 60%"

Mulheres, jovens, eleitores de baixa renda. São esses os grupos que mais tem ódio ao "machista, racista, fascista, chauvinista porco e insensível" que hoje governa o nosso país - e são eles que, assim como Trump, vão ter um alívio imenso em ver Bolsonaro longe do comando da nação.

...

Se você estranhou as aspas acima, saiba que elas tem um bom motivo: Bolsonaro governou o Brasil de 2019 a 2022 tendo foco em um segmento específico da sociedade, o direitista que se diz liberal na economia e conservador nos costumes. Foi para ele, o cidadão que inveja os Estados Unidos (e seus poucos impostos) e suspira por governantes que sejam efetivos contra criminosos e militantes de todo tipo (na base do chumbo, de preferência), que Bolsonaro governou. 

Foi ele, o "minion" padrão, que garantiu os 30% de apoio ao governante mais tosco que esse país já teve na História. Era esse cara que, tal e qual os homens da parábola, degustavam o churrasco no ponto de bala e a cerveja gelada, esquecendo-se das mulheres que iam para um almoço, das crianças que não tomavam refrigerante - e, porque não, dos empregados destratados pelo tiozão que operava a churrasqueira, seja através de insultos ou de outros tipos de sandices que fazia.

...

Poucas são as pessoas que apreciam carnes mal passadas, marca registrada de um bom churrasco (na opinião dos homens). Sempre ouvimos que a carne boa para consumo é a bem passada, "sola de sapato", de tal forma que um péssimo churrasqueiro pode ser simplesmente ignorado, desde que não profira impropérios à mesa e que traga algo de diferente  para o almoço.

Como um suco, para as crianças, um franguinho grelhado - ou uma divina caponata.

...

Meu palpite é que Lula será eleito, provavelmente no primeiro turno, e vai retomar a prática usual da Nova República de lotear cargos e multiplicar ministérios, para agradar segmentos sociais e dividir o poder entre os grupos políticos. Fazenda e Planejamento vão voltar, Trabalho idem, e a Cultura terá novamente o "destaque" (leia-se: grana) que sempre almejou.

Com o tempo o orçamento secreto será transformado em algo mais do controle do Executivo, e as pautas voltarão a ser ditadas por Brasília, em detrimento do Brasil. Educação voltará a ser tratada como algo essencial, na mais tenra idade, e passaremos a gastar os tubos com projetos mirabolantes, a fim de reforçar nosso papel de "anão orgulhoso" da diplomacia internacional.

Até que... o marido vai ver a conta da fatura. Dinheiro desperdiçado, gastos inúteis, e muita gente que vai embolsar a grana da picanha e entregar coxão duro passado na maquininha.

...

A diferença, talvez, estará na existência de uma direita. Bolsonaro vai se aposentar, mas o bolsonarismo não vai morrer - não enquanto existir a tendência inexorável do político brasileiro a agir de forma corrupta, e da mídia em explorar os escândalos à exaustão.

Será que aprenderemos, um dia? Não saberia dizer - mas de uma coisa este escriba tem certeza: quem não sabe o que está em jogo vai continuar se deliciando com uma caponata "ma-ra-vi-lho-sa", enquanto come e bebe cerveja de quinta, néctar de quarta e carne de segunda.

"O tiozão do churrasco e o 'namorido' da 'miga' empoderada: uma metáfora do Brasil de 2022"

Numa casa brasileira os donos tinham o hábito de periodicamente promover um churrasco. Convidavam os amigos e parentes, do marido e da esposa, e passavam bons momentos, jogando conversa fora, comendo e bebendo para celebrar a vida.

Nos últimos churrascos quem estava cuidando da churrasqueira era um parente do marido. Excelente pilotando a grelha, fazia questão de comprar as melhores carnes e a cerveja, sempre da melhor marca, e que estava estupidamente gelada, além do o refrigerante, para a garotada. 

No dia, chegava duas horas antes do início das festividades, para preparar a carne com o sal grosso "de lei" - de tal forma que, na hora certa, ia mandando as carnes aos poucos, na maioria mal passadas ou ao ponto, e umas poucas bem passadas, para os que "não gostam de sangue". 

