10.8.09

Prosa


Reminiscências das Gerais

Fazia muito tempo que não vinha à casa, casa de recordações e sonhos, dos meus pais e minha, onde guardava as lembranças de doces momentos vividos que se romperam bruscamente quando fui para a grande cidade.

Tempos de doces e compotas, de queijos, vacas pastando, dias claros e noites escuras, ruído de grilos, cocoricós e muuus em sintonia perfeita com o mato, que crescia e verdejava, da represa e dos peixes, e das comidas gostosas e saudáveis da mamãe.

Lembrava-se dos pais acordando cedinho, "com as galinhas", para cuidar de tudo - do cafezinho puro, dos pães de queijo e das quitandas, e sentia-se feliz.

Um dia a vida a levou para novos ares, da grande cidade com seus sonhos e ilusões, e suas perspectivas de grandeza; que se diga que a labuta do campo é severa, e cobra seu preço de todos, no embrutecimento do corpo e da alma, e nas ilusões perdidas entre sonhos de pequenos luxos e de uma vida melhor, qual seja ela.

Mas na hora em que reviu a casa, se viu novamente criança - e, de novo, desabrochou a saudade e a vontade de sentir, ainda que fosse por pouco tempo, os gostos e sentidos dos seus tempos de menina-moça, criança, provando que, em definitivo, todos nós sentimos mesmo é saudade de nós mesmos, e de um tempo, que um dia existiu.


Dedicado especialmente à ECCS, que eu chamo também de "minha doce e querida esposa".

FPS, 06/05/05, 16:27

Nenhum comentário:

Postar um comentário