
O presidente nacional do DEM e ex-prefeito de Salvador (BA), ACM Neto, tenta evitar que o deputado federal João Roma (Republicanos-BA) seja escolhido ministro da Cidadania. Roma tem uma relação de 30 anos de proximidade com o dirigente do DEM e já foi seu chefe de gabinete na prefeitura da capital baiana.
Bolsonaro já confirmou que Onyx Lorenzoni vai assumir a Secretaria Geral da Presidência, abrindo espaço para indicação partidária na pasta da Cidadania, responsável pelos programas sociais do governo, como o Bolsa Família. O partido de Roma é ligado à igreja Universal e hoje abriga o senador Flávio Bolsonaro (RJ), filho do presidente. Inicialmente era esperada uma definição sobre o sucessor de Onyx na próxima semana, mas a escolha deve ser feita no fim deste mês, após o carnaval.
Aliados do deputado baiano afirmam que a possibilidade de Roma virar ministro não tem relação com o presidente do DEM e que a negociação é conduzida inteiramente pelo Republicanos com o governo federal. O Congresso em Foco ouviu um importante integrante do Republicanos, que disse João Roma continua no páreo para assumir a pasta.
Além dele são avaliados os nomes de Jonathan de Jesus (RR), que liderou o partido na Câmara em 2019 e 2020, e de Márcio Marinho (BA). A escolha de Marinho é vista com cautela pelo fato de ele ser bispo da Igreja Universal, o que abriria críticas pela falta de uma indicação técnica, dada a proximidade de Bolsonaro com a igreja fundada por Edir Macedo.
O Republicanos é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e tem bispos da igreja entre seus filiados, como o próprio presidente Marcos Pereira e o ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella.
A legenda foi umas das principais aliadas de Arthur Lira no caminho para a presidência da Câmara. Uma fonte da legenda disse ao Congresso em Foco que o Republicanos construiu uma diálogo direto com Bolsonaro e as conversas para assumir um ministério existem desde meados de 2020.
“É muito fácil fazer a leitura de que isso é uma moeda de troca na eleição de Lira para Mesa. Parece que o mundo gira em torno disso, mas não é isso exatamente. Tem movimentações? Tem. Mas essa conversa do Republicanos tem uma gênese diferente, ela não começou na eleição da Mesa Diretora”, declarou um deputado da legenda.
O Republicanos passou a ficar mais próximo do governo após o presidente da sigla, Marcos Pereira, se afastar do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), rival de Bolsonaro.
Pereira e Maia eram aliados próximos até a corrida pelo comando da Câmara, quando Maia lançou Baleia Rossi (MDB-SP) e o dirigente do Republicanos apoiou Lira.
“Até se consolidou, óbvio, fortaleceu depois que Marcos Pereira se distanciou do Rodrigo, mas a conexão não é essa, começa em maio [de 2020] quando houve café da manhã e aproximação com Bolsonaro. Isso passa em outubro [de 2020] com a conversa da cisão do Ministério da Indústria e Comércio, que Marcos Pereira não aceitou naquele momento porque queria ser presidente da Mesa”.

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