Tudo feito com zelo, como convém a um bom churrasqueiro, a não ser por um detalhe: o cidadão era um tremendo ogro. "Tiozão do churrasco" mesmo, daquele que faz a piada clássica do "pavê ou pa cumê" - e que se torna rapidamente, à medida que a cerveja vai saindo do freezer e entrando na mente das pessoas, uma metralhadora de inconveniências, uma atrás da outra.

...

É piada machista pra lá, tirada jocosa de lá, e a mulherada cada vez mais constrangida, enquanto pegavam uns pedaços de carne e comiam junto com o arroz e feijão.

Sim, porque a parte feminina do churrasco também preparou algo além da carne. Arroz, feijão, salada, "batatonaisse", uns pedaços de frango (tostados pelo "tiozão" inconveniente), além de outras tantas coisas que fazem com que o churrasco de família não seja só um churrasco.

Naquele ano destacou-se em especial um prato: uma "caponata" de berinjela divina, feita pelo "namorido" de uma das "migues" da dona da casa. Esta 'miga', empoderadíssima, resolveu chamar a esposa num canto, reclamando do porque do "tiozão" do churrasco estar proferindo todo tipo de impropérios inconvenientes para todos - mulheres, crianças e homens (embora os últimos estivessem preferindo comer a carne e falar besteira do que se importar com o "tio do pavê").

Ao final, sugeriu a 'miga': "olha, se você quiser o meu 'namorido' pode ser o churrasqueiro daqui para a frente, ele é ótimo com carnes, conhece de-tu-do e sabe grelhar como ninguém - sem falar que foi ele que fez essa 'caponata' divina, olha só como to-do-mun-do-gos-tou-dela...".

...

Final da festa, a mulher vai falar com o marido, possessa da vida: "você precisa deixar o 'fulano' de fora, veja só quanta vergonha ele nos fez passar, ele é machista, chauvinista, racista, fico morrendo de vontade de sumir quando ele fala aquelas coisas horríveis, e isso, e aquilo, e...".

O marido, cansado, não está a fim de discordar da esposa. Quer paz, e aceita a sugestão da patroa: no churrasco seguinte eles não convidarão o 'tiozão' e o 'namorido' vai assumir a churrasqueira.

...

No churrasco seguinte o alívio é geral por parte das mulheres. O tiozão do churrasco não vai estar lá, já foram avisadas de antemão pela dona da casa - motivo pelo qual muitas até se animaram mais com os pertences. O arroz está mais soltinho, o feijão, radiante, bastante verduras, e a soberana 'caponata' de berinjela, reinando entre os acessórios do almoço familiar.

Sim, almoço. Porque o churrasco...

Bem, o afamado 'namorido' se provou um tremendo fiasco: chegou em cima da hora, botou as carnes de qualquer jeito na grelha, deixou muita coisa passada demais, inclusive queimando algumas carnes (algumas, não; muitas). 

Usou uma mistura de temperos na carne que tinha tudo, menos sal grosso. Inventou de fazer legumes na chapa e colocou mais frango para grelhar - que nem as crianças comeram direito, já que estapearam as poucas linguicinhas que haviam sido deixadas para esturricar pelo gaiato.

No final, até a cerveja estava morna - e de uma marca horrorosa, que nunca tinha passado pelo freezer do dono da casa. Refrigerante? Trouxe suco - que acabou sobrando.

...

Depois de todos se despedirem, não antes de ter desfrutado da sobremesa (pudim aerado, acompanhado de um suspiro esquisito que alguém chamava de "pavlova"), o marido chama a esposa no canto. Está com cara de poucos amigos, entre decepcionado e possesso.

"- Mas o que foi, querido?" 

"- O que foi? Você vai ver...".

Mostra a ela um cupom fiscal, das compras do churrasqueiro - que, neste caso, se responsabilizava por tudo, do início ao fim do processo. Verifica-se que o açougue não é o mesmo em que compravam a carne; é outro, de qualidade bem inferior; que tudo tinha sido comprado por um preço bem mais caro do que o 'tiozão' comprava; fora uma série de outras coisas que fizeram o dono da casa desabafar com sua esposa:

- Você me disse para chamar esse cara pra fazer o churrasco. Pois bem: ele trouxe cerveja ruim, carne ruim, errou o ponto de TUDO no churrasco e ainda pagou mais caro pelas carnes e pelo resto. ELE ROUBOU TODO MUNDO!!!! O que você me diz disso?

