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24.9.23

De prepotências e arrogâncias: lições do título do SPFC na Copa do Brasil

O São Paulo não tem o dinheiro do Palmeiras, não tem alcance nacional como o Flamengo; na verdade, não manda nem no seu Estado, honra que cabe ao (também atrapalhado) Corinthians. 

Teve, contudo, humildade, de seus jogadores e do seu técnico, injustamente deixado de lado por uma diretoria de clube provinciana e inconsequente - como muitas em nosso futebol.

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Azar do Flamengo - como é azar também do Palmeiras, envolvido em encrencas porque a mecenas do clube quer recuperar o investimento, nem que seja alugando avião para a "galera"; e como é azar também do Corinthians, embora este ainda tenha chances de salvar o ano na Sulamericana.

(dica para os alvinegros: treinem penaltis, a LDU bate bem)

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Continuamos medíocres, mas ao menos a sala de troféus está cheia. No mais, deixemos os comentários para alguém que sabe: Galvão, diga aí porque o Flamengo "sentiu" e o SPFC não...


@galvaobuenooficial Parabéns, São Paulo, campeão da Copa do Brasil!! E essa é a hora de analisar: pq o SP foi campeão e o Flamengo não foi?? 🤷🏻‍♂️ #saopaulo #spfc #flamengo #fla #tricolor #rubronegro #copadobrasil #galvaobueno ♬ som original - Galvão Bueno

30.11.18

Final da Libertadores em Madrid e o "pacote turístico de 5 dias de sonho"



Final da Libertadores. Em Madrid. E o mundo caiu.

Rendição aos colonizadores... raiva, pela solução salomônica da CONMEBOL... nenhuma palavra sobre a falta de uma punição digna ao River, o time grande argentino que caiu para "la B" portenha.

E eu... que nada. Só pensando nos pacotes turísticos decorrentes da superfinal.

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Madrid, capital da gastronomia, 5 dias e 4 noites. Museus. "Tapas". Vinho.

E, ah... também futebol.

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Quando, lá atrás, certa cervejaria fez uma propaganda ridícula envolvendo relacionamentos e homens que mandaram as mulheres a um "spa" para assistir uma final de Champions (e foram "surpreendidos" pelas digníssimas, que estavam dentro do estádio, curtindo a festa) este escriba pensou, com seus botões: o futebol realmente perdeu seu significado. 



Tornamos o jogo em espetáculo, no qual a bola perdeu totalmente sua importância - e no qual viajar para assistir a um jogo de futebol é muito mais "legal" que o jogo em si.

No contexto que se desenha, que importa se a final será em Madrid, capital real da terra dos conquistadores, contra os quais os Libertadores da América (exceto Pedro I) lutaram? Qual é a diferença, se ninguém conhece direito essa história, nem em plena "Sudamerica"?

Exceto um ou outro gato-pingado, que conhece o histórico da competição, tudo isso significa: nada. Porque, ao frigir dos ovos, o que vai interessar é vender jogo para gente deslumbrada com a festa - ainda que seja parte do "bando de loucos", que inventaram um jeito de tomar caninha em Tóquio.

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Estamos pasteurizando as finais das grandes competições, tornando-as atraentes para um público que quer tudo - menos futebol. Não é o fanático que irá assistir a próxima final da Libertadores, em Santiago; tampouco a decisão da Sul-americana, em Lima, será para o "hincha" - mas aquele que vai procurar experiências, fazer a viagem típica de classe média, coroada com um jogo de futebol.

Que muitos (ou muitas) trocariam, de bom grado, por mais um "spa day" - ao contrário do comercial da cervejaria, que, ao final de tudo, se mostrou uma farsa.

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Este escriba confessa que se sentiu aliviado ao saber que três dos casais da propaganda citada acima eram contratados pela empresa. Dificilmente um fanático perdoaria a namorada, ou esposa, caso esta fosse viajar para uma final da Champions para "dar-lhe uma lição" (e, particularmente, muitas delas prefeririam mesmo o "spa" a ver os marmanjos jogando bola).

