Mostrando postagens com marcador Política etc.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política etc.. Mostrar todas as postagens

1.8.25

Um paradoxo: Lula é o maior vitorioso e o maior derrotado da crise com os EUA

 


Pela primeira vez o governo dá uma bola dentro em comunicação: quer coisa mais simples do que mandar Geraldo Alckmin tomar café com a melhor amiga das donas de casa brasileiras, naquele estilo que qualquer um com mais de dois neurônios sabe que é "versão oficial disfarçada" - mas que sempre funciona?

Maravilhoso - mas, mais do que isso: duvido que tenha sido obra da Secom ou do comportamento idiota do petismo militante. Os ideólogos do governo não tem essa genialidade toda.

...

A impressão, mais do que evidente, é que no primeiro momento em que os donos do dinheiro foram ameaçados responderam com um "cala a boca, Lula, agora os adultos vão entrar em campo" - e botaram o Ministro do Desenvolvimento para trabalhar, junto com parlamentares do Centrão (que também representa quem faz este país andar) e representantes do setor produtivo (que foram atrás da Secretaria de Comércio implorando para separar o que deveria ser isento de tarifas pelo governo americano).

...

Para este que vos escreve os EUA fizeram o óbvio: pegaram uma folha de papel, separaram o que eles precisam do que não precisam, livraram os primeiros do "imposto regulador" e deixaram os segundos levarem o simbólico "ferro" de 50% de taxa.

Já que, aliás, comida não se taxa - em lugar nenhum do mundo.

...

No mais, os Bolsonaro podem comemorar o susto que deram nos ministros do STF; Lula pode posar de vitorioso para o NYT (e sumir depois disso); os esquerdistas e direitistas do Twitter podem falar o quanto quiser, MAS...

... quem está sorrindo, discretamente?

O chuchu, que deveria ser nosso primeiro-ministro de fato desde 2023.

Não a Gleise. 

Não o Haddad. 

Não a Janja. 

(PRINCIPALMENTE, não a Janja...).


23.1.25

Quem filtra as mensagens do Presidente?

24.12.24

O segredo da China...

18.12.24

Vamos ser sensatos: o "golpeachment" já está ocorrendo, por parte do "mercado" (ou seja: quem tem dinheiro para investir)

Ninguém com dinheiro confia mais no governo, e os grandes agentes econômicos - muitos deles votantes do adversário do "barbudo" em 2022 - já deram sua sentença: melhor botar o dinheiro embaixo do colchão, tirar o que se pode do país e deixar os agentes estatais choramingando contra o "ataque".

Agora, para azar de Lula, ele não pode "venezuelizar" de uma vez o país: o mesmo STF que pune aventuras golpistas por terem atentado contra a democracia seria implacável com o "barbudo" (ou qualquer um) se as regras constitucionais não forem seguidas para tornar o sistema diferente disso aí.

Nossa democracia é fraca, mas o mesmo pau utilizado para prender os velhinhos seria adotado para evitar outras tentativas de regimes de exceção - a não ser que se cruzasse o rubicão pelas armas, coisa que, particularmente, duvido que a esquerda consiga fazer (ninguém quer sair dos quartéis para tanto).

O mercado vai acabar dando um jeito em Lula, de um jeito ou de outro.

É só aguardar a "gambiarra" que vão inventar.

21.11.24

Sobre a "Lava Jato" do mundo bizarro e a iminente prisão de Bolsonaro (ou não)...

Esquerdista é um bicho idiota o suficiente para achar que vai tripudiar porque Bolsonaro corre o risco de ser preso por uma tentativa de golpe, se esquecendo de que:

  • metade dos bolsonaristas adoraria ver Lula, Moraes e a tropa do STF sofrendo este golpe;
  • a outra metade ainda tem (muito) nojo de ser governada por um presidente que considera ladrão, assessorado por um "estabilishment" que trabalha a favor da esquerda (para eles).

As pessoas não sabem, mas a Constituição de 88 é extremamente dura com os 3TH (terrorismo, tortura, tráfico e crimes hediondos). Não é errado, confesso, "gato escaldado tem medo de água fria", mas a população não tem amor nenhum pelas instituições, até porque não vê os resultados práticos do que está na lei - donde se conclui que o impacto da investigação de golpe contra Bolsonaro e os outros 37 vai ter a mesma comoção de sempre na sociedade, ou seja: nada.

A esquerda conseguiu enquadrar o 08/01 como ato terrorista, e Moraes, como juiz natural do processo, está usando de suas prerrogativas para fazer o que está na lei. Antes de vibrar, contudo, os retardados que ficam falando em "sem anistia" deveriam se lembrar de uma frase célebre de Mao Tse-Tung, a besta que levou milhões na China à fome mas soube fazer uma Revolução:

"A revolução não é o convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. 

A revolução é um insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra."

Quem quiser dar golpe vai dar - e a direita é melhor nisso que a esquerda, ao menos no Brasil.

6.11.24

Sobre as eleições americanas...

Lembro de que há quatro anos atrás a Pensilvânia foi o Estado que significou a repulsa ao que Trump e seu isolamento significavam - e que o voto pelo correio, de quem não pode faltar ao trabalho na terça, ajudou a eleger Biden e mandar o "agente laranja" para casa.

De 2018 para cá, contudo, os democratas acharam que foram eleitos por causa de suas virtudes, e não dos defeitos de Trump.

A economia americana vai bem, nos indicadores - mas no dia-a-dia o cidadão vai mal, seja por causa de uma pandemia no meio do caminho (que não é culpa de ninguém, ressalte-se isso) ou de todas as decisões erradas que fizeram o dinheiro se concentrar na mão de uns poucos (curiosamente os mesmos que fazem discursos bonitos pela manhã e participam de bacanais inacreditáveis nas festinhas dos rappers de LA e NY).

Não tinha como manter essa gente no poder - ainda mais com uma candidata que zomba dos que temem a Deus em comício e baseia sua campanha na legalização da maconha e do aborto (assunto que, lá, é competência estadual).

Tiraram o gagá para colocar a sem noção, é isso?

...

Se há quatro anos a eleição foi decidida pelos imigrantes, esta foi marcada pelos homens, negros e latinos, que viraram a casaca. Gente como Julius, o pai do Chris, de dois empregos e muito suor no rosto - e que, provavelmente, estaria desocupado nesta terça, por falta de emprego e perspectiva.

