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21.10.21

Prosa: Porque dificilmente oramos pela salvação dos nossos filhos?


Porque é fácil orar pelo "agora". Pelo "hoje". Pelo "em breve".

Difícil é orar pelo "um dia", ainda mais quando esperamos que esse dia seja distante - como sempre acontece com pais, que desejam, do fundo do coração, que a experiência com seus filhos seja eterna. Que nunca passe.

Ao contrário do normal: a vida ter um fim.

...

Relembrar que a vida não é eterna, nem para nós, nem para nossos rebentos, é extremamente cruel: nos mostra o pecado, a perdição eterna, bem diante dos olhos paternos e maternos.

Nos relembra que nem todos tem o privilégio de Ana, o de ver Samuel crescendo para se tornar sacerdote, aos olhos do Senhor - e depois juiz, dos grandes nomes do Israel bíblico.


Nos traz de volta o pensamento dos pecados que cometemos, reconforta-nos por sermos salvos, mas nos faz ficar apreensivos - ao lembrarmo-nos que não podemos salvar os outros por procuração.

Nos faz recordar dos filhos que não servem ao Senhor - e isso dói.

...

Deveríamos orar pela salvação dos nossos filhos mais vezes. Por eles, e por nós.




17.3.20

Pequenas observações, do Twitter, sobre o coronavirus e as atitudes dos governos (inclui Bolsonaro)












21.5.17

Poesia (ou prosa?): Porque a Revolução nunca aconteceu no Brasil?



Quando a Independência ocorreu, foi assim: 
o senhor distinto que estava em viagem se indignava, 
o regente rasgava as cartas enquanto se arrumava,
e o caboclo, distante, a tudo observava.

Mas não concordava. Nem discordava. E cuidava da vida.

Quando a República foi proclamada,
com a procissão pelas ruas anunciando o novo dia,
e o novo Presidente saudando o imperador que ia,
o ex-escravo, por perto, em tudo assentia.

Mas não concordava. Nem discordava. E cuidava da vida.

Quando Getúlio ameaçou invadir o Catete,
e proclamou o Estado Novo pela Rádio Nacional
o trabalhador ouvia o discurso, embebido pela cal,
e a dona de casa esperava pela novela.

Mas não concordava. Nem discordava. E cuidava da vida.

Quando os militares anunciaram novos tempos,
baixaram o Ato, sentaram o cacete em nome da Revolução.
Mas o cara do povo, pacato e nobre cidadão,
se embasbacava com os 10% de crescimento, o milagre.

Mas não concordava. Nem discordava. E cuidava da vida.

Veio a Nova República, desforra, a "Constituição cidadã".
Direitos fundamentais, revolução, uma elite satisfeita,
para desespero de muitos, gente considerada direita.
Mas o homem do povo, esse, como o "nove", não sabe de nada.

Não concorda. Nem discorda. Só cuida da vida.

Hoje, passeatas pelas ruas, redes sociais, lugares de fala.
Muita gente dizendo o que acha, palavras gritadas ao vento.
Mas o povo - velho e novo - não tem tempo para lamento.
Como lá no passado, e hoje, só consegue pensar no agora.

Não concorda. Nem discorda. Cuida da vida.

E só quer, de fato, uma coisa: 
que não fiquem em seu caminho.


fps, 19/05/17

10.9.16

Motivos para NÃO votar Haddad? Eu tenho alguns...

Corre um texto por aí, nas redes sociais, dizendo que temos que votar no Haddad porque "a cidade é (sic) as pessoas" e convocando todo mundo a largar de ser fantoche, porque o prefeito:

- Melhorou o trânsito
- Reduziu as mortes no trânsito
- Devolveu a rua para as pessoas em todas as subprefeituras
- Ressuscitou o Carnaval de rua de SP gerando receita
- Aprovou o plano diretor
- Construiu hospitais
- Construiu creches a ponto de quase zerar a fila de espera (vai zerar em 2 anos)
- Deu passe livre a 700 mil estudantes
- Construiu universidade
- Construiu mais de 400km de corredores e faixas de ônibus
- Entregou 400km de ciclovia
- Reduziu em 4 horas/semana o tempo gasto pelo trabalhador para ir e voltar do trabalho
- Criou um órgão de auditoria independente
- Não teve um caso de corrupção
- Não enriqueceu
- Regulamentou o Uber
- Reduziu a dívida do município

Vamos por partes: primeiro, ninguém pediu para o Haddad reduzir a velocidade nas ruas da cidade, nem construir ciclovias, tirar os carros das ruas aos domingos ou inventar faixas de ônibus onde elas não deveriam existir (como se o cidadão que usa carro fizesse isso por "vício", e não por necessidade).

A não ser que você seja um "modernette", do tipo que usa bicicleta para ir ao trabalho (ou que trabalhe em casa) a maior parte do que Haddad fez foi inútil para o cidadão paulistano. Este, o que vive nos bairros e se desloca por uma, duas horas para ir ao trabalho, precisa de alguém que faça a cidade funcionar do jeito que ele precisa, não da forma que a elite do eixo Paulista-Baixo Augusta-Pinheiros-"Vila Madá" sonha.

De que adianta reduzir o tempo gasto pelo trabalhador para ir de ônibus ao trabalho, se as baldeações forçam você a ir encaixotado, ou esperar mais tempo do que o previsto? Como se sente aquele que vê os estacionamentos proliferarem para todo lado, as ciclofaixas vazias, e sabendo que ele não pode simplesmente largar o carro e vir de "bike" ao trabalho?

De fato, ele conseguiu organizar as finanças da cidade, é um cara honesto, combateu a corrupção, fez o básico de governança que muitos desejam. Entretanto, isso é o que dá, mais raiva: Haddad seria o cara perfeito para governar a cidade, SE percebesse o que o cidadão quer de São Paulo.

Alguém que seja um síndico da cidade, que gerencie bem os nossos impostos - e que, sobretudo, NÃO INVENTE, não entre em modismos que não vão agregar valor para a vida do cidadão.

Que não fique achando que "precisamos evoluir", que entenda que São Paulo não é só o Centro, mas também os bairros, zonas e espaços - com diferentes necessidades, em todas as áreas.

Cidades são para pessoas, sim. Não devemos negar isso.
Mas pessoas querem a SUA cidade, não a dos outros.

Afinal de contas, não moramos em Amsterdam, Copenhague, ou Manhattan. Moramos em São Paulo.

E isso, lamentavelmente, Haddad não percebeu.

(original em https://www.facebook.com/trashetc/posts/1064309010312903)