Entretanto, é também para esse tipo de pessoa, o não-fanático, que se está fazendo o espetáculo. Torcedores pagam ingressos, gente leiga paga viagens - e gasta bastante nelas. O futebol é a cereja do bolo - que poderia até ser jogado fora, pois o recheio é a "experiência".

Seja ela em Madri, Santiago ou Lima. 

Futebol? Libertadores? Só um detalhe. 

Insignificante.

E, porque não, totalmente dispensável - diante da "fiesta".

6.8.16

Comentários olímpicos (antes que passe a euforia ...)

Que festa, senhores ... que festa!

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Embasbacados até agora, com o que o Rio pode fazer de melhor, esquecemo-nos por uns tempos das coisas ruins que ouvimos, e falamos, sobre o Brasil e ligamos a chave do ufanismo (embora, dessa vez, com o pé atrás pelos maus momentos que passa o país).

Diga-se de passagem, apesar de tudo o Brasil é capaz de fazer Jogos Olímpicos memoráveis. Toda Olimpíada, aliás, tem momentos inesquecíveis, e o Maracanã provou que sabemos fazer boas festas.

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Temer vaiado? Claro. Políticos sempre serão os "papagaios de pirata", e o brasileiro não perdoa quem quer ser maior que a festa. Ainda vai existir o brasileiro que realmente goste de protocolo oficial, com discursos intermináveis exaltando os feitos dos chefes e governantes de plantão.

De mais a mais, não custa lembrar que os estádios brasileiros, até agora, só aplaudiram ditadores - Médici e Vargas estão aí para mostrar que as massas não costumam ser exemplo de reflexão.

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Anita arrasou (e ainda deu patada no Waack, que glória!). 

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Era para ser o Pelé. Mas a justiça fez com que Vanderlei acendesse a pira.

Afinal, o imaginário coletivo diz que futebol é futebol, Olimpíada é Olimpíada. E com a opinião do povo não se brinca: "vox populi, vox dei".


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E que pira, gente. Que pira!

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Os Wright inventaram o planador. O avião, esse é nosso.

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Aquecimento global? Sim, claro, é bom economizar recursos.

Entretanto, quem dá o crédito de carbono para os países da periferia se desenvolverem?

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Um texto anterior, desse que vos escreve, mostra o que achava pouco antes da Olimpíada começar:
Desde a sua refundação os Jogos Olímpicos serviram para muita coisa, boa e ruim. Propaganda de ditaduras, marketing de empresas, reconstrução de cidades, superação dos atletas. Serve até para o reforço dos nacionalismos (embora muitos hoje em dia achem que isso não tenha tanta importância). 
Prefiro acreditar, contudo, que para um grupo de pessoas tudo valerá a pena. Os atletas brasileiros, sempre desprezados, mereciam muito mais respeito do governo e iniciativa privada (tanto quanto, por exemplo, os nossos expoentes culturais, que tem privilégios e dinheiro que passam longe de nosso Esporte). 
Se nesta Olimpíada nossos atletas fizerem bonito, me dou por satisfeito. Eles só tem essa oportunidade para garantir o pão dos próximos quatro anos - pois as medalhas é que dão visibilidade (e, consequentemente, o investimento, ou a falta dele). 
Nosso país não sabe fazer marketing institucional. Isso está provado. Mas ao menos o Esporte devia ficar como um legado.
Se os atletas conseguirem um recorde de medalhas, e o país conseguir engatilhar uma boa política esportiva em consequência disso, todo o esforço de Nuzman, o arquiteto do Pan e da Rio 2016, esse dinheiro todo terá valido a pena.

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Ingenuidade? Talvez. Mas permita-me isso.

Afinal, fosse pelos espertos, nunca faríamos Jogos Olímpicos no Rio.


3.8.16

A abertura da Olimpíada e a cisma em querermos vender ao mundo um Brasil que não existe

Este que vos escreve tem como "hobby" - na verdade, obsessão - ler e pensar sobre o mundo que o cerca, até porque a reflexão nos mantém protegidos da estupidez que assola o mundo. Em uma dessas andanças, me deparo com essa explicação, que Pedro Doria deu a respeito da polêmica envolvendo Gisele Bundchen e o assaltante-ambulante na abertura da Olimpíada de 2016:

"Quem assistiu ao ensaio da cerimônia de abertura das Olimpíadas tomou um susto. À distância, incorporando a aura da garota de Ipanema, Gisele Bundchen parecia ser assaltada por um menino negro para, ao fim, ser salva por policiais militares. O Comitê Rio 2016 rapidamente se manifestou. Mal entendido: não se tratava de um pivete mas de um camelô e a garota Bundchen apenas achava que era assalto.