Pois bem: Julius foi votar ontem - e ajudou a colocar Trump de volta no poder.

Francamente... faz sentido.

@maga Amen, Mr. President! #maga #fypage ♬ original sound - Make America Great Again

24.9.24

O debate do Flow foi uma droga? Grande coisa...

@tabataamaralsp

São Paulo merece mais do que isso.

♬ som original - Tabata Amaral

Mais um debate em que acontecem tumultos envolvendo Pablo Marçal, o "coach" picareta que se tornou o homem a ser derrotado na disputa pela prefeitura de São Paulo - e no qual se perdem oportunidades para "discutir propostas", como disse a candidata queridinha da mídia mais "hipster" no desabafo acima.

(aliás, eis um elogio: Tábata Amaral dizendo "m..." está melhor que a Sandy, que conseguiu a proeza de cantar "Ciranda da Bailarina" e não citar o "pentelho" que Chico Buarque colocou na música... que bom que ela não age sempre como a representante de classe perfeitinha...)

...

O problema, porém, é maior do que isso. 

Debate como forma de "discutir propostas" virou perda de tempo desde hoje que entidades da sociedade civil organizada passaram a impor pautas à cidade, seja via Judiciário ou elegendo seus candidatos diretamente (e passando pano para os erros dos iluminados, como se vê pelas pautas da imprensa em administrações como a de Fernando Haddad - e pelas atitudes de muita gente sem noção, que defende cegamente a ideia de uma "cidade para pessoas" sem consultar as pessoas que vivem nela).

Votar está valendo cada vez menos na impressão da população - e isso se dá justamente por causa de pessoas como os financiadores de Tábata, que imaginam poder construir uma sociedade "perfeitinha" agindo de forma ditatorial contra quem não concorda com seus pressupostos. Deveriam lembrar-se de que cidadãos, num país como o Brasil, querem serviços públicos de qualidade em um formato e padrão que lhes satisfaça (não a camiseta de tamanho único que o governo insiste que eu deveria aceitar como o "certo", ou o "melhor" para mim.

Eu, cidadão de São Paulo, não quero uma "cidade para pessoas". Eu quero uma cidade para MIM, para MINHAS demandas, para o que EU entendo como algo que possa resolver o MEU problema.

Se os candidatos em questão entendessem isso teríamos discussões que realmente valeriam a pena - e não estaríamos admirando o pombo enxadrista que tornou esta eleição bastante emocionante.

Para o bem, e para o mal.

16.10.22

Lula vs Bolsonaro: esqueçam as baboseiras, foco na realidade!

Bolsonaro falando nas meninas venezuelanas e Lula citando Pelotas ou tendo comportamentos lascivos na cadeia em 79 estão na mesma categoria - bravatas. 

O que deveria nos preocupar são detalhes pouco percebidos, mas vitais para nosso futuro:

  • caso Lula seja eleito ele vai prosseguir com a política desenvolvimentista de Dilma, que culminou, além do "petrolão", na existência de uma cloaca cheia de dinheiro público desperdiçado em políticas com muita vontade, mas pouca efetividade?
  • se Bolsonaro conseguir o milagre de ficar no cargo ele continuará tratando a coisa pública como algo que só interessa aos 30% de eleitorado que acham que Estado bom é Estado nulo, e que o regime de Pinochet só errou em ter matado pouco comunista?
O resto é prosopopeia flácida para embalar bovinos. Conversa para boi dormir, reforçada pela realidade cruel, na qual o melhor administrador não é, necessariamente, exemplo de conduta.

Lula vs Bolsonaro: esqueçam as baboseiras, foco na realidade!

Bolsonaro falando nas meninas venezuelanas e Lula citando Pelotas ou tendo comportamentos lascivos na cadeia em 79 estão na mesma categoria - bravatas. 

O que deveria nos preocupar são detalhes pouco percebidos, mas vitais para nosso futuro:

  • caso Lula seja eleito ele vai prosseguir com a política desenvolvimentista de Dilma, que culminou, além do "petrolão", na existência de uma cloaca cheia de dinheiro público desperdiçado em políticas com muita vontade, mas pouca efetividade?
  • se Bolsonaro conseguir o milagre de ficar no cargo ele continuará tratando a coisa pública como algo que só interessa aos 30% de eleitorado que acham que Estado bom é Estado nulo, e que o regime de Pinochet só errou em ter matado pouco comunista?
O resto é prosopopeia flácida para embalar bovinos. Conversa para boi dormir, reforçada pela realidade cruel, na qual o melhor administrador não é, necessariamente, exemplo de conduta.

15.10.22

A diferença que pode matar o segundo turno no Brasil: o ogro não queima dinheiro. OU: foco no churrasco.

Tempos atrás escrevi uma metáfora do primeiro turno das eleições, comparando-o à troca de um churrasqueiro experiente, porém escroto, pelo "namorido" de uma das convidadas, que deixou a desejar no manejo da carne - e no cuidado com o dinheiro do pessoal. Imaginava que Lula daria uma bela sova no Bolsonaro, pensando que o eleitorado estaria enojado com o "mito" e que desejava mudanças, a qualquer preço, só para se ver livre do ogro que nos governa.

Ledo engano. 

O primeiro turno reforçou dois fatos: o Brasil é um país conservador até a medula; e o brasileiro de direita aprendeu o que significa fidelidade partidária - ou ideológica, que transcende os rótulos partidários. Quem foi eleito pelo bolsonarismo sabe que não poderá falhar na defesa deste projeto, sob pena de ser ejetado do poder pelos "minions", como demonstram as votações de Joyce Hasselmann e Alexandre Frota em 2022.

A direita bolsonarista aprendeu com a esquerda radical: se não defende o "mito" não é digno do meu voto - o que não deixa de ser uma evolução do eleitorado, ainda que não seja a eternização da polarização PT vs PSDB desejada por cientistas políticos especializados no assunto.

...

Fenômeno bastante estranho, aliás, é o que está ocorrendo no segundo turno: radicalização do discurso de Lula, e tranquilidade aparente nas falas de Bolsonaro no horário político. O esquerdista de carteirinha do PT vibra, com a "reação" do "barbudo" - mas se esquece de que campanha, e governo, não são voltados somente aos que sonham com um governo "progressista socialista" com certeza, mistura daquelas "democracias populares" de Venezuela e Cuba (e, desculpem a ironia: eles acreditam MESMO nisso).