E a esposa, entre sem jeito e sem paciência, retrucou:

- É... mas você viu como o ambiente estava mais leve, sem gente inconveniente? Foi um almoço excelente... sem falar que a caponata estava maravilhosa... você deveria tê-la provado... um luxo de gostosura!!!!


20.9.22

Celtic, Rangers e Bolsonaro em Londres, ou Lula em Curitiba: (quase) tudo a ver


 "Se você odeia a família real, bata palmas". 

Foi assim que o Celtic, da Escócia, mostrou que não dava a mínima para a morte de Elizabeth II, atitude reforçada pelo "F...-se a Coroa" que a torcida ostentava em uma faixa em jogos anteriores.

Celtic, católico e pró-Escócia soberana, contra Rangers, protestante e a favor do Reino Unido - uma rivalidade que parece tosca (e é, como todas as rivalidades cegas), mas reflete posicionamentos políticos para além das quatro linhas.

Mais ou menos como o que Bolsonaro e seus seguidores tem feito, em Londres e na ONU, ou como faziam os seguidores de Lula nos tempos da prisão deste em Curitiba.

...

Ultimamente a vontade tem sido parar o mundo e pedir para descer, mas não dá para fazer isso de uma maneira fácil. Elegeram Bolsonaro porque ele era sem noção, esquecendo-se de que o Brasil teria uma imagem a zelar lá fora - e o resultado está aí, refletido em vexames internacionais, que se repetem continuamente aos olhos do Brasil e do mundo.

"Mas não falaram nada quando a Dilma, o Lula, o PT...".

Bem, desculpe afirmar, mas a mídia fazia suas críticas nos tempos antigos. O que ela não fazia era demonstrar vergonha pelas atitudes do governo - porque elas eram, em regra, feitas dentro do território brasileiro (Dilma ensaiou falar do golpe na ONU, mas, para a sorte do país, recuou).

E, de fato, o PT é sem noção, mas Lula e Dilma tinham um pouco de vergonha na cara. No caso de sua versão direitista, Bolsonaro não tem decoro e os "minions" não querem que ele tenha.

...

O Brasil está chegando ao final de um longo churrasco de fim de semana, que começou em 2018, sendo pilotado por um tiozão que sabia manipular a grelha mas só falava besteira, uma coisa mais inoportuna do que a outra. Agora, em 2022, as últimas carnes estão saindo do forno, o que restou está sendo juntado em "marmitinhas", algumas coisas vão virar farofa em um futuro breve...

... mas o tiozão insiste que vai ficar na grelha por um bom tempo. Ele não sabe, mas quando o churrasco acabar lhe darão um "tchau, vá com Deus" - e não vão lhe convidar para novos eventos, preferindo deixar o controle da churrasqueira na mão de alguém mais, digamos... experiente.

Se ele vai cuidar bem do churrasco, não sei. Aliás, esse seria um excelente assunto para outro texto - que este escriba deve publicar, assim que a inspiração bater de novo.

17.10.21

Panorama da pandemia: poderia ter sido diferente?

Nosso governante é um banana e não deveria ter sido negacionista.

Tendo começado esse "post" com algo tão óbvio quanto o céu azul de um dia de calor, vamos para a primeira polêmica: ao contrário do senso comum nas hostes oposicionistas, não dá para dizer que outro governante faria melhor do que Bolsonaro está fazendo (ou deixando de fazer). 

...

Se fosse o PT, por exemplo, teríamos embarcado no sonho da vacina 100% nacional, e esse "minha vacina (cubana) minha vida" faria os defensores dos laboratórios americanos subirem nas tamancas com a mesma ênfase com a qual condenam a Prevent Senior - cujo único crime, no frigir dos ovos, foi tratar o cliente do plano de saúde da forma que este pediu.

Quer dizer, da forma que o cliente MANDOU - pois é isso que plano de saúde faz.

...

