27.1.06

"Hamas" duvide do povo, ele pode lhe dar uma rasteira ...

Desculpe o trocadilho infame do título, mas democracia é isto aí que vocês estão vendo na Palestina: depois da surpresa que foi ver o povo palestino dando uma rasteira no Fatah, em Israel, nos EUA, na União Européia e nos institutos de pesquisa (que devem estar com a moral mais baixa que político aqui no Brasil), só vai haver mais alguma surpresa se for o Hamas (e não a estrutura tradicional da OLP) que consiga efetivamente por em prática o Estado palestino e resolver décadas de disputas entre primos regadas a sangue e ódio tradicional.
 
Já de cara os novos governantes da Autoridade Palestina avisam: ninguém aqui é aliado de Israel, ninguém aqui está querendo bajular os EUA e nosso objetivo é voltar-nos para o mundo árabe e islâmico - e eu cá me pergunto se não era isso mesmo que os palestinos queriam, alguém que chegasse para botar ordem na casa internamente e realmente impor alguma ordem, assim como um certo Ariel Sharon fez com a ''paz na marra'' adotada há anos para o problema israelense.
 
George W. Bush, por incrível que pareça, acertou na mosca: o problema não era a paz, o problema era (e é) a corrupção e ineficiência de um governo que não funciona corretamente desde que a Palestina ocupada adquiriu status de governo semi-independente - e, lá como cá, o que interessa mais ao povo é saber se ele terá o que comer, beber e se vestir, e se efetivamente ele terá o que deseja: um Estado para morar de verdade, com uma vida para viver de verdade.
 
Que isso sirva de lição para o próprio Bush, e para os que vão participar das eleições no Brasil e em outros países do mundo - jamais duvide de que o povo ainda possa dar muitas lições a quem se acha dono do poder e da verdade ...
 
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Em tempo: gostaria de ter escrito também sobre o Minhocão, mas o 25 de janeiro passou e os meus planos para este blog se perderam um pouco com o pouco tempo que esse escriba possui ultimamente. Mas, para que não se perca o bonde da história, fica aqui uma pequena opinião: obra feita é obra feita, que traz benefícios à boa parte da população - e, numa cidade que vive de e para o carro, isso faz grande diferença na hora do fulano exercer seu direito a voto.
 
Particularmente, sou favorável à derrubada do viaduto, porque aquela região é a que poderá ser ocupada pela classe média um dia (se é que a classe média vai abrir mão dos condomínios fechados e das ilhas de prosperidade da periferia). Entretanto, de uma coisa eu estou certo: ou derruba essa obra ou deixa como está - ou seja, sem essa de boulevard, aproveitamento ou qualquer outra frescura que venha da cabeça criativa de quem acha que uma cidade grande como São Paulo é ''laboratório de idéias'' ou que sonha com uma cidade parecida com Paris, por exemplo.
 
Sem frescuras, por favor; São Paulo agradece ...

Um comentário:

  1. Excelente crônica politica. Porém não creio que o Sr Ariel Sharon mereça qualquer elogio, nem o intervencionismo de Bush. Vamos ver como Hamas se comporta (ele representava até há pouco mais de um ano um perigo maior que a OLP para os israelenses...)

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