Governo, no Brasil, pressupõe coalizão de interesses e responsabilidade, coisa que Lula ainda não mostrou que irá fazer, muito pelo contrário. O que vem por aí, já citou o ex-presidente, é mais do Estado indutor, a política de busca do desenvolvimento sem limites, que já foi tentada mais de uma vez no país - mas que falhou em controlar os destinos do dinheiro investido e a efetividade deste retorno.

Lula se recusa a ser responsável, sinalizando que os interesses do mercado (e as certezas da sociedade) não serão atendidos, ao menos num primeiro momento - por esse motivo soa como um irresponsável, influenciado por pessoas que, de experiência em experiência, fizeram país atolar em crises no passado. Acrescente-se a isso a insistência em entrar nas pautas morais, em que Bolsonaro nada de braçada, e está pronto o cenário no qual a perspectiva de uma virada inédita em segundo turno é cada vez mais real.

A sorte do "barbudo" é que economia vai bem, mas o povo vai mal; só por isso Lula ainda está na frente nas pesquisas. Cada vez mais, contudo, percebe-se que de um lado há alguém que gastaria todo o dinheiro do governo em experiências desenvolvimentistas, de resultados duvidosos - e do outro lado há um "ogro", que, apesar de agir constantemente de forma indigente com relação o cargo que ocupa, não rasga nem queima dinheiro, o que faz bastante importância para o cidadão comum.

...

Um colega de longa data meu texto, e respondeu de forma seca: "FOCO NO CHURRASCO". Será que isso significa que o povo brasileiro tenha percebido o que realmente está em jogo nesta eleição?

Saberemos, em 30/10.

A diferença que pode matar o segundo turno no Brasil: o ogro não queima dinheiro. OU: foco no churrasco.

Tempos atrás escrevi uma metáfora do primeiro turno das eleições, comparando-o à troca de um churrasqueiro experiente, porém escroto, pelo "namorido" de uma das convidadas, que deixou a desejar no manejo da carne - e no cuidado com o dinheiro do pessoal. Imaginava que Lula daria uma bela sova no Bolsonaro, pensando que o eleitorado estaria enojado com o "mito" e que desejava mudanças, a qualquer preço, só para se ver livre do ogro que nos governa.

Ledo engano. 

O primeiro turno reforçou dois fatos: o Brasil é um país conservador até a medula; e o brasileiro de direita aprendeu o que significa fidelidade partidária - ou ideológica, que transcende os rótulos partidários. Quem foi eleito pelo bolsonarismo sabe que não poderá falhar na defesa deste projeto, sob pena de ser ejetado do poder pelos "minions", como demonstram as votações de Joyce Hasselmann e Alexandre Frota em 2022.

A direita bolsonarista aprendeu com a esquerda radical: se não defende o "mito" não é digno do meu voto - o que não deixa de ser uma evolução do eleitorado, ainda que não seja a eternização da polarização PT vs PSDB desejada por cientistas políticos especializados no assunto.

...

Fenômeno bastante estranho, aliás, é o que está ocorrendo no segundo turno: radicalização do discurso de Lula, e tranquilidade aparente nas falas de Bolsonaro no horário político. O esquerdista de carteirinha do PT vibra, com a "reação" do "barbudo" - mas se esquece de que campanha, e governo, não são voltados somente aos que sonham com um governo "progressista socialista" com certeza, mistura daquelas "democracias populares" de Venezuela e Cuba (e, desculpem a ironia: eles acreditam MESMO nisso).

Governo, no Brasil, pressupõe coalizão de interesses e responsabilidade, coisa que Lula ainda não mostrou que irá fazer, muito pelo contrário. O que vem por aí, já citou o ex-presidente, é mais do Estado indutor, a política de busca do desenvolvimento sem limites, que já foi tentada mais de uma vez no país - mas que falhou em controlar os destinos do dinheiro investido e a efetividade deste retorno.

Lula se recusa a ser responsável, sinalizando que os interesses do mercado (e as certezas da sociedade) não serão atendidos, ao menos num primeiro momento - por esse motivo soa como um irresponsável, influenciado por pessoas que, de experiência em experiência, fizeram país atolar em crises no passado. Acrescente-se a isso a insistência em entrar nas pautas morais, em que Bolsonaro nada de braçada, e está pronto o cenário no qual a perspectiva de uma virada inédita em segundo turno é cada vez mais real.

A sorte do "barbudo" é que economia vai bem, mas o povo vai mal; só por isso Lula ainda está na frente nas pesquisas. Cada vez mais, contudo, percebe-se que de um lado há alguém que gastaria todo o dinheiro do governo em experiências desenvolvimentistas, de resultados duvidosos - e do outro lado há um "ogro", que, apesar de agir constantemente de forma indigente com relação o cargo que ocupa, não rasga nem queima dinheiro, o que faz bastante importância para o cidadão comum.

...

Um colega de longa data meu texto, e respondeu de forma seca: "FOCO NO CHURRASCO". Será que isso significa que o povo brasileiro tenha percebido o que realmente está em jogo nesta eleição?

Saberemos, em 30/10.

22.9.22

Mulheres, jovens, baixa renda: quem (e o que) está derrotando Bolsonaro, o "tiozão do churrasco"

Este que vos escreve ia redigir a explicação do texto anterior, a parábola sobre o Brasil de 2022 - mas os institutos de pesquisa foram mais rápido do que eu, como detalha a Folha, via UOL:

"A nova pesquisa do Datafolha captou uma variação favorável à candidatura de Lula (PT) nos segmentos da população em que o atual presidente apresenta alguns de seus piores índices negativos nesta corrida.

Na última semana, Lula registrou ganhos entre os mais jovens, entre as mulheres e entre os eleitores de baixa renda. Em todos esses grupos, a rejeição a Bolsonaro parece consolidada, chegando a beirar a casa dos 60%"

Mulheres, jovens, eleitores de baixa renda. São esses os grupos que mais tem ódio ao "machista, racista, fascista, chauvinista porco e insensível" que hoje governa o nosso país - e são eles que, assim como Trump, vão ter um alívio imenso em ver Bolsonaro longe do comando da nação.

...