Por semelhante modo, outra conclusão polêmica: é mais fácil controlar uma pandemia quando o governante realmente pode te trancar em casa, seja ameaçando por prisão ou por multas pesadas. Nesse contexto, o Brasil e os brasileiros foram de uma burrice ímpar, discutindo a todo tempo se a economia valia mais do que as vidas (algo que equivale a perguntar ao cidadão se ele prefere morrer pela peste, hoje, ou pela fome, a longo prazo), e se esquecendo de que seria preciso muito mais do que impor barreiras no trânsito para que o trabalhador mediano ficasse em casa, à míngua.

A vantagem, por outro lado, é que quem não pode ficar em casa não tem frescura para tomar picada: o país do Zé Gotinha mostrou que é mais esperto do que o seu Presidente - e se vacinou.

...

Quanto ao "mito"... bom, ele governa para os 30% de "minions", vive por eles e morrerá por causa deles, os que acham frescura dar auxílio emergencial a granel em troca de "lockdown" eterno. Está sendo atrapalhado pelos surtos de liberalismo, que fazem o agronegócio prosperar como nunca - mas tem uma sorte imensa, pois os únicos que os crucificam são os que jamais votariam nele.

Bolsonaro é uma anta, perdeu apoio entre a população por ter deixado a inflação correr solta - mas, num paradoxo dos tempos em que vivemos, tem o caminho para 2022 facilitado porque não há terceira via viável. Aliás, como haver alternativas, se todo mundo que se oferece para combater Lula e o "mito" tem que, por exigências da mídia e da elite pensante, ser absolutamente... sem sal?

...

Este escriba acredita piamente que ditaduras se deram melhor do que democracias no controle da pandemia, e que, por motivo semelhante, países parlamentaristas se deram melhor que os presidencialistas, já que que discordar do primeiro-ministro por qualquer coisa causa crise institucional séria (voto de desconfiança, antecipação de eleições e outras coisas indesejáveis para o parlamento).

Quem manda não pede, e quem tem poder de comando impõe a ordem - principalmente quando só uma pessoa tem o poder, como nos Estados unitários, que levaram vantagem sobre as federações e suas discussões intermináveis entre iguais (fora as questões sobre competência, que fizeram o STF "humilhar" Bolsonaro e levar, em troca, a maior desculpa esfarrapada da História republicana, "eu queria fazer alguma coisa mas o STF não deixa" por parte do "mito").

...

Poderia ter sido diferente? Poderíamos ter nos saído melhor, com menos mortes? Talvez, MAS...

... mas o mais provável é que continuaríamos agindo na pandemia como um país de pessoas que falam muito e fazem pouco, de muita discussão, bastante politicagem e pouca atitude, de arroubos espetaculares de alguns (como a Coronavac) e muitas atitudes egoístas, de todos os lados. Uma federação na qual os entes não entram em consenso, e que é salva, quase sempre, pelas atitudes individuais de pessoas comuns, que fazem o que é necessário, quando se precisa.

Estamos saindo da pandemia porque o povo está usando máscara, tomando alguns cuidados, se vacinando - e porque, para nossa sorte, o coquetel utilizado aqui segurou a "delta". A economia está arrasada, assim como a do mundo todo, mas aos poucos os que querem produzir estão correndo atrás das oportunidades, principalmente porque... não tem alternativa.

...

O Brasil sempre foi para a frente por causa das necessidades de seu povo. Não será diferente agora.

7.11.20

Caráter faz diferença. Se a eleição americana disse alguma coisa, foi isso.




Os Estados Unidos não se tornarão um país melhor com a vitória de Joe Biden. Metade dos americanos ainda acredita piamente nas ideias que levaram Trump ao poder, quatro anos atrás - e premiar o comportamento "antifa" não é, exatamente, justo.

Entretanto, imagine-se na posição de gente que tinha medo, do racismo e das atitudes da extrema-direita. Eles podem até estar sendo (muito) ingênuos, confiando em políticos verdadeiramente profissionais - mas, hoje, tem o direito de comemorar, e de dizer: caráter faz diferença.

Faz TODA a diferença.



