9.5.21

Os políticos querem mais dinheiro

Nuno VasconcellosDaniel Castro Branco/Agência O Dia

INSULTO À INTELIGÊNCIA — É lógico que, nos salões de Brasília, se ouvem dezenas de argumentos em defesa dessa prática. Os mais eloquentes dizem que o dinheiro do Fundo Partidário é uma ninharia e que, ao bancar as campanhas eleitorais, as empresas estariam, na prática, financiando a democracia. Com todo respeito que os parlamentares merecem esse argumento, além de cabotino, é um insulto à inteligência do país. Ninguém aqui está dizendo que todos os políticos brasileiros se movem apenas por esse tipo de interesse. Nada disso: muitos entre eles se dedicam aos problemas mais urgentes mas não são, infelizmente, capazes de conter o apetite da turma que encara a política meramente como um negócio. Ninguém está, também, negando a importância das campanhas eleitorais! Até onde se sabe, porém, a democracia não se resume às disputas nas urnas. Muito mais importante do que dispor de recursos financeiros para tentar conquistar o voto do eleitor a cada dois anos é cuidar bem do próprio mandato. Isso mesmo! A principal ferramenta que um político tem para tornar seu nome conhecido e respeitado pelos eleitores é fazer com que seu mandato se torne útil aos olhos da população. O que se vê da parte de muitos deles, no entanto, é um esforço enorme para fazer com a que população se torne cada vez mais útil a seus interesses. Isso mesmo. Aos olhos da população, há várias providências mais urgentes do que o financiamento das campanhas — que sempre aparece no topo da lista das prioridades. E mais: a cada dia que passa, eles parecem mais preocupados em ampliar seus direitos, que já são muitos, e ao mesmo tempo reduzir as obrigações, que não são tantas assim. O mesmo ato que proibiu o financiamento das campanhas com dinheiro de pessoas jurídicas, seis anos atrás, estabeleceu critérios para que as pessoas físicas fizessem doações legais aos políticos. Isso seria, pelo menos em teoria, uma forma de estabelecer um vínculo mais estreito entre os partidos e os cidadãos. Afinal, pelo menos por enquanto, empresa não vota — direito facultado apenas às pessoas físicas. Só que, desde então, os partidos mais fisiológicos nada fizeram para atrair os cidadãos — e vivem se queixado da proibição de doações por empresas.

Assim como os bancos, os partidos políticos são Pessoas Jurídicas de Direito Privado. Além disso, são financiados por dinheiro público. Nada mais justo, portanto, do que torná-los responsáveis pelos atos dos filiados que se beneficiam dos recursos públicos que arrecadam. Isso pode ter algumas consequências positivas como, por exemplo, a de obrigar que as instituições sejam mais criteriosas na avaliação das pessoas que admitem entre seus filiados.

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