Se você estranhou as aspas acima, saiba que elas tem um bom motivo: Bolsonaro governou o Brasil de 2019 a 2022 tendo foco em um segmento específico da sociedade, o direitista que se diz liberal na economia e conservador nos costumes. Foi para ele, o cidadão que inveja os Estados Unidos (e seus poucos impostos) e suspira por governantes que sejam efetivos contra criminosos e militantes de todo tipo (na base do chumbo, de preferência), que Bolsonaro governou. 

Foi ele, o "minion" padrão, que garantiu os 30% de apoio ao governante mais tosco que esse país já teve na História. Era esse cara que, tal e qual os homens da parábola, degustavam o churrasco no ponto de bala e a cerveja gelada, esquecendo-se das mulheres que iam para um almoço, das crianças que não tomavam refrigerante - e, porque não, dos empregados destratados pelo tiozão que operava a churrasqueira, seja através de insultos ou de outros tipos de sandices que fazia.

...

Poucas são as pessoas que apreciam carnes mal passadas, marca registrada de um bom churrasco (na opinião dos homens). Sempre ouvimos que a carne boa para consumo é a bem passada, "sola de sapato", de tal forma que um péssimo churrasqueiro pode ser simplesmente ignorado, desde que não profira impropérios à mesa e que traga algo de diferente  para o almoço.

Como um suco, para as crianças, um franguinho grelhado - ou uma divina caponata.

...

Meu palpite é que Lula será eleito, provavelmente no primeiro turno, e vai retomar a prática usual da Nova República de lotear cargos e multiplicar ministérios, para agradar segmentos sociais e dividir o poder entre os grupos políticos. Fazenda e Planejamento vão voltar, Trabalho idem, e a Cultura terá novamente o "destaque" (leia-se: grana) que sempre almejou.

Com o tempo o orçamento secreto será transformado em algo mais do controle do Executivo, e as pautas voltarão a ser ditadas por Brasília, em detrimento do Brasil. Educação voltará a ser tratada como algo essencial, na mais tenra idade, e passaremos a gastar os tubos com projetos mirabolantes, a fim de reforçar nosso papel de "anão orgulhoso" da diplomacia internacional.

Até que... o marido vai ver a conta da fatura. Dinheiro desperdiçado, gastos inúteis, e muita gente que vai embolsar a grana da picanha e entregar coxão duro passado na maquininha.

...

A diferença, talvez, estará na existência de uma direita. Bolsonaro vai se aposentar, mas o bolsonarismo não vai morrer - não enquanto existir a tendência inexorável do político brasileiro a agir de forma corrupta, e da mídia em explorar os escândalos à exaustão.

Será que aprenderemos, um dia? Não saberia dizer - mas de uma coisa este escriba tem certeza: quem não sabe o que está em jogo vai continuar se deliciando com uma caponata "ma-ra-vi-lho-sa", enquanto come e bebe cerveja de quinta, néctar de quarta e carne de segunda.

Mulheres, jovens, baixa renda: quem (e o que) está derrotando Bolsonaro, o "tiozão do churrasco"

Este que vos escreve ia redigir a explicação do texto anterior, a parábola sobre o Brasil de 2022 - mas os institutos de pesquisa foram mais rápido do que eu, como detalha a Folha, via UOL:

"A nova pesquisa do Datafolha captou uma variação favorável à candidatura de Lula (PT) nos segmentos da população em que o atual presidente apresenta alguns de seus piores índices negativos nesta corrida.

Na última semana, Lula registrou ganhos entre os mais jovens, entre as mulheres e entre os eleitores de baixa renda. Em todos esses grupos, a rejeição a Bolsonaro parece consolidada, chegando a beirar a casa dos 60%"

Mulheres, jovens, eleitores de baixa renda. São esses os grupos que mais tem ódio ao "machista, racista, fascista, chauvinista porco e insensível" que hoje governa o nosso país - e são eles que, assim como Trump, vão ter um alívio imenso em ver Bolsonaro longe do comando da nação.

...

Se você estranhou as aspas acima, saiba que elas tem um bom motivo: Bolsonaro governou o Brasil de 2019 a 2022 tendo foco em um segmento específico da sociedade, o direitista que se diz liberal na economia e conservador nos costumes. Foi para ele, o cidadão que inveja os Estados Unidos (e seus poucos impostos) e suspira por governantes que sejam efetivos contra criminosos e militantes de todo tipo (na base do chumbo, de preferência), que Bolsonaro governou. 

Foi ele, o "minion" padrão, que garantiu os 30% de apoio ao governante mais tosco que esse país já teve na História. Era esse cara que, tal e qual os homens da parábola, degustavam o churrasco no ponto de bala e a cerveja gelada, esquecendo-se das mulheres que iam para um almoço, das crianças que não tomavam refrigerante - e, porque não, dos empregados destratados pelo tiozão que operava a churrasqueira, seja através de insultos ou de outros tipos de sandices que fazia.

...

Poucas são as pessoas que apreciam carnes mal passadas, marca registrada de um bom churrasco (na opinião dos homens). Sempre ouvimos que a carne boa para consumo é a bem passada, "sola de sapato", de tal forma que um péssimo churrasqueiro pode ser simplesmente ignorado, desde que não profira impropérios à mesa e que traga algo de diferente  para o almoço.

Como um suco, para as crianças, um franguinho grelhado - ou uma divina caponata.

...

Meu palpite é que Lula será eleito, provavelmente no primeiro turno, e vai retomar a prática usual da Nova República de lotear cargos e multiplicar ministérios, para agradar segmentos sociais e dividir o poder entre os grupos políticos. Fazenda e Planejamento vão voltar, Trabalho idem, e a Cultura terá novamente o "destaque" (leia-se: grana) que sempre almejou.

Com o tempo o orçamento secreto será transformado em algo mais do controle do Executivo, e as pautas voltarão a ser ditadas por Brasília, em detrimento do Brasil. Educação voltará a ser tratada como algo essencial, na mais tenra idade, e passaremos a gastar os tubos com projetos mirabolantes, a fim de reforçar nosso papel de "anão orgulhoso" da diplomacia internacional.

Até que... o marido vai ver a conta da fatura. Dinheiro desperdiçado, gastos inúteis, e muita gente que vai embolsar a grana da picanha e entregar coxão duro passado na maquininha.

...

A diferença, talvez, estará na existência de uma direita. Bolsonaro vai se aposentar, mas o bolsonarismo não vai morrer - não enquanto existir a tendência inexorável do político brasileiro a agir de forma corrupta, e da mídia em explorar os escândalos à exaustão.