11.10.20

Nassif e o pacto de Bolsonaro com as elites: faz todo sentido

Luis Nassif manda bala em mais um dos seus textos de enxadrista, falando de um pacto que estaria em custo, entre as velhas elites de Brasília e o Presidente da República. Tal texto me faz lembrar dosdos tuítes do Alberto Carlos Almeida, aquele
que escreveu "A cabeça do brasileiro" - e que vem, constantemente,
repetindo que as instituições estão funcionando perfeitamente. 
 
 
 
De fato, é
possível que Bolsonaro tenha sido enquadrado pelo "sistema" - seja pelo
medo de ver os filhos (e o próprio) presos ou pela provável falta de
governabilidade que viria pela falta de parceiros (e que o Centrão
supriu). Uma coisa, porém, ninguém lembra:
na Nova
República, o Presidente tem que agir como primeiro-ministro se quiser
terminar o mandato
sem ser atropelado pelas circunstâncias. 
 
Bolsonaro
já não tinha um Partido que o sustentasse, ou um grupo de pessoas que
lhe fosse fiel - e mesmo os que estavam com ele eram, no máximo, 10% da
Câmara e um pouco mais no Senado.

Como
governar assim? Ou você se impõe, no tapa, ou vende a alma e busca
apoios pela governabilidade. Com o Supremo, com o Centrão, com o que
está disponível.

É o que tem para hoje. Ou aceita, ou..

21.5.17

Poesia (ou prosa?): Porque a Revolução nunca aconteceu no Brasil?



Quando a Independência ocorreu, foi assim: 
o senhor distinto que estava em viagem se indignava, 
o regente rasgava as cartas enquanto se arrumava,
e o caboclo, distante, a tudo observava.

Mas não concordava. Nem discordava. E cuidava da vida.

Quando a República foi proclamada,
com a procissão pelas ruas anunciando o novo dia,
e o novo Presidente saudando o imperador que ia,
o ex-escravo, por perto, em tudo assentia.

Mas não concordava. Nem discordava. E cuidava da vida.

Quando Getúlio ameaçou invadir o Catete,
e proclamou o Estado Novo pela Rádio Nacional
o trabalhador ouvia o discurso, embebido pela cal,
e a dona de casa esperava pela novela.

Mas não concordava. Nem discordava. E cuidava da vida.

Quando os militares anunciaram novos tempos,
baixaram o Ato, sentaram o cacete em nome da Revolução.
Mas o cara do povo, pacato e nobre cidadão,
se embasbacava com os 10% de crescimento, o milagre.

Mas não concordava. Nem discordava. E cuidava da vida.

Veio a Nova República, desforra, a "Constituição cidadã".
Direitos fundamentais, revolução, uma elite satisfeita,
para desespero de muitos, gente considerada direita.
Mas o homem do povo, esse, como o "nove", não sabe de nada.

Não concorda. Nem discorda. Só cuida da vida.

Hoje, passeatas pelas ruas, redes sociais, lugares de fala.
Muita gente dizendo o que acha, palavras gritadas ao vento.
Mas o povo - velho e novo - não tem tempo para lamento.
Como lá no passado, e hoje, só consegue pensar no agora.

Não concorda. Nem discorda. Cuida da vida.

E só quer, de fato, uma coisa: 
que não fiquem em seu caminho.


fps, 19/05/17

10.9.16

Motivos para NÃO votar Haddad? Eu tenho alguns...

Corre um texto por aí, nas redes sociais, dizendo que temos que votar no Haddad porque "a cidade é (sic) as pessoas" e convocando todo mundo a largar de ser fantoche, porque o prefeito:

- Melhorou o trânsito
- Reduziu as mortes no trânsito
- Devolveu a rua para as pessoas em todas as subprefeituras
- Ressuscitou o Carnaval de rua de SP gerando receita
- Aprovou o plano diretor
- Construiu hospitais
- Construiu creches a ponto de quase zerar a fila de espera (vai zerar em 2 anos)
- Deu passe livre a 700 mil estudantes
- Construiu universidade
- Construiu mais de 400km de corredores e faixas de ônibus
- Entregou 400km de ciclovia
- Reduziu em 4 horas/semana o tempo gasto pelo trabalhador para ir e voltar do trabalho
- Criou um órgão de auditoria independente
- Não teve um caso de corrupção
- Não enriqueceu
- Regulamentou o Uber
- Reduziu a dívida do município

Vamos por partes: primeiro, ninguém pediu para o Haddad reduzir a velocidade nas ruas da cidade, nem construir ciclovias, tirar os carros das ruas aos domingos ou inventar faixas de ônibus onde elas não deveriam existir (como se o cidadão que usa carro fizesse isso por "vício", e não por necessidade).