A jornalista Flávia Oliveira é quem melhor articulou o problema. Camelôs vêm de uma tradição colonial. Os escravos urbanos eram enviados por seus senhores à rua para, ambulantes, vender comidas. Depois, libertos e sem estrutura, vendiam o que dava na mesma rua para sobreviver. A moça alta, bela e branca que se assusta com o ambulante negro está reencenando uma história perversamente brasileira. Reforçando um estereótipo, estimulando preconceito."
Descontando-se o fato de que o preconceito não vai acabar por decreto, ou porque retiramos toda menção a ele da mídia, me pus a pensar sobre a falta de bom senso que o politicamente correto de tirar uma nesga de realidade da abertura dos Jogos. Afinal, só no Brasil o pessoal consegue sentir vergonha quando falamos na figura do camelô, ou do ambulante - que é alguém que trabalha, e duro, para garantir sua subsistência (aliás, poucos sabem que escravo podia abrir conta-poupança, a fim de comprar sua carta de alforria ... e muitos compravam sua liberdade com os trabalhos extras feitos nas ruas como "negro de ganho").

Além disso, devemos fingir que a realidade não existe, é 'rosinha', politicamente correta, e ninguém se assusta com a chegada de um suspeito na rua - e dá risada quando descobre que não é nada disso? Ou deveríamos admitir que isso é uma verdade, ainda que inconveniente?

Quando queremos mascarar a realidade demais, declarando que ela não existe e mostrando algo diferente, ela nos soa falsa. Não dá credibilidade. Fica parecendo propaganda de ditadura.

E, observem: só nos países ditatoriais tudo funciona às mil maravilhas. Cingapura, onde o indivíduo insiste em te vender a imagem de um país perfeito mas no qual se vê o medo no olhar do estrangeiro; Azerbaijão, que estampa imagens de 'muito bem, Baku' em um GP que não tem patrocínio nenhum; Coreia do Norte, onde o sistema é tão puxa saco que ninguém percebe o ridículo que é cantar 'longa vida ao ditador' o tempo todo.

A realidade brasileira é dura, cruel - e o seu estereótipo é a verdade. Perdemos uma boa chance de discutir isso, ao invés de fingir que isso não existe, no bom estilo 1964.

Aliás, não era a ditadura que inventava um país que não existe, pelas mãos de uma mídia que fingia que estava tudo bem, enquanto o povo, via de regra, ia mal?

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Pedro Doria disse que esse é "o preço de desconhecer a História". Eu, porém, vos digo: muito pior é tentar inventar uma História que não existe, para transformar vergonha em orgulho e vice-versa.

Isso porque o povo percebe que algo não está certo. E repudia o que não aceita.


12.6.14

#vaitercopa ... mas ... poderia ser diferente?

Cosme Rimoli dá o "n´ésimo depoimento a respeito de como o Brasil está desperdiçando dinheiro com a Copa do Mundo, como poderia ser diferente, e outros aspectos que sempre são levados em conta pelos defensores de um "Brasil ideal" que povoa as redações de jornais e revistas, e a cabeça da classe média mundo afora - a de um país perfeito, mas que não se sustenta quando entra em contato com a realidade. 

Esse escriba tentou retrucar ao cronista esportivo, mas sabe que às vezes os "posts" em blogs se perdem no tempo (ou não são autorizados) - e, por isso, escreve aqui o que seria uma resposta, não só a ele, mas a todos os que achavam que a organização da Copa 2014 poderia ser diferente do que foi.

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"Complicado ...

Um órgão centralizador poderia ter resolvido todos os problemas de gestão que ocorreram na Copa?