Será que aprenderemos, um dia? Não saberia dizer - mas de uma coisa este escriba tem certeza: quem não sabe o que está em jogo vai continuar se deliciando com uma caponata "ma-ra-vi-lho-sa", enquanto come e bebe cerveja de quinta, néctar de quarta e carne de segunda.

"O tiozão do churrasco e o 'namorido' da 'miga' empoderada: uma metáfora do Brasil de 2022"

Numa casa brasileira os donos tinham o hábito de periodicamente promover um churrasco. Convidavam os amigos e parentes, do marido e da esposa, e passavam bons momentos, jogando conversa fora, comendo e bebendo para celebrar a vida.

Nos últimos churrascos quem estava cuidando da churrasqueira era um parente do marido. Excelente pilotando a grelha, fazia questão de comprar as melhores carnes e a cerveja, sempre da melhor marca, e que estava estupidamente gelada, além do o refrigerante, para a garotada. 

No dia, chegava duas horas antes do início das festividades, para preparar a carne com o sal grosso "de lei" - de tal forma que, na hora certa, ia mandando as carnes aos poucos, na maioria mal passadas ou ao ponto, e umas poucas bem passadas, para os que "não gostam de sangue". 

Tudo feito com zelo, como convém a um bom churrasqueiro, a não ser por um detalhe: o cidadão era um tremendo ogro. "Tiozão do churrasco" mesmo, daquele que faz a piada clássica do "pavê ou pa cumê" - e que se torna rapidamente, à medida que a cerveja vai saindo do freezer e entrando na mente das pessoas, uma metralhadora de inconveniências, uma atrás da outra.

...

É piada machista pra lá, tirada jocosa de lá, e a mulherada cada vez mais constrangida, enquanto pegavam uns pedaços de carne e comiam junto com o arroz e feijão.

Sim, porque a parte feminina do churrasco também preparou algo além da carne. Arroz, feijão, salada, "batatonaisse", uns pedaços de frango (tostados pelo "tiozão" inconveniente), além de outras tantas coisas que fazem com que o churrasco de família não seja só um churrasco.

Naquele ano destacou-se em especial um prato: uma "caponata" de berinjela divina, feita pelo "namorido" de uma das "migues" da dona da casa. Esta 'miga', empoderadíssima, resolveu chamar a esposa num canto, reclamando do porque do "tiozão" do churrasco estar proferindo todo tipo de impropérios inconvenientes para todos - mulheres, crianças e homens (embora os últimos estivessem preferindo comer a carne e falar besteira do que se importar com o "tio do pavê").

Ao final, sugeriu a 'miga': "olha, se você quiser o meu 'namorido' pode ser o churrasqueiro daqui para a frente, ele é ótimo com carnes, conhece de-tu-do e sabe grelhar como ninguém - sem falar que foi ele que fez essa 'caponata' divina, olha só como to-do-mun-do-gos-tou-dela...".

...

Final da festa, a mulher vai falar com o marido, possessa da vida: "você precisa deixar o 'fulano' de fora, veja só quanta vergonha ele nos fez passar, ele é machista, chauvinista, racista, fico morrendo de vontade de sumir quando ele fala aquelas coisas horríveis, e isso, e aquilo, e...".

O marido, cansado, não está a fim de discordar da esposa. Quer paz, e aceita a sugestão da patroa: no churrasco seguinte eles não convidarão o 'tiozão' e o 'namorido' vai assumir a churrasqueira.

...

No churrasco seguinte o alívio é geral por parte das mulheres. O tiozão do churrasco não vai estar lá, já foram avisadas de antemão pela dona da casa - motivo pelo qual muitas até se animaram mais com os pertences. O arroz está mais soltinho, o feijão, radiante, bastante verduras, e a soberana 'caponata' de berinjela, reinando entre os acessórios do almoço familiar.

Sim, almoço. Porque o churrasco...

Bem, o afamado 'namorido' se provou um tremendo fiasco: chegou em cima da hora, botou as carnes de qualquer jeito na grelha, deixou muita coisa passada demais, inclusive queimando algumas carnes (algumas, não; muitas). 

Usou uma mistura de temperos na carne que tinha tudo, menos sal grosso. Inventou de fazer legumes na chapa e colocou mais frango para grelhar - que nem as crianças comeram direito, já que estapearam as poucas linguicinhas que haviam sido deixadas para esturricar pelo gaiato.

No final, até a cerveja estava morna - e de uma marca horrorosa, que nunca tinha passado pelo freezer do dono da casa. Refrigerante? Trouxe suco - que acabou sobrando.

...

Depois de todos se despedirem, não antes de ter desfrutado da sobremesa (pudim aerado, acompanhado de um suspiro esquisito que alguém chamava de "pavlova"), o marido chama a esposa no canto. Está com cara de poucos amigos, entre decepcionado e possesso.

"- Mas o que foi, querido?" 

"- O que foi? Você vai ver...".

Mostra a ela um cupom fiscal, das compras do churrasqueiro - que, neste caso, se responsabilizava por tudo, do início ao fim do processo. Verifica-se que o açougue não é o mesmo em que compravam a carne; é outro, de qualidade bem inferior; que tudo tinha sido comprado por um preço bem mais caro do que o 'tiozão' comprava; fora uma série de outras coisas que fizeram o dono da casa desabafar com sua esposa:

- Você me disse para chamar esse cara pra fazer o churrasco. Pois bem: ele trouxe cerveja ruim, carne ruim, errou o ponto de TUDO no churrasco e ainda pagou mais caro pelas carnes e pelo resto. ELE ROUBOU TODO MUNDO!!!! O que você me diz disso?

E a esposa, entre sem jeito e sem paciência, retrucou:

- É... mas você viu como o ambiente estava mais leve, sem gente inconveniente? Foi um almoço excelente... sem falar que a caponata estava maravilhosa... você deveria tê-la provado... um luxo de gostosura!!!!


"O tiozão do churrasco e o 'namorido' da 'miga' empoderada: uma metáfora do Brasil de 2022"

Numa casa brasileira os donos tinham o hábito de periodicamente promover um churrasco. Convidavam os amigos e parentes, do marido e da esposa, e passavam bons momentos, jogando conversa fora, comendo e bebendo para celebrar a vida.