A não ser que você seja um "modernette", do tipo que usa bicicleta para ir ao trabalho (ou que trabalhe em casa) a maior parte do que Haddad fez foi inútil para o cidadão paulistano. Este, o que vive nos bairros e se desloca por uma, duas horas para ir ao trabalho, precisa de alguém que faça a cidade funcionar do jeito que ele precisa, não da forma que a elite do eixo Paulista-Baixo Augusta-Pinheiros-"Vila Madá" sonha.

De que adianta reduzir o tempo gasto pelo trabalhador para ir de ônibus ao trabalho, se as baldeações forçam você a ir encaixotado, ou esperar mais tempo do que o previsto? Como se sente aquele que vê os estacionamentos proliferarem para todo lado, as ciclofaixas vazias, e sabendo que ele não pode simplesmente largar o carro e vir de "bike" ao trabalho?

De fato, ele conseguiu organizar as finanças da cidade, é um cara honesto, combateu a corrupção, fez o básico de governança que muitos desejam. Entretanto, isso é o que dá, mais raiva: Haddad seria o cara perfeito para governar a cidade, SE percebesse o que o cidadão quer de São Paulo.

Alguém que seja um síndico da cidade, que gerencie bem os nossos impostos - e que, sobretudo, NÃO INVENTE, não entre em modismos que não vão agregar valor para a vida do cidadão.

Que não fique achando que "precisamos evoluir", que entenda que São Paulo não é só o Centro, mas também os bairros, zonas e espaços - com diferentes necessidades, em todas as áreas.

Cidades são para pessoas, sim. Não devemos negar isso.
Mas pessoas querem a SUA cidade, não a dos outros.

Afinal de contas, não moramos em Amsterdam, Copenhague, ou Manhattan. Moramos em São Paulo.

E isso, lamentavelmente, Haddad não percebeu.

(original em https://www.facebook.com/trashetc/posts/1064309010312903)

17.1.15

Brasil 1, Indonésia 0 (ou: reflexões esparsas sobre pena de morte e tráfico de drogas)

Estranho ver a reação da "brava gente brasileira" com a execução de Marco Archer, ocorrida hoje na Indonésia

Gente que defende pena de morte no Brasil para todo e qualquer crime hediondo (e mesmo os não-hediondos, como a nossa decantada corrupção) se divide entre os que apontam a Indonésia como exemplo e os que não sabem o que dizer quando veem um compatriota seu sendo enviado à morte "por tão pouco".

O mundo civilizado é contra a pena de morte, e não é por menos: não há como reverter tal punição, e nenhum pagamento em pecúnia traz de volta a vida de alguém. Nosso país, nesse contexto, age muito bem, ao endossar os tratados internacionais que regem o assunto, e que condenam essa forma de sentença.

...

(Aliás, para os desavisados: tratado internacional aprovado pelo Congresso equivale à botar o texto na Constituição, o que significa que dificilmente a pena de morte entra no nosso ordenamento jurídico).

...

Dito isso, está todo mundo cumprindo seu papel: o presidente indonésio não foi eleito para ser o queridinho do mundo, mas para satisfazer um país que acha que "traficante bom é traficante morto". O governo brasileiro, por sua vez, age corretamente, ao defender seus cidadãos e endossar a imagem de país defensor dos Direitos Humanos lá fora - embora, aqui dentro, a sociedade insista em repetir o mantra dos "direitos humanos são para humanos direitos".

Claro ... até a hora em que um dos seus aparece na linha de tiro do carrasco.

...

Marco Archer tinha cara e jeito do "bom carioca", pelos depoimentos colhidos na imprensa. Suponho que achasse que sua esperteza o salvaria, como várias vezes acontece a quem comete o mesmo delito várias vezes com sucesso. 