Talvez, mas o Brasil, embora muitos duvidem, é uma federação: teríamos que mudar toda a legislação para que o Comitê Organizador da Copa mandasse em todos os níveis do governo, da União até os municípios, sempre pelo "bem maior", a realização da Copa. Seria o pretexto ideal para mexer até mesmo com a Constituição, e rasgar a forma de Estado vigente no Brasil completamente.

O que me leva a perguntar: se até o fato de acarajé não estar sendo servido na Fonte Nova vira motivo para preservar a soberania nacional, quanto mais uma barbaridade como "centralizar as decisões da Copa"?

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Doze sedes é muito? Sim, mas seis seria inviável, e oito seria muito pouco.

E, se quer saber, São Paulo é mais desperdício como sede do que Brasília, que é a capital do país. Aqui não precisava ser a abertura da Copa (Tóquio não foi nem sede em 2012), e só foi porque os paulistas impuseram isso - e com muito prejuízo para os negócios locais, por sinal.

Pela minha lógica peculiar, tirava São Paulo e Recife (que desprezaram os estádios) como sedes da Copa, trocava Manaus e Cuiabá por Belém e Campo Grande. E só.

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Os investimentos nos estádios foram muito grandes? Tá, isso é verdade ... mas há outro fato, bem cruel, do qual não podemos escapar: nossos estádios eram (e ainda são) um LIXO, e só estão sendo mais caros porque não se optou por derrubar muitos deles para construir outros.

Foi mais barato construir o Itaquerão do que derrubar (ou reformar) o Morumbi.
Foi melhor ter demolido a Fonte Nova, e construído um estádio novo no lugar.

Mas alguém, dotado de sã consciência, teria coragem de mandar demolir o Maracanã?

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As obras de mobilidade não saíram? 

Em termos. 

A maioria está saindo, e estará terminada para a população; mas só não estão concluídas a tempo porque a fiscalização está sendo efetiva, até demais da conta (como no caso de Cuiabá, que queria vai engolir um VLT porque alguns acharam que era desperdício ter metrô por lá). 

Fosse tudo enfiado no RDC, sairia rápido (e, com certeza, bem mais caro).

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Em tempo: trem, no Brasil, é inviável. Acostumem-se a isso.

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Finalmente: as manifestações aconteceram?

Correto. Foi bom, aliás, ver o povo sair às ruas defendendo ... "sei lá o quê". Mas, veja bem, além da da PEC 37, que outros resultados elas deram? 

As jornadas de julho foram insuficientes para gerar a revolução desejada por aqueles que só saíram às ruas enquanto as férias não começavam, e porque não estavam organizados em torno de ideias verdadeiras. O MPL ganhou a tarifa zero, mas só para que depois as greves de ônibus e metrô mostrassem que sistemas privatizados não pagam o almoço grátis de ninguém. Os black blocs, fruto dessa "galera bonita que foi às ruas revolucionar não sei o quê", geraram mais tumulto do que satisfação, e o #naovaitercopa virou, no frigir dos ovos, mais um sonho de uma noite de verão do que uma realidade consumada.

E, no final, quem foi às ruas mesmo foram os sindicatos e o MTST, para defender causas reais, do dia-a-dia, para ganhar ou perder. Mas para lutar, de verdade, pelo que eles querem.

...

Me pergunto como seria a Copa ideal que a imprensa e os que a combateram defendia. 

Num Morumbi "arrumadinho", Arena da Baixada incompleta, outros estádios conservados como museus, oito sedes concentradas no Sul-Sudeste (esquecendo-se de que o Brasil também existe acima da Bahia), com um politicamente incorretíssimo saci fumante como mascote, e com um monte de falsificações que atropelassem os patrocinadores da FIFA e consagrassem o "nas coxas" como o legítimo modelo brasileiro.

Não funcionaria. 

Aliás, se fosse para ser assim, nem valia a pena ter Copa - por mais que gente como o pessoal da Boitempo e outros nacionalistas de plantão pensassem o contrário.

Isso porque é fácil falar que o Brasil não seria digno de fazer uma Copa, ou que era melhor que não tivesse acontecido. 

Difícil é imaginar que seria melhor do jeito que alguns achavam que ela deveria ter sido."