Nos últimos churrascos quem estava cuidando da churrasqueira era um parente do marido. Excelente pilotando a grelha, fazia questão de comprar as melhores carnes e a cerveja, sempre da melhor marca, e que estava estupidamente gelada, além do o refrigerante, para a garotada. 

No dia, chegava duas horas antes do início das festividades, para preparar a carne com o sal grosso "de lei" - de tal forma que, na hora certa, ia mandando as carnes aos poucos, na maioria mal passadas ou ao ponto, e umas poucas bem passadas, para os que "não gostam de sangue". 

Tudo feito com zelo, como convém a um bom churrasqueiro, a não ser por um detalhe: o cidadão era um tremendo ogro. "Tiozão do churrasco" mesmo, daquele que faz a piada clássica do "pavê ou pa cumê" - e que se torna rapidamente, à medida que a cerveja vai saindo do freezer e entrando na mente das pessoas, uma metralhadora de inconveniências, uma atrás da outra.

...

É piada machista pra lá, tirada jocosa de lá, e a mulherada cada vez mais constrangida, enquanto pegavam uns pedaços de carne e comiam junto com o arroz e feijão.

Sim, porque a parte feminina do churrasco também preparou algo além da carne. Arroz, feijão, salada, "batatonaisse", uns pedaços de frango (tostados pelo "tiozão" inconveniente), além de outras tantas coisas que fazem com que o churrasco de família não seja só um churrasco.

Naquele ano destacou-se em especial um prato: uma "caponata" de berinjela divina, feita pelo "namorido" de uma das "migues" da dona da casa. Esta 'miga', empoderadíssima, resolveu chamar a esposa num canto, reclamando do porque do "tiozão" do churrasco estar proferindo todo tipo de impropérios inconvenientes para todos - mulheres, crianças e homens (embora os últimos estivessem preferindo comer a carne e falar besteira do que se importar com o "tio do pavê").

Ao final, sugeriu a 'miga': "olha, se você quiser o meu 'namorido' pode ser o churrasqueiro daqui para a frente, ele é ótimo com carnes, conhece de-tu-do e sabe grelhar como ninguém - sem falar que foi ele que fez essa 'caponata' divina, olha só como to-do-mun-do-gos-tou-dela...".

...

Final da festa, a mulher vai falar com o marido, possessa da vida: "você precisa deixar o 'fulano' de fora, veja só quanta vergonha ele nos fez passar, ele é machista, chauvinista, racista, fico morrendo de vontade de sumir quando ele fala aquelas coisas horríveis, e isso, e aquilo, e...".

O marido, cansado, não está a fim de discordar da esposa. Quer paz, e aceita a sugestão da patroa: no churrasco seguinte eles não convidarão o 'tiozão' e o 'namorido' vai assumir a churrasqueira.

...

No churrasco seguinte o alívio é geral por parte das mulheres. O tiozão do churrasco não vai estar lá, já foram avisadas de antemão pela dona da casa - motivo pelo qual muitas até se animaram mais com os pertences. O arroz está mais soltinho, o feijão, radiante, bastante verduras, e a soberana 'caponata' de berinjela, reinando entre os acessórios do almoço familiar.

Sim, almoço. Porque o churrasco...

Bem, o afamado 'namorido' se provou um tremendo fiasco: chegou em cima da hora, botou as carnes de qualquer jeito na grelha, deixou muita coisa passada demais, inclusive queimando algumas carnes (algumas, não; muitas). 

Usou uma mistura de temperos na carne que tinha tudo, menos sal grosso. Inventou de fazer legumes na chapa e colocou mais frango para grelhar - que nem as crianças comeram direito, já que estapearam as poucas linguicinhas que haviam sido deixadas para esturricar pelo gaiato.

No final, até a cerveja estava morna - e de uma marca horrorosa, que nunca tinha passado pelo freezer do dono da casa. Refrigerante? Trouxe suco - que acabou sobrando.

...

Depois de todos se despedirem, não antes de ter desfrutado da sobremesa (pudim aerado, acompanhado de um suspiro esquisito que alguém chamava de "pavlova"), o marido chama a esposa no canto. Está com cara de poucos amigos, entre decepcionado e possesso.

"- Mas o que foi, querido?" 

"- O que foi? Você vai ver...".

Mostra a ela um cupom fiscal, das compras do churrasqueiro - que, neste caso, se responsabilizava por tudo, do início ao fim do processo. Verifica-se que o açougue não é o mesmo em que compravam a carne; é outro, de qualidade bem inferior; que tudo tinha sido comprado por um preço bem mais caro do que o 'tiozão' comprava; fora uma série de outras coisas que fizeram o dono da casa desabafar com sua esposa:

- Você me disse para chamar esse cara pra fazer o churrasco. Pois bem: ele trouxe cerveja ruim, carne ruim, errou o ponto de TUDO no churrasco e ainda pagou mais caro pelas carnes e pelo resto. ELE ROUBOU TODO MUNDO!!!! O que você me diz disso?

E a esposa, entre sem jeito e sem paciência, retrucou:

- É... mas você viu como o ambiente estava mais leve, sem gente inconveniente? Foi um almoço excelente... sem falar que a caponata estava maravilhosa... você deveria tê-la provado... um luxo de gostosura!!!!


20.9.22

Celtic, Rangers e Bolsonaro em Londres, ou Lula em Curitiba: (quase) tudo a ver


 "Se você odeia a família real, bata palmas". 

Foi assim que o Celtic, da Escócia, mostrou que não dava a mínima para a morte de Elizabeth II, atitude reforçada pelo "F...-se a Coroa" que a torcida ostentava em uma faixa em jogos anteriores.

Celtic, católico e pró-Escócia soberana, contra Rangers, protestante e a favor do Reino Unido - uma rivalidade que parece tosca (e é, como todas as rivalidades cegas), mas reflete posicionamentos políticos para além das quatro linhas.

Mais ou menos como o que Bolsonaro e seus seguidores tem feito, em Londres e na ONU, ou como faziam os seguidores de Lula nos tempos da prisão deste em Curitiba.

...

Ultimamente a vontade tem sido parar o mundo e pedir para descer, mas não dá para fazer isso de uma maneira fácil. Elegeram Bolsonaro porque ele era sem noção, esquecendo-se de que o Brasil teria uma imagem a zelar lá fora - e o resultado está aí, refletido em vexames internacionais, que se repetem continuamente aos olhos do Brasil e do mundo.