Cometeu, entretanto, um erro crucial: foi cometer seus crimes em um país que por vários motivos, inclusive históricos (a Indonésia sofreu muito com o tráfico na Guerra do Ópio) trata com extrema dureza o traficante de drogas - a tal ponto que é preferível ser terrorista que agir como "mula"

Moído pela prisão, tornou-se um morto vivo, que espantava aqueles que o conheceram anteriormente. Poderia ter sido solto - mas esbarrou em um governo que não quis ceder; e que, na sua intransigência, foi muito mais indigno, diante do mundo civilizado, que o governo brasileiro.

...

Quando comparo o tratamento dado a Marco Archer ao que o Brasil prestou a gente como Cesare Battisti e Ronald Biggs, confesso que sinto um pouco de orgulho de nosso ordenamento. Mesmo tendo cometido crimes graves em seus países de origem, preferimos ser clementes, atender aos apelos humanistas e evitar que fossem condenados de forma injusta, seja por ter fixado uma vida aqui, ou porque havia medo do tratamento a ser dispensado lá fora.

Criminosos como eles não eram dignos, diante da sociedade, de toda essa proteção. Mas a receberam.

Mostrando que aqui, apesar de nossa "brava gente brasileiros", há uma esperança de que sejamos civilizados de fato. 

Assim como somos de direito.

...

Aos navegantes: algumas vezes escrevo textos opinativos com links para diferentes matérias, sobre assuntos do momento, com dados que coleto aqui e ali. Esse é um deles.

"Enjoy it!". Sem moderação.

2.10.10

Pitacos pré-eleição e pesquisa de opinião

Cansaço da política é absolutamente normal, e por isso não vou escrever nada, só indicar alguns posts por aí:

  • André Kenji levanta dúvidas sobre a facilidade do sistema de votação brasileiro, que, aliás, não foi feito para ser fácil mas sim para facilitar o trabalho de apuração pela Justiça Eleitoral; aliás, se fosse para ser fácil, separaríamos as eleições em mais de um dia ou juntaríamos as eleições estaduais com as municipais, dividindo melhor os esforços de digitação.
  • Se bem que, como toda mudança na política brasileira implica em gritaria geral, é melhor deixar como está.
  • O blog evangélico Crentassos vem com uma discussão boa, sobre a quantidade de babação de ovo em cima de alguns grandes líderes evangélicos em torno de seu apoio, que chegou a dedo no olho e ofensas entre os caciques das tribos neopentecostais que está mais para uma briga de bar sem bebida alcoólica.
  • Ou como discussão no Congresso Nacional (“com todo o respeito, mas V. Exª é um tremendo safado” …)
  • Ainda no campo evangélico, um ótimo texto de Helder Nozima no blog Bereianos alerta para o perigo de querermos uma teocracia cristã no Brasil, que parece ser o sonho de dez em cada dez evangélicos conservadores (ou protestantes, como queiram), mas que esbarra no óbvio: como pode o homem fazer um governo perfeito se ele nunca o será nesse mundo?
  • Sem falar que um dos motivos da Reforma Protestante foi justamente separar Igreja do Estado, para dar o direito aos cristãos de culturar a Deus sem interferência do rei ou presidente do momento.
  • E que foi bom para todos, cristãos, ou não.

De tempos em tempos, esse blogueiro faz um post denominado “Aviso aos navegantes”, em que tenta ser interativo com a meia dúzia de dez pessoas que nos lêem continuamente: só que de vez em quando vale a pena fazer uma avaliação do nosso trabalho.

E por isso, pergunto: o que estão achando dos últimos posts? Do que vocês mais estão gostando? Mas, principalmente, quem são vocês que vem a esse pequeno espaço e que nos prestigiam, lendo, sentindo e comentando (às vezes) o que se escreve por aqui?

Falem, comentem, digam a que vieram; é sempre bom obter feedback, mesmo que esse seja, lá no fundo, apenas mais um blog por aí.

P. S. I: Deveria ter parado, mas não deu para evitar: até porque, lendo textos como esse, temos bons motivos para dizer que a Igreja evangélica brasileira está muito, mas muito longe mesmo, de ser realmente “sal da terra” e “luz do mundo”.