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Esse texto começou simplesmente como a resposta a um "post" num "blog", mas ganhou corpo e alma de post para o TrashEtc!. Bem que esse escriba gostaria de ter escrito isso antes - mas, como dizem por aí, "não adianta perder tempo com quem não vai concordar com você nunca".

Fica, portanto, como um desabafo - de quem sabe que, no fundo, não poderia ter sido diferente; de quem acredita que o Brasil é melhor do que as pessoas que organizam tais eventos, e também muito melhor do que aqueles que os criticam sem saber como as coisas funcionam; de quem acredita em seu país e sabe que não é fácil fazer o mundo olhar para esse país; e de quem tem fé de que, no final, tudo dará certo.

Essa é a Copa 2014 que faremos. 

A Copa NO Brasil. E a Copa DO Brasil.

26.7.10

GP da Alemanha de 2010 - Porque reclamar da palhaçada da Ferrari?

Tá, tá, todo mundo sabe que a Ferrari se acha mais importante que seus pilotos (o que também é verdadeiro) e que não é incomum essa estória de primeiro e segundo piloto na Fórmula 1 em qualquer equipe, e que contratos são para ser cumpridos e pilotos não tem países, e por aí vai …

Ou seja, não teríamos motivos para ficar discutindo a palhaçada patrocinada pela “scuderia italiana” que transformou Felipe Massa em um Barrichello piorado, até porque dele não se esperava uma atitude boçal como a de domingo passado.

Logo, não teríamos motivo para reclamar, certo? Porque piloto não tem pátria, certo?

ERRADO.

Há muitos motivos para reclamar da atitude estúpida da Ferrari e de Massa.

E o primeiro é justamente sermos brasileiros, pois QUE PILOTO DE FÓRMULA 1 NÃO TEM UM PAÍS QUE TORCE POR ELE?

Sim, pois se não fosse por isso Ayrton Senna não ficaria desfilando a bandeira do Brasil a torto e a direito nos autódromos do mundo, em uma atitude que, apesar de marqueteira, era típica de quem queria mostrar que, antes de tudo, era brasileiro.

E que tinha gente que amava o que ele fazia, porque mostrava o orgulho dele em ser patriota.

Pois, em segundo lugar, QUEM FOI QUE DISSE QUE A FÓRMULA 1 NÃO GANHA COM O PATRIOTISMO DOS SEUS TORCEDORES?

Fala sério, que motivos tinha a Espanha para lotar autódromos se não fosse Fernando Alonso?

E antes de Schumacher, fruto mais notável de um investimento pesado da Mercedes para ter um alemão vencendo com um carro alemão, qual era “a graça” da Fórmula 1 para o maravilhoso mercado da Alemanha?

Notem o que foi escrito no parágrafo anterior: “empresa alemã, piloto alemão” …

NACIONALISMO.

Que existe, e que move montanhas no automobilismo, assim como em todo esporte.

Porque o “pachequismo”, a patriotada sem razão, que não é patriotismo, tem o dom de ser universal.

Chata demais para quem é especialista, mas que move montanhas de dinheiro, que vem do interesse do “grande público”.

E aí chegamos ao terceiro ponto: QUEM FOI QUE DISSE QUE O BRASILEIRO NÃO GANHA OU GASTA DINHEIRO COM A FÓRMULA 1?

Para começar, o meu, o seu, o nosso dinheirinho é investido periodicamente para manter um dos orgulhos dos paulistanos, que gera divisas mas também gastos, o GP Brasil de Fórmula 1.

Que, se os brasileiros tiverem culhões, será um fracasso desde já.

Assim como as propagandas do banco patrocinador da Ferrari, quarto maior do Brasil, e da montadora que é dona da escuderia.

Mas isso, bem … isso é sonhar muito.

Pois se já tem gente demais sustentando que Massa fez o certo, que ele não deveria rasgar contratos …

Justificativas coerentes para quem tem dinheiro a perder, como Felipe Massa, Fernando Alonso, a Ferrari e quem a patrocina.]

Mas que um torcedor de verdade jamais deveria aceitar.

Nunca.

Porque ele, no final das contas, é que paga para ver a palhaçada em que a Fórmula 1 se transformou.