"Mas não falaram nada quando a Dilma, o Lula, o PT...".

Bem, desculpe afirmar, mas a mídia fazia suas críticas nos tempos antigos. O que ela não fazia era demonstrar vergonha pelas atitudes do governo - porque elas eram, em regra, feitas dentro do território brasileiro (Dilma ensaiou falar do golpe na ONU, mas, para a sorte do país, recuou).

E, de fato, o PT é sem noção, mas Lula e Dilma tinham um pouco de vergonha na cara. No caso de sua versão direitista, Bolsonaro não tem decoro e os "minions" não querem que ele tenha.

...

O Brasil está chegando ao final de um longo churrasco de fim de semana, que começou em 2018, sendo pilotado por um tiozão que sabia manipular a grelha mas só falava besteira, uma coisa mais inoportuna do que a outra. Agora, em 2022, as últimas carnes estão saindo do forno, o que restou está sendo juntado em "marmitinhas", algumas coisas vão virar farofa em um futuro breve...

... mas o tiozão insiste que vai ficar na grelha por um bom tempo. Ele não sabe, mas quando o churrasco acabar lhe darão um "tchau, vá com Deus" - e não vão lhe convidar para novos eventos, preferindo deixar o controle da churrasqueira na mão de alguém mais, digamos... experiente.

Se ele vai cuidar bem do churrasco, não sei. Aliás, esse seria um excelente assunto para outro texto - que este escriba deve publicar, assim que a inspiração bater de novo.

Celtic, Rangers e Bolsonaro em Londres, ou Lula em Curitiba: (quase) tudo a ver


 "Se você odeia a família real, bata palmas". 

Foi assim que o Celtic, da Escócia, mostrou que não dava a mínima para a morte de Elizabeth II, atitude reforçada pelo "F...-se a Coroa" que a torcida ostentava em uma faixa em jogos anteriores.

Celtic, católico e pró-Escócia soberana, contra Rangers, protestante e a favor do Reino Unido - uma rivalidade que parece tosca (e é, como todas as rivalidades cegas), mas reflete posicionamentos políticos para além das quatro linhas.

Mais ou menos como o que Bolsonaro e seus seguidores tem feito, em Londres e na ONU, ou como faziam os seguidores de Lula nos tempos da prisão deste em Curitiba.

...

Ultimamente a vontade tem sido parar o mundo e pedir para descer, mas não dá para fazer isso de uma maneira fácil. Elegeram Bolsonaro porque ele era sem noção, esquecendo-se de que o Brasil teria uma imagem a zelar lá fora - e o resultado está aí, refletido em vexames internacionais, que se repetem continuamente aos olhos do Brasil e do mundo.

"Mas não falaram nada quando a Dilma, o Lula, o PT...".

Bem, desculpe afirmar, mas a mídia fazia suas críticas nos tempos antigos. O que ela não fazia era demonstrar vergonha pelas atitudes do governo - porque elas eram, em regra, feitas dentro do território brasileiro (Dilma ensaiou falar do golpe na ONU, mas, para a sorte do país, recuou).

E, de fato, o PT é sem noção, mas Lula e Dilma tinham um pouco de vergonha na cara. No caso de sua versão direitista, Bolsonaro não tem decoro e os "minions" não querem que ele tenha.

...

O Brasil está chegando ao final de um longo churrasco de fim de semana, que começou em 2018, sendo pilotado por um tiozão que sabia manipular a grelha mas só falava besteira, uma coisa mais inoportuna do que a outra. Agora, em 2022, as últimas carnes estão saindo do forno, o que restou está sendo juntado em "marmitinhas", algumas coisas vão virar farofa em um futuro breve...

... mas o tiozão insiste que vai ficar na grelha por um bom tempo. Ele não sabe, mas quando o churrasco acabar lhe darão um "tchau, vá com Deus" - e não vão lhe convidar para novos eventos, preferindo deixar o controle da churrasqueira na mão de alguém mais, digamos... experiente.

Se ele vai cuidar bem do churrasco, não sei. Aliás, esse seria um excelente assunto para outro texto - que este escriba deve publicar, assim que a inspiração bater de novo.

17.10.21

Panorama da pandemia: poderia ter sido diferente?

Nosso governante é um banana e não deveria ter sido negacionista.

Tendo começado esse "post" com algo tão óbvio quanto o céu azul de um dia de calor, vamos para a primeira polêmica: ao contrário do senso comum nas hostes oposicionistas, não dá para dizer que outro governante faria melhor do que Bolsonaro está fazendo (ou deixando de fazer). 

...

Se fosse o PT, por exemplo, teríamos embarcado no sonho da vacina 100% nacional, e esse "minha vacina (cubana) minha vida" faria os defensores dos laboratórios americanos subirem nas tamancas com a mesma ênfase com a qual condenam a Prevent Senior - cujo único crime, no frigir dos ovos, foi tratar o cliente do plano de saúde da forma que este pediu.

Quer dizer, da forma que o cliente MANDOU - pois é isso que plano de saúde faz.

...

Por semelhante modo, outra conclusão polêmica: é mais fácil controlar uma pandemia quando o governante realmente pode te trancar em casa, seja ameaçando por prisão ou por multas pesadas. Nesse contexto, o Brasil e os brasileiros foram de uma burrice ímpar, discutindo a todo tempo se a economia valia mais do que as vidas (algo que equivale a perguntar ao cidadão se ele prefere morrer pela peste, hoje, ou pela fome, a longo prazo), e se esquecendo de que seria preciso muito mais do que impor barreiras no trânsito para que o trabalhador mediano ficasse em casa, à míngua.

A vantagem, por outro lado, é que quem não pode ficar em casa não tem frescura para tomar picada: o país do Zé Gotinha mostrou que é mais esperto do que o seu Presidente - e se vacinou.

...

Quanto ao "mito"... bom, ele governa para os 30% de "minions", vive por eles e morrerá por causa deles, os que acham frescura dar auxílio emergencial a granel em troca de "lockdown" eterno. Está sendo atrapalhado pelos surtos de liberalismo, que fazem o agronegócio prosperar como nunca - mas tem uma sorte imensa, pois os únicos que os crucificam são os que jamais votariam nele.

Bolsonaro é uma anta, perdeu apoio entre a população por ter deixado a inflação correr solta - mas, num paradoxo dos tempos em que vivemos, tem o caminho para 2022 facilitado porque não há terceira via viável. Aliás, como haver alternativas, se todo mundo que se oferece para combater Lula e o "mito" tem que, por exigências da mídia e da elite pensante, ser absolutamente... sem sal?

...

Este escriba acredita piamente que ditaduras se deram melhor do que democracias no controle da pandemia, e que, por motivo semelhante, países parlamentaristas se deram melhor que os presidencialistas, já que que discordar do primeiro-ministro por qualquer coisa causa crise institucional séria (voto de desconfiança, antecipação de eleições e outras coisas indesejáveis para o parlamento).

Quem manda não pede, e quem tem poder de comando impõe a ordem - principalmente quando só uma pessoa tem o poder, como nos Estados unitários, que levaram vantagem sobre as federações e suas discussões intermináveis entre iguais (fora as questões sobre competência, que fizeram o STF "humilhar" Bolsonaro e levar, em troca, a maior desculpa esfarrapada da História republicana, "eu queria fazer alguma coisa mas o STF não deixa" por parte do "mito").

...

Poderia ter sido diferente? Poderíamos ter nos saído melhor, com menos mortes? Talvez, MAS...

... mas o mais provável é que continuaríamos agindo na pandemia como um país de pessoas que falam muito e fazem pouco, de muita discussão, bastante politicagem e pouca atitude, de arroubos espetaculares de alguns (como a Coronavac) e muitas atitudes egoístas, de todos os lados. Uma federação na qual os entes não entram em consenso, e que é salva, quase sempre, pelas atitudes individuais de pessoas comuns, que fazem o que é necessário, quando se precisa.

Estamos saindo da pandemia porque o povo está usando máscara, tomando alguns cuidados, se vacinando - e porque, para nossa sorte, o coquetel utilizado aqui segurou a "delta". A economia está arrasada, assim como a do mundo todo, mas aos poucos os que querem produzir estão correndo atrás das oportunidades, principalmente porque... não tem alternativa.

...

O Brasil sempre foi para a frente por causa das necessidades de seu povo. Não será diferente agora.

Panorama da pandemia: poderia ter sido diferente?

Nosso governante é um banana e não deveria ter sido negacionista.

Tendo começado esse "post" com algo tão óbvio quanto o céu azul de um dia de calor, vamos para a primeira polêmica: ao contrário do senso comum nas hostes oposicionistas, não dá para dizer que outro governante faria melhor do que Bolsonaro está fazendo (ou deixando de fazer). 

...

Se fosse o PT, por exemplo, teríamos embarcado no sonho da vacina 100% nacional, e esse "minha vacina (cubana) minha vida" faria os defensores dos laboratórios americanos subirem nas tamancas com a mesma ênfase com a qual condenam a Prevent Senior - cujo único crime, no frigir dos ovos, foi tratar o cliente do plano de saúde da forma que este pediu.

Quer dizer, da forma que o cliente MANDOU - pois é isso que plano de saúde faz.

...

Por semelhante modo, outra conclusão polêmica: é mais fácil controlar uma pandemia quando o governante realmente pode te trancar em casa, seja ameaçando por prisão ou por multas pesadas. Nesse contexto, o Brasil e os brasileiros foram de uma burrice ímpar, discutindo a todo tempo se a economia valia mais do que as vidas (algo que equivale a perguntar ao cidadão se ele prefere morrer pela peste, hoje, ou pela fome, a longo prazo), e se esquecendo de que seria preciso muito mais do que impor barreiras no trânsito para que o trabalhador mediano ficasse em casa, à míngua.

A vantagem, por outro lado, é que quem não pode ficar em casa não tem frescura para tomar picada: o país do Zé Gotinha mostrou que é mais esperto do que o seu Presidente - e se vacinou.

...

Quanto ao "mito"... bom, ele governa para os 30% de "minions", vive por eles e morrerá por causa deles, os que acham frescura dar auxílio emergencial a granel em troca de "lockdown" eterno. Está sendo atrapalhado pelos surtos de liberalismo, que fazem o agronegócio prosperar como nunca - mas tem uma sorte imensa, pois os únicos que os crucificam são os que jamais votariam nele.

Bolsonaro é uma anta, perdeu apoio entre a população por ter deixado a inflação correr solta - mas, num paradoxo dos tempos em que vivemos, tem o caminho para 2022 facilitado porque não há terceira via viável. Aliás, como haver alternativas, se todo mundo que se oferece para combater Lula e o "mito" tem que, por exigências da mídia e da elite pensante, ser absolutamente... sem sal?

...

Este escriba acredita piamente que ditaduras se deram melhor do que democracias no controle da pandemia, e que, por motivo semelhante, países parlamentaristas se deram melhor que os presidencialistas, já que que discordar do primeiro-ministro por qualquer coisa causa crise institucional séria (voto de desconfiança, antecipação de eleições e outras coisas indesejáveis para o parlamento).

Quem manda não pede, e quem tem poder de comando impõe a ordem - principalmente quando só uma pessoa tem o poder, como nos Estados unitários, que levaram vantagem sobre as federações e suas discussões intermináveis entre iguais (fora as questões sobre competência, que fizeram o STF "humilhar" Bolsonaro e levar, em troca, a maior desculpa esfarrapada da História republicana, "eu queria fazer alguma coisa mas o STF não deixa" por parte do "mito").

...

Poderia ter sido diferente? Poderíamos ter nos saído melhor, com menos mortes? Talvez, MAS...

... mas o mais provável é que continuaríamos agindo na pandemia como um país de pessoas que falam muito e fazem pouco, de muita discussão, bastante politicagem e pouca atitude, de arroubos espetaculares de alguns (como a Coronavac) e muitas atitudes egoístas, de todos os lados. Uma federação na qual os entes não entram em consenso, e que é salva, quase sempre, pelas atitudes individuais de pessoas comuns, que fazem o que é necessário, quando se precisa.

Estamos saindo da pandemia porque o povo está usando máscara, tomando alguns cuidados, se vacinando - e porque, para nossa sorte, o coquetel utilizado aqui segurou a "delta". A economia está arrasada, assim como a do mundo todo, mas aos poucos os que querem produzir estão correndo atrás das oportunidades, principalmente porque... não tem alternativa.

...

O Brasil sempre foi para a frente por causa das necessidades de seu povo. Não será diferente agora.